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quarta-feira, junho 04, 2008

A ficção científica de Al Gore

A ficção científica de Al Gore

Não é climatologista, mas deu-se ao trabalho de “dissecar”, a partir de numerosos documentos científicos e do contributo de cientistas do ambiente, muitas das afirmações contidas no famoso livro de Al Gore, contrariando-as. Marlo Lewis Jr é o autor de um livro polémico a ser lançado esta semana em Portugal e, em entrevista ao VER, sublinha a “propaganda dogmática” dos adeptos do apocalipse climático
POR HELENA OLIVEIRA

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Quando Al Gore ganhou o Nobel da Paz (em conjunto com o IPCC – Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) devido “aos seus esforços de edificar e disseminar um maior conhecimento sobre as alterações climáticas provocadas pelo homem e por terem estabelecido as bases necessárias para contrariar essa alteração”, multiplicaram-se as críticas dos que acusavam Gore de politizar a ciência e que as suas ‘verdades` poderiam ser muito convenientes, mas apenas para si próprio. Em Novembro de 2007, um juiz britânico, na sequência de uma queixa perpetrada por um educador que se recusava a passar o documentário “Uma Verdade Inconveniente” na escola onde leccionava, por considerar que este continha incorrecções, concluiu que realmente o filme continha nove afirmações que não gozavam de consenso entre a comunidade científica.

Contudo e de acordo com o livro de Marlo Lewis Jr, lançado em Portugal esta semana pela Booknomics, sob o título “A Ficção Científica de Al Gore: um guia céptico de Uma Verdade Inconveniente”, nove é um número que fica muito aquém das inexactidões encontradas no livro/filme de Gore. Marlo Lewis Jr não é climatologista, mas socorreu-se de muitos cientistas e estudos variados para provar que Gore é um demagogo e um alarmista no que respeita ao aquecimento global. Membro Sénior do Competitive Enterprise institute (CEI), escreve habitualmente sobre aquecimento global e política energética e o seu livro foi recebido com bastante polémica nos Estados Unidos, já que não só contraria Gore, como principalmente a tese dos que defendem o aquecimento global de origem antropogénica (ou seja, pela acção do homem).

Em entrevista ao Ver, Lewis explica por que motivo Al Gore é “um manipulador de consciências e um adepto do apocalipse climático”.

Escreve no seu livro que “os únicos factos e estudos que Gore considera são aqueles que são convenientes para a sua ‘agenda verde para assustar’”. Para além de todo o mediatismo e dinheiro que o ex-vice presidente dos Estados Unidos tem ganho com o livro, o filme, as conferências, já para não falar do próprio Nobel, o que quer dizer com esta “agenda verde para assustar”?
O livro “Uma verdade Inconveniente” (UVI) apresenta o aquecimento global como uma “emergência planetária” que ameaça “a sobrevivência da civilização” e a “habitabilidade da Terra”. E isto é uma conversa de fim do mundo. O objectivo de Gore é assustar as pessoas e convencê-las de que a melhor política é a de supressão dos combustíveis fósseis, algo que actualmente coloca maiores riscos à saúde e ao bem-estar público do que as próprias alterações climáticas.

Divide as “não-verdades”de Gore em várias categorias: parciais, enganadoras, exageradas, especulativas e erradas. De todas estas, quais considera serem mais perniciosas para o público em geral?
Essa é uma pergunta difícil de responder. Todo o filme [livro] está pejado de parcialidade e enganos. Mas poderia eleger uma significativa distorção na categoria da especulação: o aviso de Gore de que o nível do mar poderá aumentar 18 pés (cerca de 5.49 metros) e a inundação das populações costeiras do mundo. O que pressupõe a fragmentação das maiores camadas de gelo na Gronelândia e os acontecimentos na Antárctica ocidental que a maioria dos cientistas considera muito improvável que tenham lugar durante o século XXI. Na verdade, a subida do nível do mar ao longo deste século será provavelmente medida em polegadas [1 polegada = 25,4 mm] e não em pés.

Se existem tantas “não-verdades” (ou poderemos mesmo chamar-lhes mentiras?) no UVI de Gore, como foi possível ter conseguido que o “mundo se ajoelhasse a seus pés” e o tenha transformado no mais reconhecido ambientalista dos nossos tempos? E como se explica que, em conjunto com o IPCC, tenha ganho o Nobel, quando existem tantos cientistas que não concordam com este alegado alarmismo?
Em primeiro lugar, devemos ter em mente que os colaboradores do IPCC incluem cientistas como John Christy que rejeita a visão apocalíptica de Gore no que respeita ao aquecimento global. E o IPCC também não aprova o documentário de Gore na sua totalidade. Na verdade, o IPCC prevê um aumento do nível do mar, para o século XXI, entre 7 a 23 polegadas [17,78 cm a 58,42 cm] – consulte a página 8 do Resumo para os Decisores Políticos do IPCC – o que significa, em média, um aumento de 14 polegadas [35,5 cm], valor este que pode estar igualmente sobreavaliado. E, em qualquer dos casos, os níveis do mar aumentaram tanto como as estimativas do IPCC desde os anos de 1860. Alguém reparou? Alguém se preocupou? Posso dizer-lhe algo que cresceu muito mais rapidamente – os valores das propriedades imobiliárias situadas nas zonas costeiras! O aumento do nível do mar não é a grande e assustadora ameaça que Gore quer fazer parecer. O Comité Nobel deu um e o mesmo prémio ao painel científico que estima um aumento do nível do mar em cerca de 14 polegadas e a um Al Gore que alerta para um possível aumento de 18 pés. Ou seja, podemos afirmar que, tal como Gore, o Comité Nobel opta por uma visão política relativamente ao aquecimento global.

Contudo e por outro lado, a evidência do aquecimento global é avassaladora e inegável para a esmagadora maioria dos cientistas. O que tem a dizer sobre este facto?
A evidência do aquecimento global é inegável. Não há qualquer tipo de discussão quanto a isso. O mundo está muito mais quente do em 1975 e o século XX, no geral, foi mais quente do que o século XIX. E também não existem dúvidas de que a emissão de gases com efeito de estufa constitui um dos factores para o recente aquecimento global (embora alguns cientistas defendam que a variabilidade natural possa ser responsável até metade do aquecimento observado durante o século XX e que os registos da temperatura da superfície terrestre podem estar “contaminados” pelos efeitos do aquecimento em locais próximos das estações de monitorização. Mas o truque retórico de Gore é declarar que estes limitados pontos de concordância constituem prova de que o mundo está em perigo iminente e que os benefícios das soluções por ele propostas ultrapassam os custos. E é neste ponto que eu e muitos outros discordamos.

Mas devemos reconhecer que, para o bem e para o mal, Al Gore colocou o aquecimento global não só na agenda política global como também na mente dos cidadãos. Para aqueles que viram o filme ou leram o livro, o que é que deve ser retido como positivo ou verdadeiro?
Bem, na verdade eu não consigo encontrar nada de positivo. Gore parece incapaz de apresentar a mais básica ciência sem intenções manipuladoras. Consideremos a forma como ele introduz o efeito de estufa. Em vez de declarar simplesmente que gases com efeito de estufa como o dióxido de carbono são transparentes aos raios solares mas absorvem os raios infravermelhos da Terra, diz que a atmosfera é uma “concha fina” e que nós a estamos a “espessar” ao “enchê-la” com “poluição”. Esta não é uma versão escolar elementar do efeito de estufa, mas sim uma táctica suja e difamatória. Consideremos que em cada milhão de moléculas da atmosfera, apenas 380 são de dióxido de carbono. Nós estamos a adicionar a esse milhão umas cinco moléculas ou algo semelhante por década. Isso está a alterar o efeito de estufa, sim, mas não está a “encher” ou a “espessar” nada. E, longe de ser “poluição”, o CO2 é um bloco construtor básico de toda a cadeia alimentar planetária. Literalmente, milhares de estudos científicos demonstram que as árvores, as colheitas e muitas outras plantas que crescem em atmosferas ricas em CO2, prosperam mais rapidamente, crescem mais fortes, produzem mais frutos, utilizam a água de forma mais eficiente e tornam-se mais resistentes à verdadeira poluição do ar. Assim, ao mesmo tempo que Gore apresenta esta visão falsa e pejorativa do CO2 como o grande responsável do “espessamento” da poluição atmosférica, mostra uma fábrica a jorrar fumo negro das suas chaminés, mesmo que o CO2 seja tão invisível como o oxigénio. Portanto, quer seja através de palavras ou imagens, Gore influencia negativamente a audiência com a sua “explicação” do efeito de estufa baseado na fórmula CO2=poluição.

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