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sábado, fevereiro 26, 2005

Palestra do Dr. António Amorim no IEP

Assisti ontem pelas 18 horas a uma palestra do Dr. António Amorim, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Subordinada ao tema da Evolução do Sector Corticeiro Português.

Confesso que gostei vivamente. Alguns aspectos que contribuiram para o sucesso:

- atmosfera "cosy", em sala pequena mas acolhedora, com belos e confortáveis sofás em couro castanho escuro; jornais e revistas de Ciência Política adornavam as extremidades e as paredes da sala;
- a assistência era um misto de estudantes de Ciência Política e de professores de Gestão e Ciência Política com jornalistas e politólogos;
- o orador (presidente do Conselho de Administração da Corticeira Amorim) que expôs de forma simples (que não simplista) um conjunto de ideias importantes sobre o sector da cortiça.

Entre as principais ideias, destaco:

- Portugal produz 54% da matéria-prima mundial mas processa cerca de 70% dos produtos de cortiça;
- as rolhas para a indústria viti-vinícola representam cerca de 60% do volume de negócios do sector (mas apenas 54% da Corticeira Amorim (CA));
- a ameaça dos vedantes sintéticos continua activa e constitui o principal desafio do sector; um elevado investimento em Investigação e Desenvolvimento e Marketing (junto dos líderes de opinião: jornalistas, chefes de compras das grandes cadeias de distribuição inglesas, enólogos, etc) permitiu demonstrar as fragilidades das rolhas de plástico, por um lado, e melhorar a qualidade das rolhas de cortiça enquanto vedantes;
- adicionalmente a Corticeira Amorim (CA) lançou um modelo mais barato de rolha para combater pelo preço as rolhas de plástico no sector dos vinhos "básicos" (que valem metade do mercado mundial de vinhos);
- ao mesmo tempo que este esforço permitiu estabilizar a quota de mercado dos vendantes de plástico (cerca de 7% do mercado mundial) assistiu-se à emergência das roscas de alumínio...
- por enquanto confinadas a uma posição menor (menos de 2% do mercado mundial) revelam contudo uma taxa de crescimento muito acentuada;
- este esforço de IeD e Marketing vai originar uma brutal consolidação do sector exportador corticeiro de rolhas; das actuais 15 empresas, o orador prevê menos de metade nos próximos anos;
- a Corticeira Amorim tem cerca de 28% a 30% de quota de mercado mundial da transformação da cortiça; é cerca de 9 vezes maior que a segunda maior empresa mundial (também portuguesa);
- os revestimentos de cortiça representam cerca de 16% do negócio da CA;
- os revestimentos de cortiça representam apenas 0,6% do total do sector de revestimentos à escala mundial; a sua maior aceitação é nos países do Norte da Europa;
- em Portugal têm uma menor aceitação por um preconceito cultural: há 30 anos quando a cortiça era barata foi o material de eleição para os revestimentos das habitações sociais... mais a mais com a denominação de corticite...
- está em curso um investimento industrial da CA na China em associação com um parceiro local, para produzir rolhas usando um material vegetal similar à cortiça quanto às suas características (conquanto bastante diferente do ponto de vista molecular);
- actualmente a CA está presente em 92 países do mundo, com várias formas: delegações comerciais, escritórios, unidades industriais, agentes e distribuidores locais, etc;
- na China, até agora com 3 escritórios de natureza comercial, tendo como principais clientes os industriais de volantes de badmington (feitos com uma base de borracha e cortiça a que se adicionam 12 penas de ganso) e de canas de pesca (para os cabos das mesmas, se e quando feitos de cortiça particularmente eficazes para obviar à transpiração das mãos).

2 comentários:

Anónimo disse...

Uma lufada de experança. Um pouco contra a corrente da imprensa anglo-saxónica que prevê um futuro menos que promissor para a cortiça enquanto vedante...

Anónimo disse...

Acabei de ler no Diário de Notícias que as folhas de sobreiro e azinheiro são venenosas, se ingeridas em grande quantidade, para o gado.
Isto porque a falta de chuva tem levado os animais a não poderem diversificar as suas fontes de alimentação.