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segunda-feira, agosto 10, 2009

Judy Green Pottery, uma lição na era da Globalização

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Vai tornar a sair mais um artigo de opinião nosso na edição de quarta feira do Diário Económico.

Sobre a Judy Green Pottery ou uma lição de como concorrer nos mercados internacionais num mundo globalizado.

terça-feira, julho 28, 2009

Seriedade na Política

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O que tem a ver a seriedade na Política (em Portugal) com a New Coke de 1985? Tudo...
Descubra as analogias entre os reposicionamentos de políticos e de bebidas!

Dia 29 de Julho no Diário Económico!

quarta-feira, junho 03, 2009

Expandir as exportações!

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Sem surpresa, os dados das exportações dos países europeus revelaram que as portuguesas foram as quartas que mais quebraram no contexto dos 27 países da UE.

E dizemos que existe ausência de surpresa porque os efeitos combinados das quebras de produção da AutoEuropa e da Quimonda, por um lado, e o arrefecimento da máquina exportadora alemã, por outro, não poderiam deixar de cobrar um preço elevado a Portugal. Propomos neste artigo que possamos fazer uma inflexão de cariz estratégico assente em três pilares: qualificação da gestão das pequenas e médias empresas exportadoras; incentivos fiscais para a produção de bens e serviços transaccionáveis e incrementar a exportação cultural.


(continua no Diário Económico)

sexta-feira, maio 08, 2009

Thatcher morreu?


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‘Lady’ Margaret Hilda Thatcher, baronesa do Reino Unido, mais conhecida enquanto governante de punhos de renda e vontade indómita, morreu enquanto personagem histórica com uma influência fulcral no sistema de Governo, e nas opções económicas e filosóficas subjacentes, de todo o mundo entre 1980 e 2008.

‘Lady' Margaret Thatcher e Ronald Reagan, influenciados por Hayek e Friedman, estabeleceram um novo modelo de funcionamento económico. Onde as três décadas anteriores tinham visto o primado da Economia Keynesiana, Thatcher e Reagan ousaram romper com o status quo. A um tempo em que Mitterrand, em França, nacionaliza grandes empresas, Thatcher privatiza, ataca os sindicatos e introduz mais princípios de mercado em serviços e provisões de bens públicos. Não tardaria que Mitterrand, o campeão do socialismo democrático, lhe seguisse os passos... E durante quase três décadas o legado de ‘lady' Thatcher pareceu vingar um pouco por todo o mundo: uma Economia de mercado liberalizada que resultou em baixas inflação e taxas de juro, com os produtos internos brutos das nações a crescer, a globalização em afirmação e a espalhar benefícios por todo o mundo em desenvolvimento (foram as décadas mais impressionantes de sempre no combate à pobreza mundial, com centenas de milhões a emergirem das fileiras das subclasses e a alcandorarem-se às classes médias). E qual cereja em cima do bolo, os mercados accionistas tornaram alguns milhões de cidadãos de classe média em cidadãos mais afortunados, fruto de uma subida geral dos valores mobiliários nas bolsas mundiais, durante as duas décadas de predomínio filosófico e político do legado de ‘lady' Thatcher. Sarkosy, quando é eleito para Presidente da República francesa proclama que tem como modelo de governação a senhora Thatcher e que a França precisa de um choque de vigor e de liberdade económica tal como aquela fizera no Reino Unido. Esta declaração marca, a nosso ver, o culminar da influência do legado Thatcher. Este, nos anos mais recentes, tinha evoluído de forma assinalável nos mercados financeiros: da desregulamentação inicial, passou-se para novos paradigmas como o ‘shareholder value', a independência dos bancos centrais e dos reguladores dos mercados de capitais (o que em si era benéfico, retirando aos políticos a capacidade de influência quotidiana). Em breve, os "polícias" dos mercados monetários e de capitais adoptaram uma Política de Regulação de tipo ‘light touch' (onde a ganância, a amoralidade e a falta de decência, encontraram terreno fértil para os excessos dos ‘subprimes' e afins...). E no desenrolar da crise económica são estes mesmos pilares, do legado Thatcher, que estão sob o foco e o ataque de políticos, opiniões públicas, comunicação social, organizações não governamentais e sindicatos. Mais regulamentação (vejam-se as novas directivas comunitárias e a sua transposição para o ordenamento jurídico português), mais ênfase na comunidade e na responsabilidade social das empresas (a que os dirigentes das empresas não se têm furtado; por todos, vejam-se as posturas exemplares de Soares dos Santos, Ricardo Salgado, Zeinal Bava e Paulo Azevedo), mais intervenção do Estado na Economia (nacionalizações, tributação extra de rendimentos e prémios, e o mais que está para vir). Num mundo que parece estar em desmoronamento, Sarkosy, sintomaticamente, posa recentemente junto a um exemplar do livro de Marx, "O Capital" (caso para dizer que a convicção liberal de Sarkosy não seria muita....). Louçã, Sousa Santos, Jerónimo, Mário Soares, entre tantos, proclamam que o modelo de Economia Liberal (o legado de Thatcher) está morto. Seria caso para concordar, não fora o facto de não existir nenhuma alternativa política credível e provada...Nenhuma saída mágica da crise, nenhuma ideologia redentora para além de muito trabalho, estudo, engenho e ética.

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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor, professor universitário


Comentários

Alexandra Quaresma, | 06/05/09 08:39
O seu artigo de tão verdadeiro é doloroso. Não temos alternativa senão trabalhar com seriedade e com inventividade. Que saudades para o tempo de nossos pais em que existiam utopias...


qwerty, | 06/05/09 10:40
Tão bom era o modelo que funcionou em "pleno" (e bastante malzinho, excepto para a elite que dele beneficiava) durante menos de 3 décadas. Não sei, então, porque diz "não existir nenhuma alternativa política credível e provada"... O próprio modelo não era credível e provado, logo era tão bom como qualquer outro...


bah, | 06/05/09 10:45
Bah! Adoro quando estes jornalista enbarcam pela ladainha como "...foram as décadas mais impressionantes de sempre no combate à pobreza mundial..."
É por repetirem MENTIRAS vezes sem conta que esperam que nós aceitemos que são VERDADE. Não!


Maria Almeida, | 06/05/09 11:19
Coisa ruim não morre mesmo!
Não falo de economia porque sou leiga na matéria. Falo de direitos humanos, falo de hipocrisia. Fez ontem, 5 Maio 1981, 28 anos que essa "lady" de mão-de-ferro, uma autoritária do imperialismo britânico, deixou morrer o primeiro grevista de fome na Irlanda do Norte, Bobby Sands.
http://en.wikipedia.org/wiki/1981_Irish_hunger_strike


JC, Matosinhos | 06/05/09 12:21
Quem estiver refém de dogmatismos, tem dificuldade em aceitar a evidência dos números. Os números não mentem, estão aí para provar os factos.


Ana Sirage Coimbra, Maia-Porto | 06/05/09 12:33
A situação actual só vem demonstrar que o futuro passa pela adopção de modelos mitigados, que de uma forma coerente, promovam uma regulação baseada na responsabilização dos actores sociais, na transparência dos mercados e no compromisso de que o desenvolvimento de um país implica, necessariamente, pensamento estratégico focalizado na resolução dos reais problemas (estruturais ou conjunturais), que nada têm que ver com ideologia.


R. do Ó, | 06/05/09 12:45
A quem preconiza o fim do mercado e se delicia com as recentes intervenções publicas nos mais diversos sectores, apontando que estamos perante o advir da economia centralizada em contraposição à economia de mercado, é importante lembrar que o modelo do estado planeador, que tudo sabe, que tudo faz, falhou há muito tempo (1989 se quiserem uma data).

Aos defensores do mercado custará certamente ter que assumir a necessidade das recentes intervenções do estado (nem todas bem feitas). Deve custar bastante não porque acreditam que o mercado não conseguisse resolver a actual situação, mas porque sabem que a resolução do “mercado” seria feita de uma forma bem mais dolorosa (principalmente para os clientes) ainda que certamente mais rápida.

É evidente que o paradigma falhou! Mas isso não quer dizer que o certo estará num sobredimensionado peso do estado na economia, já todos vimos ao que isso nos leva. Adulterando uma frase de Churchill, a propósito da Democracia, permitam-me que vos diga: a economia de mercado é o pior sistema económico, com excepção de todos os demais.


pato bravo, | 06/05/09 12:52
Será que o modelo de Thatcher foi de facto um modelo de mercado livre?? ou foi um mercado muito intervecionado pelos bancos centrais e governos camuflado de mercado ultraliberal???
O papel do estado é o de garantir a segurança de pessoas e bens, que se faça justiça de forma independente e igual para todos, pelo menos na minha opinião penso que deveria ser esse o seu principal papel!
Já subsidiar isto ou aquilo e injectar dinheiro aqui e acolá, não faz o menor sentido visto que não se conhece melhor forma de alocar recursos do que o funcionamento normal do próprio mercado! O papel do estado no mercado deveria ser o de tentar evitar monopolios, oligopolios e burlas/corrupção nos licenciamentos aos privados e negócios públicos!
Assim sim, o estado estaria a fazer um bom papel!!!

De seguida apresento uma sequencia de videos em que Peter Schiff explica claramente vários "erros/vicios de pensamento" que levaram às várias crises economicas...
Muito interessante e recomendável:
http://www.youtube.com/watch?v=izynlWz4rmU
http://www.youtube.com/watch?v=Rdc8bJiN2Qo
http://www.youtube.com/watch?v=ZzSWttpXT1k
http://www.youtube.com/watch?v=GfMtNCxxgrU
http://www.youtube.com/watch?v=2bLe9Sy4q8g
http://www.youtube.com/watch?v=E-a_CAIYSKQ
http://www.youtube.com/watch?v=DyYFqOAqEzw
http://www.youtube.com/watch?v=pFI6jgpU_O8
alternativamente ouça o mesmo em:
http://mises.org/multimedia/mp3/ASC2009/ASC09_Schiff.mp3

Veja como o raciocinio de Peter Schiff lhe permitiu prever já em 2006 o que se veio a revelar verdadeiro nos dias de hoje!
Será apenas coincidência??? decida por si:
http://www.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw

Acerca dos malefícios dos subsídios proponho a leitura atenta dos seguintes sites:
http://www.heritage.org/research/agriculture/bg2043.cfm
http://www.reason.com/news/show/36207.html
http://northerngleaner.blogspot.com/2007/12/end-of-farm-subsidies-new-zealand.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Agricultural_subsidy

Veja como os governos/politicos podem "atrapalhar" ou mesmo sufocar o mercado e as liberdades individuais quando exageram nas suas funções... Veja os seguintes videos (e pense por si próprio):

http://thefreeturkey.com/2008/10/18/the-politically-incorrect-guide-to-politics-john-stossel/
http://financialtruth0.blogspot.com/search/label/Xtra stuff
http://financialtruth0.blogspot.com
http://www.youtube.com/user/PhilDeCarolis
http://www.youtube.com/watch?v=vweLBpE4mso
(em alternativa a este ultimo site no caso de o video já não se encontrar disponível basta procurar no google por "Peter Schiff Analogies")

Veja como o sistema financeiro não é viavel a longo prazo:

http://www.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw
(veja o seguite com atenção, aconselho a fazer pausa para ler certas legendas mais rapidas)
http://www.youtube.com/view_play_list?p=50E3C62D8AC7B1ED
http://video.google.com/videoplay?docid=5232639329002339531
http://www.clubedevienna.com/crash.html
http://financialtruth0.blogspot.com/search/label/Documentaries

Para quem considera importante encontrar soluções para a crise recomendo os seguintes livros (recomendo a todos os economistas portugueses, que nas nossas universidades não estudam esta abordagem à economia, enfim...):

http://www.clubedevienna.com/crash.html
http://jim.com/econ/
http://www.youtube.com/watch?v=1x-D8-1ilwI
http://mises.org/Books/HumanActionScholars.pdf
http://mises.org/books/desoto.pdf


rrabitt, | 06/05/09 13:03
..... SÓ NÃO GOSTA DO TEXTO E O CRITICA NEGATIVAMENTE QUEM APRECIA MUITO O SOCIAL FACILITISMO DE QUE TUDO ENTRA PELA JANELA SEM O MINIMO ESFORÇO, E ONDE A INVEJA DAQUELES QUE TÊM A CUSTA DE MUITO TRABALHO IMPERA. BELO ARTIGO!


F. H., | 06/05/09 13:23
A prova que o legado de Thatcher/Reagan não morreu é que não existe um modelo alternativo, que ponha em causa os princípios fundamentais do liberalismo, Para além de que as intervenções dos Governos e Bancos Centrais, como a nacionalização ou injecção de liquidez, não são como dizem, o regresso do socialismo ou keynesianismo. São do mais autêntico monetarismo. Foi Milton Friedman, prémio Nobel considerado supremo neo-liberal, quem recomendou estas políticas para tratar crises deste tipo.


nfernandes, | 06/05/09 13:33
Excelente exposição, e uma grande verdade. Não há de facto alternativa ao modelo actual. Claro que alguns excessos podem ser evitados, mas daí a entrar em histerias a-lá-Sarkozi vai uma grande distância.
Podemos inclusive vir a pagar bem caro por intromissões do Estado na economia...(do tipo Fidel Castro).


bem vistas as coisas..., | 06/05/09 13:41
e com tanta retórica teórica de "professores" universitários de economia, é de considerar continuar a tentar os instrumentos daquela época tatcheriana...com mais insistencia e flexões talvez tenhamos mais uns desastres financeiros, pois os que houve ainda não deram para confirmar a derrota do neoliberalismo económico! Continuem a laboratoriar...


pedro santos, seixal | 06/05/09 16:51
A implementação de práticas económicas neoliberais poderá só ser uma solução se forem aplicadas com regras. Quando não existe regras nem nenhuma entidade que verifique a aplicação das mesmas os resultados estão à vista o ser humano é por natureza possessivo e neste sistema torna-se obsessivo, o quer sempre e sempre mais nem que signifique a obliteração das regras de mercado, ou mesmo o engano e criar novas regras de mercado
as suas. O mercado para funcionar como deveria, (não sendo saudosista) era necessário que os participantes no mesmo tivessem regras de conduta e fossem respeitados pelo cumprimento das mesmas, é assim que alguns nomes da nossa praça granjearão respeito
pedro santos


jrdesiludido, | 06/05/09 23:52
O sistema de mercado que continua em vigor em todo o mundo não morreu. Está é muito doente porque a ganância de alguns, levou-o à falência técnica. Todos sabemos que o ser humano é mesmo assim: Quanto mais se tem, mais se deseja ainda ter. Isto transforma-se num ciclo vicioso, e, quando não existem determinadas regras, todos põem "a pata na poça". Continua a fazer falta gente séria e honesta, especialmente entre os líderes que governam o mundo...


Lara Carvalho, Corroios | 08/05/09 00:59
Acho que entrámos numa crise bastante profunda e que nos tapa os olhos e nos faz cegos. O mundo está em crise e nós de tão pequeninos que somos não sei como vamos recuperar... Temo pelo meu futuro que está nas mãos dos governantes que nada sabem fazer para o recuperar! Talvez se todos estivessem em alerta podessemos contribuir para que o barco não se afunde mais. Lara Carvalho

terça-feira, abril 21, 2009

Tempo de ser imaginativo?!

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Faço a transcrição do meu último artigo publicado no Diário Económico, em 8 de Abril de 2009


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Os tempos de crise revelam um conjunto de talentos e de empresas que tiveram capacidade de pensar de forma estratégica, prosperando.

As épocas de crise são sempre particularmente sombrias. Previsões económicas revistas sucessivamente em baixa, notícias em que o tom pessimista predomina. Como se o mundo fora acabar em breve...Uma leitura atenta da História, contudo, demonstra à sociedade como as previsões de um teor apocalíptico são tão coevas quanto a humanidade...Os tempos de crise revelam, por surpreendente que possa parecer, um conjunto de profissões, de talentos e de empresas que tiveram capacidade de pensar de forma estratégica, prosperando. As páginas do Diário Económico, por exemplo, são disso um bom exemplo, apresentado empresas e empresários que aprenderam a pensar o futuro. Muitas vezes, isso quer dizer uma capacidade, inata ou educada, para observar o que fazem os concorrentes. Veja-se o que fizeram os fabricantes nipónicos no pós-guerra. Um país arruinado, ocupado militarmente, com um novo sistema político, cidades arrasadas...Não nos atreveríamos a chamar um país em crise, ao Japão de 1945, mas sim um país arrasado. E o que fizeram a Toyota, a Honda e outros? Começaram por copiar, e melhorar depois, os veículos das forças armadas norte americanas. Melhorando sucessivamente aquilo que os seus concorrentes, os grandes fabricantes americanos faziam. Copiar, melhorar, inovar o modelo japonês de sobrevivência face a uma catástrofe: a derrota militar da segunda guerra mundial. Em tempos de crise pede-se às empresas, por paradoxal que possa aparentar, uma atitude e um esforço de investimento em saber mais, em qualificar recursos humanos, em internalizar competências. Um investimento em contra ciclo que se veio revelar como o verdadeiro sustentáculo para o futuro. Uma atenção ao que nos rodeia, uma capacidade para observar, trabalhar e ler. Muito de todos. Algo que, por exemplo, as todo poderosas empresas de transporte ferroviário, no início do século vinte não fizeram. Escudadas em milhões de clientes e accionistas, em centenas de engenheiros, cometeram o pecado da miopia de marketing. Esqueceram qual o seu negócio. Que não estavam no negócio do caminho-de-ferro mas sim no negócio do transporte e no da aproximação de coisas e pessoas. E por isso não atentaram que umas pequenas empresas, nascidas em vãos de escada, mas usando uma tecnologia bastante diferente, se estavam a preparar para as destronar...Empresas com nomes como Daimler, Renault, Peugeot, Mercedes...Em poucas décadas, as omnipotentes empresas do caminho-de-ferro soçobraram e em seu lugar surgiram as do automóvel, tecnologia menos eficiente mas muito mais eficaz a satisfazer as necessidades de mobilidade dos cidadãos e empresas. A capacidade de descobrir necessidades não satisfeitas, novos mercados e novas formas de fazer produtos e serviços, é a marca distintiva que separará empresas vencedoras das perdedoras. Quebrar a miopia de marketing fará a diferença em tempos de crise. Veja-se, por todos, o caso da cadeia de ‘lingerie' feminina, Victoria's Secret (na Europa, Intimissimi, conquanto esta seja um conceito um pouco diferente). Fazendo várias viagens regulares à Europa, o fundador do grupo de retalho de vestuário Limited tinha reparado que as senhoras europeias compravam ‘lingerie' em pequenas ‘boutiques', de aspecto cuidado e serviço personalizado. Compras essas que resultavam de um acto voluntário, deliberado. Frequente. Em contraste com o que se passava nos EUA onde a mesma compra era efectuada num grande armazém, em espaço mais impessoal, e mais numa lógica de roupa interior, infrequente e menos numa outra de sensualidade e sedução. Importar o conceito e adaptá-lo ao mercado norte-americano, primeiro (e nenhum europeu se lembrara disto?!!), capitalizando na tendência de se casar mais tarde, namorando mais; depois notando que as compras eram feitas pelas mães cada vez mais na companhia das filhas, o que resultou num alargamento da linha de produtos para as crianças e adolescentes femininas...Reinventando o posicionamento da ‘lingerie', alterando o conceito de algo para adultos. Depois, a criação das supermodelos Victoria's Secret, posando e desfilando com asas à laia de anjos...Fazendo sonhar...E finalmente, supremo talento empresarial, expandindo a marca a todo o mundo, em particular à Europa...! Crise? Não para todos...


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Paulo Gonçalves Marcos, Economista e gestor de empresas


Comentários

Carlos Gonçalves, Lisboa | 13/04/09 15:31
Absolutamente de acordo. O caso português é um exemplo de mercado onde há nichos onde vale a pena investir, mesmo em tempo de crise, apostando na diferenciação.


Inês Gil Forte, Lisboa | 13/04/09 17:51
A história repete-se e tal como Portugal volta a África, podemos estar de novo a preparar fase de inovação e crescimento...
Há que aproveitar...É preciso é querer!


Eunice Almeida, Mafra | 15/04/09 00:28
Felizmente tudo bem. E a sua? As corridas conseguem combater os excessos da Páscoa?

Ainda bem que enviou o link.

Gostei muito ler! Finalmente "alguém " fala da "dita" crise da forma que realmente deve ser "falada"!!!!
É sem dúvida uma oportunidade!
É isso, uma oportunidade para todos nós. De, podermos provar a nós mesmos que somos capazes da a superar usando as nossas melhores armas: Capacidade de Inventar, Improvisar e claro Comunicar!!!
O "povo" Português é perito em faze-lo e fa-lo habitualmente de uma forma fabulosa.
Podemos e estou certa que o iremos fazer. Como? Não sei bem. Sei que gosto imenso de poder participar e colaborar... Faço todos dias. Não vejo a crise, mas antes uma fase menos boa que estamos a passar...
Temos essencialmente não de copiar mas sim, "seguir" os bons exemplos mantendo sempre a orientação nos NOSSOS valores!

Bem haja!


Vera Mares, | 15/04/09 16:48
Olá professor!

Gostei muito do seu artigo. Os períodos de crise são uma oportunidade para olharmos para o nosso negócio e redesenharmos a oferta. Existem inúmeras alterações que são constantes de adiar e que, em situações como esta, é imperativo reestruturar/melhorar. É preciosa a visão, o pensar fora da caixa...



Ana Martins, | 15/04/09 22:06
Uma mensagem de esperança numa actualidade tão negra... Que os grandes gestores e políticos deste país tenham lido estas suas palavras. O que não nos mata torna-nos mais fortes!

quarta-feira, março 11, 2009

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Que milhares de novos empregos floresçam!

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http://www.economico.pt/noticias/que-milhares-de-novos-empregos-florescam_3288.html

O que falta a muitos dos promotores participantes nos vários concursos de Inovação é experiência de gestão.

O fomento do empreendedorismo deve ser uma prioridade pública, como forma de aumentar a competitividade nacional, reforçar a teia de micro e pequenas empresas com capacidade de crescimento e de afirmação no mercado nacional e internacional, e aumentar o emprego qualificado e inovador. O tempo para dar um novo enquadramento e apoio à iniciativa dos portugueses está maduro.

Os concursos de empreendedorismo, promovidos por entidades públicas e privadas (associações empresariais, universidades, Iapmei, bancos nacionais, entre outros) têm evidenciado projectos muito interessantes, promotores com ambição e vontade e boas perspectivas para a desenvolvimento ou expansão de novos negócios, com importantes impactos potenciais sobre o emprego e as exportações.

Mas não chega o que de bastante bom tem sido feito. Para que o seu efeito macro-económico se torne relevante é preciso dar-lhe uma nova escala, uma outra dimensão. É necessário constituir parcerias público privadas para a constituição e gestão de Fundos de Investimento especificamente dedicados à promoção e ao investimento em iniciativas que requeiram capital semente. Várias vezes maiores e mais orientados para a acção e o financiamento do capital semente que os poucos fundos privados ou públicos de capital de risco existentes. Estes fundos deverão propiciar capital e apoio de gestão (aqui eventualmente em parceria com associações de gestores e Ordem dos Economistas), sob a forma de gestores experientes, que complementem as capacidades tecnológicas ou a visão e ambição dos promotores. E o papel dos gestores experientes, nunca será demais menciona-lo, é fulcral. O que falta a muitos dos promotores participantes nos vários concursos de Inovação é experiência de gestão, numa acepção bastante ampla, para além de uma base de capital mais robusta. Muitos dos projectos apresentados denotam falhas graves na formulação conceptual do seu modelo de negócio (plano de negócios), o que dificulta sobremaneira o papel dos júris avaliadores. Ademais, se aprovados, a inexperiência de gestão dos promotores é-lhes muitas vezes fatal. Por isso, a nossa proposta é que à semelhança do que acontece em vários países europeus (e aqui os nórdicos também nos podem ilustrar uma parte do caminho a percorrer) e olhando ao sucesso das iniciativas portuguesas (conquanto em escala demasiado diminuta para terem impacto macro económico, reitere-se), mais dinheiro e mais gestores experientes estejam disponíveis para ajudar os empreendedores portugueses. Afinal num país em que os gestores com mais de 40 anos têm dificuldade de se tornar a inserir no mercado de trabalho, tamanha experiência está a fazer falta às pequenas empresas. A combinação de promotores inovadores, gestores experientes e capitais público-privados poderá criar vinte a trinta mil novos postos de trabalho, em empresas de elevado cariz de inovação, capazes de estabelecerem as bases de um novo modelo de especialização.

Numa altura em que são lançadas várias iniciativas no sentido do fomento de obras públicas de cariz infraestruturante, em Portugal mas também na América do sr. Obama, importante era que houvesse um reforço dos recursos públicos dedicados ao fomento do empreendedorismo. E recursos públicos (dinheiro para ‘seed capital', mas também garantias de crédito e apoios à exportação) que permitam colmatar uma falha de mercado. Falha de mercado esta que causa uma exiguidade relativa de fundos privados. Na conjuntura económica que atravessamos, onde receitas clássicas de actuação pelo lado da procura poderão ser insuficientes, era vital que o Estado tivesse um papel catalizador e dinamizador de uma verdadeira indústria de capital de semente. E por uma pequena fracção do custo de algumas obras públicas, por mais necessárias que estas sejam.

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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor de empresas e professor universitário


Comentários

JSL, Singapura | 11/02/09 00:52
Um proposta séria que merece ser desenvolida.


NapoLeão, | 11/02/09 17:51
Há que manter a esperança viva na próxima "fornada" de políticos. Vejamos: O PR nunca esteve à frente duma empresa tal como o PM e todos os ministros das 3 últimas décadas ! Portanto, universitários-teóricos e juristas/advogados só têm servido para fazer discursos e aprovar ou sabotar as leis do mimistro anterior. Estamos tramados !!!


Francisca Soares de Albergaria, | 12/02/09 09:31
Concordo com essa visão e com a sua necessidade urgente. No entanto, julgo que é prioritária a renovação de pessoas (políticos) de modo a que hajam novas perspectivas, visões e ideias (ainda pouco viciadas e acomodadas ao sistema) a ganhar terreno. Esperemos que Obama seja detentor dessa postura. Por cá... continuamos à espera.


João Bessa Gomes, | 12/02/09 10:50
Penso faltar um "toque" de realidade, a quem nos governa. Pior que isso, não vejo muitas caras novas na política, da direita à esquerda, e aquelas que surgem já são apradrinhadas por alguém que em troca quererá algo no futuro, catalizando um primeiro princípio de corrupção, voltando a um círculo vicioso. Penso que catalizar a economia através de obras públicas, infelizmente, será necessário para resolver um conjunto de problemas internos de curto prazo. No entanto, tal como escrevi num artigo o mês passado, e aplicando uma gestão de maximização do trabalho e potencialização de emprego, as obras públicas deveriam ser muito bem escolhidas. Aliás, penso que desenvolver uma estratégia de crise de médio prazo é algo que já deveria estar feito à muito tempo, pois acredito que esta crise já se adivinhava e que não apanhou tanta gente assim de surpresa, nomeadamente os gestores e economistas que analisassem dados correntes dos mercados externos. Já agora uma sugestão: em vez de um TGV (obra público/privada tanto quanto sei) de 7,5 mil milhões de euros porque não construir mil escolas Básicas e Secundárias com qualidade digna (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os idosos (a 1 milhão de euros cada um). Restariam ainda cerca de 3,5 mil milhões de euros para investir em infraestruturas de apoio, qualificação de pessoal, incentivos sérios à natalidade e promoção de emprego, e tal como o Professor diz e muito bem, a a dinamização "de uma verdadeira indústria de capital de semente". Grande artigo. Parabéns


Rita Correia, | 12/02/09 11:07
Penso que é uma visão bastante válida, no entanto, a inovação e o empreendedorismo nem sempre são bem vistos e aceites na nossa sociedade tão resistente à mudança. A mudança é bem vista quando surge de fora, mas quando é sugerida de dentro é vista como "uma oportunidade para fazer dinheiro" o que faz com que caíam ideias e soluções necessárias e úteis para nós. Fomentar os concursos pode ser o primeiro passo para aceitar e respeitar quem quer ser empreendedor em Portugal. Há portugueses que optam por ser empreendedores em outros países para posteriormente tentarem a "sorte" no nosso país, é mau, mas parece que estamos a acordar para este facto. Espero que sim :)

sábado, janeiro 03, 2009

O luxo bebe-s quente...transcrição artigo e comentários

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O luxo bebe-se quente!

Com mais de quinze mil lojas espalhadas pelo mundo, a Starbucks veio transformar o consumo de café.

Paulo Gonçalves Marcos

Nas últimas semanas a comunicação social tem-nos dado a conhecer da chegada da cadeia de cafetarias Starbucks a Portugal, relatando-nos algo sobre as origens da mesma e os planos de expansão da empresa para o mercado português. Contudo, gostaria de começar por desafiar os leitores a pensarem no significado estratégico que a Starbucks representa. Por fim, uma pequena reflexão sobre o que podemos aprender com esta empresa, com o fito de incrementar a produtividade nacional. Com mais de quinze mil lojas espalhadas pelo mundo, a Starbucks veio transformar o consumo de café, de uma mera banalidade para um luxo, cobrando dez vezes mais que os seus concorrentes locais. Vale então a pena ver como a empresa articulou três conceitos que lhe deram uma vantagem concorrencial ímpar: café excelente; instalações físicas e ambiente de consumo. Quanto ao café, inspirada na melhor tradição dos expressos italianos, procurou-a replicar e melhorar. Grãos de café comprados nas melhores regiões do planeta, funcionários (“baristas”, na melhor tradição italiana) apreciadores e conhecedores de café, utensílios e produtos para venda (moinhos, sacos em grão, canecas térmicas). Tudo a reforçar a percepção de um local onde se percebe e respira café, no melhor sentido ‘gourmet’. As instalações físicas são também singulares. Em contraponto às cafetarias tradicionais, barulhentas e fumarentas, mal iluminadas, as lojas Starbucks são o oposto: montras grandes, sofás acolhedores que convidam a sentar e a beber calmamente, algumas revistas sobre moda e estilo dispersas criteriosamente, iluminação forte. Um convite descarado a sentar à janela e ver e ser visto pelos transeuntes. Consumo conspícuo no seu melhor! Por fim, o ambiente da Loja. Uma música de fundo de tipo ‘chill out’, ausência de fumo, pessoas com bom aspecto, tudo a convidar a desfrutar de uma pausa relaxante. À azáfama diária, a Starbucks contrapõe a indulgência do tempo e do espaço. Em suma, beber um café expresso deixa de ser um acto de consumo de cinquenta cêntimos e trinta segundos e passa a ser uma experiência de 5 euros! Ou a forma de aumentar o valor de algo em dez vezes mais, num produto tendencialmente indiferenciado. Dito de outra forma, uma questão de produtividade que o marketing resolveu favoravelmente a favor da Starbucks e de seus accionistas. De facto, o problema da produtividade nacional não tem que ver apenas com a deficiente qualificação de trabalhadores, com baixos níveis de confiança social entre os portugueses, com a justiça errática e lenta, mas muito mais com a nossa incapacidade de aplicar o marketing em favor da produtividade e da inovação. Um pouco como duas regiões produtoras de vinho, com condições edafo-climáticas similares, trabalhadores e gestores experientes e qualificados. Bordéus e Ribatejo, por exemplo. Infelizmente os vinhos de Bordéus têm uma aceitação internacional (procura) e um valor de venda assaz superiores. Quem é mais produtivo? Igualmente esforçados (valor dos ‘inputs’), os produtores de Bordéus vendem maior quantidade e a maior preço que os do Ribatejo. Logo apropriam maior valor. Na equação da produtividade, Bordéus é muito mais produtiva…Afinal a mesma equação aplicada pela Starbucks nos sucessivos mercados aonde chega. Fatalidade lusa o de fiar consignado ao menor valor? Não deverá ser. Mesma a poderosa Starbucks, pioneira na percepção e na apropriação do marketing, enquanto criador de valor accionista, tem sofrido alguns reveses. No Reino Unido, por exemplo, o país aparentemente mais próximo culturalmente dos EUA, onde as marcas locais (Costa Caffe, Nero, …) adaptaram melhor o modelo norte-americano e conseguiram destronar a Starbucks do pódio. Ou melhor ainda, o que a multinacional portuguesa, Delta, está a fazer com o seu nóvel Delta Lounge, um conceito de loja susceptível de elevar o consumo de café, transformado em Portugal, numa experiência plena de significado para o consumidor. Delta Lounge ou Delta Qool, afinal duas demonstrações de que é possível inovar e capturar valor com o marketing!

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paulo.marcos@marketinginovador.com
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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor de empresas e professor universitário

Comentários

Antonio Moreira
Captou bem a essência deste fenómeno. É vê-los em Alfragide acotovelando-se para entrarem na loja...

Madalena Quaresma
As prioridades políticas estão no reforço das grandes infraestruturas rodoviárias e ferroviárias...mas o desenvolvimento consegue-se emulando os melhores e mais inovadores. O caso Starbucks é sintomático. Mas as palavras de esperança do colunista talvez sejam um nadinha optimistas.

João Ralha
Um exemplo interessante não limitado ao café, mas com alguns problemas nestes últimos anos com o encerramento de lojas. Porventura devido a cópias e concorrência acrescida. Ver mais dados em http://moneycentral.msn.com/companyreport?Symbol=SBUX . De qualquer modo, um bom exemplo de como acrescentar valor, através do Marketing

Rita Correia
Na minha opinião o Starbucks em Portugal ainda não é o que é nos outros locais do mundo, o café é realmente caro (nada de especial, para já), o local (em Alfragide pelo menos) é desconfortável e barulhento tendo em conta a quantidade de pessoas que querem lá entrar, os empregados não são "“baristas”, na melhor tradição italiana" são os mesmos que vemos na restauração portuguesa (estrangeiros na maioria). No momento é uma moda, no futuro, quando a febre passar, penso que pode vir a ser um local de luxo, onde se pode saborear o que há de melhor no café. Vamos lá ver se a Starbucks não é mais uma Virgin.

vg
Só num país que não sabe o que é café poderia começar tal luxo .Quente por quente ,por esse dinheiro bebo um chocolate quente no Florian da praça de S.Marcos

Mª João Branco
Uma "Virgin", "Printemps", "Hard Rock", para um apreciador de café o da Starbucks nem presta. O tempo o confirmará não há marketing que o salve. Um Feliz Ano 2009.

NapoLeão
O camarada comentador está "inchado" com o sucesso da StarBucks ! O preço e o gosto não encaixam no "gosto" dos Portugueses ! E quantas lojas Strarbucks encerram últimamente ? Tente saber ! É que não são só rosas...

Maria Teresa Loureiro
Compreendo que esteja a referir-se à Starbucks enquanto conceito e não apenas enquanto uma loja em Alfragide onde os portugueses, 'que não gostam nem do preço nem do gosto do café', se acotovelam. Sou apreciadora de café e confesso que não conheço a 'nossa' Starbucks, detesto multidões, por muito perfumadas que sejam, e desconheço a necessidade de ver e ser vista em locais da moda. Mas espero, sinceramente, que vingue por cá. Gostei da nota positiva numa altura em que tudo nos parece ser mau ou poder vir a tornar-se pior.

António Carvalho
Uma autêntica aula de marketing. É bom ter exemplos destes a entrarem no panorama nacional. No entanto, coloco uma questão: Porquê a escolha do centro comercial Alegro? Não "assentava" melhor numa rua ou zona turística,"histórica"...movimentada, como por exemplo o chiado? Cumprimentos, antónio