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terça-feira, maio 23, 2006

Sistema Financeiro Português: internacionalização

Internacionalização do Sector Financeiro Português
Tópicos de enquadramento


  1. Os Relatórios e Contas relativos ao ano de 2005 permitem concluir que nos principais bancos operantes no mercado português o contributo dos negócios internacionais para a formação do resultado bruto do exercício correspondeu a uma percentagem entre 20 e 35%. E numa tendência que indicia ser crescente.

  2. A expansão do sector tem sido feita não só ao longo das dimensões mais clássicas da banca dita de investimento ( com o project finance, o leverage trade ou o structured trade finance, por exemplo) mas também nas dimensões da banca comercial.

  3. Na banca comercial assiste-se à expansão das redes de retalho dos  bancos portugueses em mercados de proximidade geográfica ou cultural e ainda em países de elevada atractividade quando medida pelo binómio concorrência-potencial de crescimento do sector.

Atente-se que os negócios da banca de investimento, gestão de activos e actuação em mercados financeiros (monetários, obrigaccionistas, accionistas) se revela com um perfil global, os da banca de retalho continuam a ser predominantemente de cariz local.


  • Para melhor se perceber este fenómeno talvez seja conveniente recordar as principais tendências do Meio Envolvente Contextual com que se deparam as instituições financeiras portuguesas:

  • Intensificação e harmonização regulamentar, o que vem aumentar os custos de actuação no mercado (compliance costs) e suscitar um acréscimo concorrencial. Salientem-se alguns:

  • Acordo de Basileia 2

  • Financial Services Plan (MiFID, mercados grossistas, SEPA, Prospectos de emissão, directiva sobre a venda à distância de serviços financeiros, etc)

  • IAS/IFRS, que vieram introduzir maior comparabilidade.

  • Integração económica e financeira dos mercados, onde uma multiplicidade de operações de aquisição e fusão de carácter transnacional vieram alterar as estruturas dos sectores e dos Grupos Estratégicos operantes no sector.

  • Desenvolvimentos nas tecnologias de comunicação e informação e crescente convergência do padrão de aquisição de produtos e serviços financeiros por parte dos cidadãos da União. O que tenderá a levar ao aumento das aquisições transfronteiriças.

  • Adicionalmente as instituições portuguesas defrontam-se com as limitações próprias de mercados domésticos de dimensão reduzida e periféricos. Não sendo exaustivo, podem-se realçar:

  • Reduzidas oportunidades de manutenção do movimento de concentração doméstico. Independentemente do desfecho da OPA do BCP sobre o BPI.

  • Desvantagem de custos:

  • Prováveis deseconomias de escala;

  • Menores sinergias operativas (falta de escala, menores oportunidades de economias de gama);

  • Menor acesso a capital para expansão e maior custo do mesmo.

  • Reduzida dimensão e eventual dispersão do capital pode tornar os bancos portugueses mais vulneráveis a processos de aquisição ou de reestruturação empresarial.

  • O desafio passa pela capacidade de continuar a terem autonomia estratégica, para o que é essencial a manutenção de adequados níveis de rendibilidade (dada a situação periférica portuguesa, isto implica um prémio face a outros mercado mais centrais da Europa).

  • A internacionalização pode ser uma forma de elevar a rendibilidade das instituições financeiras portuguesas.

  • Os mercados internacionais são alvo de uma análise do seu potencial, estudando-se ritmos de convergência com países mais avançados, concorrentes existentes e prováveis, capacidade das instituições portuguesas transferirem vantagens concorrenciais para estes mercados (o que também pode passar por fenómenos exógenos como afinidades culturais, geográficas ou de complementaridade económica).

  • Os mercados de retalho financeiro têm permanecido predominantemente locais, pelo que vários especialistas apontam-nos com tendo o maior potencial de desenvolvimento e de aquisição transnacional. As instituições portuguesas têm estado atentas e entre as suas opções de expansão contaram-se aquisições de bancos locais ou a criação de bancos desde a raiz.

  • Por fim, deve-se atentar que a capacidade de uma Economia ser capaz de ter uma forte presença internacional em bens e serviços transaccionáveis constitui um forte estímulo ao desenvolvimento dos países. Não decerto por acaso fortuito, tem sido esta a via recomendada para Portugal. Um verdadeiro DESAFIO ESTRATÉGICO.

  • Aqui os Bancos portugueses têm um papel importante, pois é conhecido desde há muito, o papel de estímulo que a expansão internacional das maiores empresas de uma dada Economia exercem sobre as empresas situadas em sectores relacionados ou de suporte.

Paulo Alexandre Gonçalves Marcos, 22 de Maio de 2006

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