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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Entrevista dada á Revista Banca e Seguros nº 157

http://www.linkedin.com/in/paulomarcos

Entrevista a PAULO GONÇALVES MARCOS

Co-autor do best seller Marketing Inovador


"O esforço de internacionalização deve ser acompanhado do reforço das capacidades endógenas de avaliação e mitigação de risco"



O sector financeiro português está numa boa fase, em termos de internacionalização, e tem sabido aproveitar essas oportunidades?

O momento actual é de grande convulsão nos mercados financeiros internacionais. As crises combinadas do “subprime”, alimentos e energia fizeram com que os mercados tivessem fortes quebras, primeiro, e uma grande volatilidade, mais recentemente. Dentro deste panorama poderemos dizer que o sector financeiro português tem resistido bastante bem, melhor que a maior parte dos sistemas congéneres na Europa e nas Américas. A internacionalização do sector financeiro português tem-se orientado para mercados e segmentos onde existe uma vantagem comparativa de cariz concorrencial. Assim, países onde as empresas portuguesas tenham uma forte base instalada produtiva ou comercial (Angola, Espanha, Brasil) ou possuam afinidades culturais e civilizacionais (Cabo Verde, por exemplo) ou onde o grau de desenvolvimento dos mercados pode proporcionar que as empresas portuguesas introduzam técnicas de gestão ou marketing mais sofisticas (Polónia, Roménia, Ucrânia, Argélia, entre outros), têm sido os alvos preferenciais do notável esforço de internacionalização encetado desde meados da década de 90. E aqui o que vemos é um padrão de internacionalização de cariz estratégico mais que a mera tentativa de aproveitar mercados de destino de emigração. A aposta em serviços de elevado valor acrescentado (gestão de activos, private e corporate banking, investment banking) ou no domínio dos factores estratégicos de concorrência (redes de retalho, com a sua proximidade e conveniência) é a marca da nova internacionalização do sector financeiro português.



Na sua opinião, quais são os pontos que Portugal tem a seu favor nesta internacionalização? E os que tem contra e precisa de melhorar?

Pontos fortes: excelente capacidade técnica na banca de retalho (marketing, sistemas de informação, vendas) e na banca de aconselhamento (private e affluent banking, Project finance, Corporate finance); boa relação com as empresas portuguesas mais dinâmicas e com maior foco na internacionalização; flexibilidade e adaptabilidade de gestores e especialistas técnicos portugueses.

A menor dimensão da Economia Portuguesa, em geral, bem como a menor reputação que as suas empresas e produtos usufruem nos mercados mundiais são obstáculos à internacionalização do sector financeiro português.



Quais as celeumas que pode acarretar esta internacionalização para um mercado financeiro como o português?

A internacionalização resulta de uma busca de segmentos de mercado, em outras geografias, onde as empresas portuguesas tenham capacidade de transportar conhecimentos ou outro tipo de sinergias. E deverá ter, como resultado, melhores rendibilidades dos capitais próprios, logo, maior capacidade de atrair e remunerar capitais ao nosso país. Para uma pequena Economia aberta ao exterior, como a portuguesa, a internacionalização surge com um imperativo estratégico para o desenvolvimento económico que almejamos. E temos vários exemplos de outras pequenas Economias que têm aproveitado singularmente o fenómeno da globalização e da internacionalização para prosperarem. Claro que teremos que reter que existem alguns riscos, como a exposição a riscos do país ou riscos sistémicos de magnitude diversa. E para isso o esforço de internacionalização deve ser acompanhado do reforço das capacidades endógenas de avaliação e mitigação de risco.



Ao que devem estar atentas as entidades financeiras (bancos, seguradoras, etc) nesta internacionalização?

Dada a falta de dimensão relativa das instituições portuguesas, a ênfase terá que ser na especialização e na transferência de competências de um mercado altamente desenvolvido como o português, para outros mercados e segmentos onde o nível de especialização ou sofisticação não é tão intenso. Mais do que a busca por quotas de mercado, a internacionalização deve orientar-se por critérios de rendibilidade.



A internacionalização pode ser considerada um “móbil” de risco para o desenvolvimento de banco e/ou seguradora, tendo em conta que os objectivos possam passar por uma rentabilidade quase imediata que pode ser prejudicial?

Não. Os gestores do sector financeiro conhecem bastante bem que os projectos de investimento carecem de um prazo para a recuperação dos capitais investidos. A lógica nunca é de um retorno imediato, mas sim de uma rendibilidade das operações que sejam sustentáveis a médio e longo prazo. Portanto, não julgo que os bancos e as seguradoras portuguesas (mas também as gestores de activos e de fortunas, as boutiques financeiras, entre outros) padecem de uma “miopia” de curto prazo.



Que importância atribui à hegemonia da regulamentação, sobretudo ao MiFID, neste processo de internacionalização?

Bastante. Um dos objectivos políticos últimos da MIFID é o de alargar o Mercado Único de Serviços Financeiros, alargando o leque dos produtos e serviços objecto de um verdadeiro passaporte comunitário. Com os aumentos de concorrência entre prestadores de serviços (de aconselhamento mas também de plataformas de negociação). Nesse sentido o fim do monopólio dos mercados regulamentados abre novas oportunidades ao desenvolvimento do negócio das entidades financeiras. Custos de transacção mais baixos, como resultado do aumento da concorrência e do “upgrade” tecnológico dos prestadores de serviços, serão facilitadores do processo de internacionalização. A utilização do passaporte europeu pode ser uma vantagem importante dos bancos portugueses, reduzindo a complexidade do seu processo de internacionalização.



Que desafios se colocam a Portugal, e ao resto do mundo, neste processo de internacionalização do sector financeiro?

A internacionalização coloca vários desafios às instituições, mormente portuguesas. Senão vejamos:

- a internacionalização é importante para sustentar crescimentos da conta de exploração quando o mercado doméstico exibe sinais de maturidade e de concorrência exacerbada;

- o esforço de internacionalização deve ser visto não apenas ao nível dos requisitos de capital mas também ao nível dos requisitos sobre a Gestão (novos clientes e concorrentes; ambientes regulatórios e de Compliance diferentes dos habituais nos mercados domésticos; expatriação de quadros; desafio de novas línguas e culturas). Isto dentro duma linha estratégica mais vasta em que apenas uma adequada rendibilidade de capitais próprios é susceptível de assegurar a manutenção dos centros de decisão financeiros em Portugal. O crescimento de activos e de rendibilidade, essencial para preservar a capacidade estratégica de decisão e acumulação em Portugal, requer, sem dúvida, o continuar do processo de internacionalização. Diria que é condição necessária, conquanto não suficiente!


In Banca & Seguros #157.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

De que estará o Benfica à espera?

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Sábado à noite, ali para os lados do Lumiar, em Lisboa. Jogava-se o Sporting-Benfica, o derby mais produtivo de todo o Velho Continente.
Sporting ganhou por 3-2 com Liedson a marcar mais dois golos. Já vai em 63 com a camisola do Sporting e 12 ao Benfica...mais um golo marcado entre os altos e espadaúdos centrais do Benfica. Uma rotina que se vem tornando infernal...cada vez que Liedson defronta o Benfica. Fica a dúvida do que este jogador seria capaz de fazer numa equipa com Reyes, Cardoso, Nuno Gomes, Di Maria...Provavelmente alcondararia-se a muito mais destaque...
O que estará o Benfica à espera para contratar Liedson e pagar a cláusula de rescisão (apenas um ano de salários)?

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Que milhares de novos empregos floresçam!

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http://www.economico.pt/noticias/que-milhares-de-novos-empregos-florescam_3288.html

O que falta a muitos dos promotores participantes nos vários concursos de Inovação é experiência de gestão.

O fomento do empreendedorismo deve ser uma prioridade pública, como forma de aumentar a competitividade nacional, reforçar a teia de micro e pequenas empresas com capacidade de crescimento e de afirmação no mercado nacional e internacional, e aumentar o emprego qualificado e inovador. O tempo para dar um novo enquadramento e apoio à iniciativa dos portugueses está maduro.

Os concursos de empreendedorismo, promovidos por entidades públicas e privadas (associações empresariais, universidades, Iapmei, bancos nacionais, entre outros) têm evidenciado projectos muito interessantes, promotores com ambição e vontade e boas perspectivas para a desenvolvimento ou expansão de novos negócios, com importantes impactos potenciais sobre o emprego e as exportações.

Mas não chega o que de bastante bom tem sido feito. Para que o seu efeito macro-económico se torne relevante é preciso dar-lhe uma nova escala, uma outra dimensão. É necessário constituir parcerias público privadas para a constituição e gestão de Fundos de Investimento especificamente dedicados à promoção e ao investimento em iniciativas que requeiram capital semente. Várias vezes maiores e mais orientados para a acção e o financiamento do capital semente que os poucos fundos privados ou públicos de capital de risco existentes. Estes fundos deverão propiciar capital e apoio de gestão (aqui eventualmente em parceria com associações de gestores e Ordem dos Economistas), sob a forma de gestores experientes, que complementem as capacidades tecnológicas ou a visão e ambição dos promotores. E o papel dos gestores experientes, nunca será demais menciona-lo, é fulcral. O que falta a muitos dos promotores participantes nos vários concursos de Inovação é experiência de gestão, numa acepção bastante ampla, para além de uma base de capital mais robusta. Muitos dos projectos apresentados denotam falhas graves na formulação conceptual do seu modelo de negócio (plano de negócios), o que dificulta sobremaneira o papel dos júris avaliadores. Ademais, se aprovados, a inexperiência de gestão dos promotores é-lhes muitas vezes fatal. Por isso, a nossa proposta é que à semelhança do que acontece em vários países europeus (e aqui os nórdicos também nos podem ilustrar uma parte do caminho a percorrer) e olhando ao sucesso das iniciativas portuguesas (conquanto em escala demasiado diminuta para terem impacto macro económico, reitere-se), mais dinheiro e mais gestores experientes estejam disponíveis para ajudar os empreendedores portugueses. Afinal num país em que os gestores com mais de 40 anos têm dificuldade de se tornar a inserir no mercado de trabalho, tamanha experiência está a fazer falta às pequenas empresas. A combinação de promotores inovadores, gestores experientes e capitais público-privados poderá criar vinte a trinta mil novos postos de trabalho, em empresas de elevado cariz de inovação, capazes de estabelecerem as bases de um novo modelo de especialização.

Numa altura em que são lançadas várias iniciativas no sentido do fomento de obras públicas de cariz infraestruturante, em Portugal mas também na América do sr. Obama, importante era que houvesse um reforço dos recursos públicos dedicados ao fomento do empreendedorismo. E recursos públicos (dinheiro para ‘seed capital', mas também garantias de crédito e apoios à exportação) que permitam colmatar uma falha de mercado. Falha de mercado esta que causa uma exiguidade relativa de fundos privados. Na conjuntura económica que atravessamos, onde receitas clássicas de actuação pelo lado da procura poderão ser insuficientes, era vital que o Estado tivesse um papel catalizador e dinamizador de uma verdadeira indústria de capital de semente. E por uma pequena fracção do custo de algumas obras públicas, por mais necessárias que estas sejam.

www.antonuco.blogspot.com
paulo.marcos@marketinginovador.com

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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor de empresas e professor universitário


Comentários

JSL, Singapura | 11/02/09 00:52
Um proposta séria que merece ser desenvolida.


NapoLeão, | 11/02/09 17:51
Há que manter a esperança viva na próxima "fornada" de políticos. Vejamos: O PR nunca esteve à frente duma empresa tal como o PM e todos os ministros das 3 últimas décadas ! Portanto, universitários-teóricos e juristas/advogados só têm servido para fazer discursos e aprovar ou sabotar as leis do mimistro anterior. Estamos tramados !!!


Francisca Soares de Albergaria, | 12/02/09 09:31
Concordo com essa visão e com a sua necessidade urgente. No entanto, julgo que é prioritária a renovação de pessoas (políticos) de modo a que hajam novas perspectivas, visões e ideias (ainda pouco viciadas e acomodadas ao sistema) a ganhar terreno. Esperemos que Obama seja detentor dessa postura. Por cá... continuamos à espera.


João Bessa Gomes, | 12/02/09 10:50
Penso faltar um "toque" de realidade, a quem nos governa. Pior que isso, não vejo muitas caras novas na política, da direita à esquerda, e aquelas que surgem já são apradrinhadas por alguém que em troca quererá algo no futuro, catalizando um primeiro princípio de corrupção, voltando a um círculo vicioso. Penso que catalizar a economia através de obras públicas, infelizmente, será necessário para resolver um conjunto de problemas internos de curto prazo. No entanto, tal como escrevi num artigo o mês passado, e aplicando uma gestão de maximização do trabalho e potencialização de emprego, as obras públicas deveriam ser muito bem escolhidas. Aliás, penso que desenvolver uma estratégia de crise de médio prazo é algo que já deveria estar feito à muito tempo, pois acredito que esta crise já se adivinhava e que não apanhou tanta gente assim de surpresa, nomeadamente os gestores e economistas que analisassem dados correntes dos mercados externos. Já agora uma sugestão: em vez de um TGV (obra público/privada tanto quanto sei) de 7,5 mil milhões de euros porque não construir mil escolas Básicas e Secundárias com qualidade digna (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os idosos (a 1 milhão de euros cada um). Restariam ainda cerca de 3,5 mil milhões de euros para investir em infraestruturas de apoio, qualificação de pessoal, incentivos sérios à natalidade e promoção de emprego, e tal como o Professor diz e muito bem, a a dinamização "de uma verdadeira indústria de capital de semente". Grande artigo. Parabéns


Rita Correia, | 12/02/09 11:07
Penso que é uma visão bastante válida, no entanto, a inovação e o empreendedorismo nem sempre são bem vistos e aceites na nossa sociedade tão resistente à mudança. A mudança é bem vista quando surge de fora, mas quando é sugerida de dentro é vista como "uma oportunidade para fazer dinheiro" o que faz com que caíam ideias e soluções necessárias e úteis para nós. Fomentar os concursos pode ser o primeiro passo para aceitar e respeitar quem quer ser empreendedor em Portugal. Há portugueses que optam por ser empreendedores em outros países para posteriormente tentarem a "sorte" no nosso país, é mau, mas parece que estamos a acordar para este facto. Espero que sim :)