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quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Que milhares de novos empregos floresçam!

http://www.linkedin.com/in/paulomarcos

http://www.economico.pt/noticias/que-milhares-de-novos-empregos-florescam_3288.html

O que falta a muitos dos promotores participantes nos vários concursos de Inovação é experiência de gestão.

O fomento do empreendedorismo deve ser uma prioridade pública, como forma de aumentar a competitividade nacional, reforçar a teia de micro e pequenas empresas com capacidade de crescimento e de afirmação no mercado nacional e internacional, e aumentar o emprego qualificado e inovador. O tempo para dar um novo enquadramento e apoio à iniciativa dos portugueses está maduro.

Os concursos de empreendedorismo, promovidos por entidades públicas e privadas (associações empresariais, universidades, Iapmei, bancos nacionais, entre outros) têm evidenciado projectos muito interessantes, promotores com ambição e vontade e boas perspectivas para a desenvolvimento ou expansão de novos negócios, com importantes impactos potenciais sobre o emprego e as exportações.

Mas não chega o que de bastante bom tem sido feito. Para que o seu efeito macro-económico se torne relevante é preciso dar-lhe uma nova escala, uma outra dimensão. É necessário constituir parcerias público privadas para a constituição e gestão de Fundos de Investimento especificamente dedicados à promoção e ao investimento em iniciativas que requeiram capital semente. Várias vezes maiores e mais orientados para a acção e o financiamento do capital semente que os poucos fundos privados ou públicos de capital de risco existentes. Estes fundos deverão propiciar capital e apoio de gestão (aqui eventualmente em parceria com associações de gestores e Ordem dos Economistas), sob a forma de gestores experientes, que complementem as capacidades tecnológicas ou a visão e ambição dos promotores. E o papel dos gestores experientes, nunca será demais menciona-lo, é fulcral. O que falta a muitos dos promotores participantes nos vários concursos de Inovação é experiência de gestão, numa acepção bastante ampla, para além de uma base de capital mais robusta. Muitos dos projectos apresentados denotam falhas graves na formulação conceptual do seu modelo de negócio (plano de negócios), o que dificulta sobremaneira o papel dos júris avaliadores. Ademais, se aprovados, a inexperiência de gestão dos promotores é-lhes muitas vezes fatal. Por isso, a nossa proposta é que à semelhança do que acontece em vários países europeus (e aqui os nórdicos também nos podem ilustrar uma parte do caminho a percorrer) e olhando ao sucesso das iniciativas portuguesas (conquanto em escala demasiado diminuta para terem impacto macro económico, reitere-se), mais dinheiro e mais gestores experientes estejam disponíveis para ajudar os empreendedores portugueses. Afinal num país em que os gestores com mais de 40 anos têm dificuldade de se tornar a inserir no mercado de trabalho, tamanha experiência está a fazer falta às pequenas empresas. A combinação de promotores inovadores, gestores experientes e capitais público-privados poderá criar vinte a trinta mil novos postos de trabalho, em empresas de elevado cariz de inovação, capazes de estabelecerem as bases de um novo modelo de especialização.

Numa altura em que são lançadas várias iniciativas no sentido do fomento de obras públicas de cariz infraestruturante, em Portugal mas também na América do sr. Obama, importante era que houvesse um reforço dos recursos públicos dedicados ao fomento do empreendedorismo. E recursos públicos (dinheiro para ‘seed capital', mas também garantias de crédito e apoios à exportação) que permitam colmatar uma falha de mercado. Falha de mercado esta que causa uma exiguidade relativa de fundos privados. Na conjuntura económica que atravessamos, onde receitas clássicas de actuação pelo lado da procura poderão ser insuficientes, era vital que o Estado tivesse um papel catalizador e dinamizador de uma verdadeira indústria de capital de semente. E por uma pequena fracção do custo de algumas obras públicas, por mais necessárias que estas sejam.

www.antonuco.blogspot.com
paulo.marcos@marketinginovador.com

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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor de empresas e professor universitário


Comentários

JSL, Singapura | 11/02/09 00:52
Um proposta séria que merece ser desenvolida.


NapoLeão, | 11/02/09 17:51
Há que manter a esperança viva na próxima "fornada" de políticos. Vejamos: O PR nunca esteve à frente duma empresa tal como o PM e todos os ministros das 3 últimas décadas ! Portanto, universitários-teóricos e juristas/advogados só têm servido para fazer discursos e aprovar ou sabotar as leis do mimistro anterior. Estamos tramados !!!


Francisca Soares de Albergaria, | 12/02/09 09:31
Concordo com essa visão e com a sua necessidade urgente. No entanto, julgo que é prioritária a renovação de pessoas (políticos) de modo a que hajam novas perspectivas, visões e ideias (ainda pouco viciadas e acomodadas ao sistema) a ganhar terreno. Esperemos que Obama seja detentor dessa postura. Por cá... continuamos à espera.


João Bessa Gomes, | 12/02/09 10:50
Penso faltar um "toque" de realidade, a quem nos governa. Pior que isso, não vejo muitas caras novas na política, da direita à esquerda, e aquelas que surgem já são apradrinhadas por alguém que em troca quererá algo no futuro, catalizando um primeiro princípio de corrupção, voltando a um círculo vicioso. Penso que catalizar a economia através de obras públicas, infelizmente, será necessário para resolver um conjunto de problemas internos de curto prazo. No entanto, tal como escrevi num artigo o mês passado, e aplicando uma gestão de maximização do trabalho e potencialização de emprego, as obras públicas deveriam ser muito bem escolhidas. Aliás, penso que desenvolver uma estratégia de crise de médio prazo é algo que já deveria estar feito à muito tempo, pois acredito que esta crise já se adivinhava e que não apanhou tanta gente assim de surpresa, nomeadamente os gestores e economistas que analisassem dados correntes dos mercados externos. Já agora uma sugestão: em vez de um TGV (obra público/privada tanto quanto sei) de 7,5 mil milhões de euros porque não construir mil escolas Básicas e Secundárias com qualidade digna (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os idosos (a 1 milhão de euros cada um). Restariam ainda cerca de 3,5 mil milhões de euros para investir em infraestruturas de apoio, qualificação de pessoal, incentivos sérios à natalidade e promoção de emprego, e tal como o Professor diz e muito bem, a a dinamização "de uma verdadeira indústria de capital de semente". Grande artigo. Parabéns


Rita Correia, | 12/02/09 11:07
Penso que é uma visão bastante válida, no entanto, a inovação e o empreendedorismo nem sempre são bem vistos e aceites na nossa sociedade tão resistente à mudança. A mudança é bem vista quando surge de fora, mas quando é sugerida de dentro é vista como "uma oportunidade para fazer dinheiro" o que faz com que caíam ideias e soluções necessárias e úteis para nós. Fomentar os concursos pode ser o primeiro passo para aceitar e respeitar quem quer ser empreendedor em Portugal. Há portugueses que optam por ser empreendedores em outros países para posteriormente tentarem a "sorte" no nosso país, é mau, mas parece que estamos a acordar para este facto. Espero que sim :)

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