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sexta-feira, maio 08, 2009

Thatcher morreu?


http://www.linkedin.com/in/paulomarcos


‘Lady’ Margaret Hilda Thatcher, baronesa do Reino Unido, mais conhecida enquanto governante de punhos de renda e vontade indómita, morreu enquanto personagem histórica com uma influência fulcral no sistema de Governo, e nas opções económicas e filosóficas subjacentes, de todo o mundo entre 1980 e 2008.

‘Lady' Margaret Thatcher e Ronald Reagan, influenciados por Hayek e Friedman, estabeleceram um novo modelo de funcionamento económico. Onde as três décadas anteriores tinham visto o primado da Economia Keynesiana, Thatcher e Reagan ousaram romper com o status quo. A um tempo em que Mitterrand, em França, nacionaliza grandes empresas, Thatcher privatiza, ataca os sindicatos e introduz mais princípios de mercado em serviços e provisões de bens públicos. Não tardaria que Mitterrand, o campeão do socialismo democrático, lhe seguisse os passos... E durante quase três décadas o legado de ‘lady' Thatcher pareceu vingar um pouco por todo o mundo: uma Economia de mercado liberalizada que resultou em baixas inflação e taxas de juro, com os produtos internos brutos das nações a crescer, a globalização em afirmação e a espalhar benefícios por todo o mundo em desenvolvimento (foram as décadas mais impressionantes de sempre no combate à pobreza mundial, com centenas de milhões a emergirem das fileiras das subclasses e a alcandorarem-se às classes médias). E qual cereja em cima do bolo, os mercados accionistas tornaram alguns milhões de cidadãos de classe média em cidadãos mais afortunados, fruto de uma subida geral dos valores mobiliários nas bolsas mundiais, durante as duas décadas de predomínio filosófico e político do legado de ‘lady' Thatcher. Sarkosy, quando é eleito para Presidente da República francesa proclama que tem como modelo de governação a senhora Thatcher e que a França precisa de um choque de vigor e de liberdade económica tal como aquela fizera no Reino Unido. Esta declaração marca, a nosso ver, o culminar da influência do legado Thatcher. Este, nos anos mais recentes, tinha evoluído de forma assinalável nos mercados financeiros: da desregulamentação inicial, passou-se para novos paradigmas como o ‘shareholder value', a independência dos bancos centrais e dos reguladores dos mercados de capitais (o que em si era benéfico, retirando aos políticos a capacidade de influência quotidiana). Em breve, os "polícias" dos mercados monetários e de capitais adoptaram uma Política de Regulação de tipo ‘light touch' (onde a ganância, a amoralidade e a falta de decência, encontraram terreno fértil para os excessos dos ‘subprimes' e afins...). E no desenrolar da crise económica são estes mesmos pilares, do legado Thatcher, que estão sob o foco e o ataque de políticos, opiniões públicas, comunicação social, organizações não governamentais e sindicatos. Mais regulamentação (vejam-se as novas directivas comunitárias e a sua transposição para o ordenamento jurídico português), mais ênfase na comunidade e na responsabilidade social das empresas (a que os dirigentes das empresas não se têm furtado; por todos, vejam-se as posturas exemplares de Soares dos Santos, Ricardo Salgado, Zeinal Bava e Paulo Azevedo), mais intervenção do Estado na Economia (nacionalizações, tributação extra de rendimentos e prémios, e o mais que está para vir). Num mundo que parece estar em desmoronamento, Sarkosy, sintomaticamente, posa recentemente junto a um exemplar do livro de Marx, "O Capital" (caso para dizer que a convicção liberal de Sarkosy não seria muita....). Louçã, Sousa Santos, Jerónimo, Mário Soares, entre tantos, proclamam que o modelo de Economia Liberal (o legado de Thatcher) está morto. Seria caso para concordar, não fora o facto de não existir nenhuma alternativa política credível e provada...Nenhuma saída mágica da crise, nenhuma ideologia redentora para além de muito trabalho, estudo, engenho e ética.

www.twitter.com/paulomarcos
www.antonuco.blogspot.com

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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor, professor universitário


Comentários

Alexandra Quaresma, | 06/05/09 08:39
O seu artigo de tão verdadeiro é doloroso. Não temos alternativa senão trabalhar com seriedade e com inventividade. Que saudades para o tempo de nossos pais em que existiam utopias...


qwerty, | 06/05/09 10:40
Tão bom era o modelo que funcionou em "pleno" (e bastante malzinho, excepto para a elite que dele beneficiava) durante menos de 3 décadas. Não sei, então, porque diz "não existir nenhuma alternativa política credível e provada"... O próprio modelo não era credível e provado, logo era tão bom como qualquer outro...


bah, | 06/05/09 10:45
Bah! Adoro quando estes jornalista enbarcam pela ladainha como "...foram as décadas mais impressionantes de sempre no combate à pobreza mundial..."
É por repetirem MENTIRAS vezes sem conta que esperam que nós aceitemos que são VERDADE. Não!


Maria Almeida, | 06/05/09 11:19
Coisa ruim não morre mesmo!
Não falo de economia porque sou leiga na matéria. Falo de direitos humanos, falo de hipocrisia. Fez ontem, 5 Maio 1981, 28 anos que essa "lady" de mão-de-ferro, uma autoritária do imperialismo britânico, deixou morrer o primeiro grevista de fome na Irlanda do Norte, Bobby Sands.
http://en.wikipedia.org/wiki/1981_Irish_hunger_strike


JC, Matosinhos | 06/05/09 12:21
Quem estiver refém de dogmatismos, tem dificuldade em aceitar a evidência dos números. Os números não mentem, estão aí para provar os factos.


Ana Sirage Coimbra, Maia-Porto | 06/05/09 12:33
A situação actual só vem demonstrar que o futuro passa pela adopção de modelos mitigados, que de uma forma coerente, promovam uma regulação baseada na responsabilização dos actores sociais, na transparência dos mercados e no compromisso de que o desenvolvimento de um país implica, necessariamente, pensamento estratégico focalizado na resolução dos reais problemas (estruturais ou conjunturais), que nada têm que ver com ideologia.


R. do Ó, | 06/05/09 12:45
A quem preconiza o fim do mercado e se delicia com as recentes intervenções publicas nos mais diversos sectores, apontando que estamos perante o advir da economia centralizada em contraposição à economia de mercado, é importante lembrar que o modelo do estado planeador, que tudo sabe, que tudo faz, falhou há muito tempo (1989 se quiserem uma data).

Aos defensores do mercado custará certamente ter que assumir a necessidade das recentes intervenções do estado (nem todas bem feitas). Deve custar bastante não porque acreditam que o mercado não conseguisse resolver a actual situação, mas porque sabem que a resolução do “mercado” seria feita de uma forma bem mais dolorosa (principalmente para os clientes) ainda que certamente mais rápida.

É evidente que o paradigma falhou! Mas isso não quer dizer que o certo estará num sobredimensionado peso do estado na economia, já todos vimos ao que isso nos leva. Adulterando uma frase de Churchill, a propósito da Democracia, permitam-me que vos diga: a economia de mercado é o pior sistema económico, com excepção de todos os demais.


pato bravo, | 06/05/09 12:52
Será que o modelo de Thatcher foi de facto um modelo de mercado livre?? ou foi um mercado muito intervecionado pelos bancos centrais e governos camuflado de mercado ultraliberal???
O papel do estado é o de garantir a segurança de pessoas e bens, que se faça justiça de forma independente e igual para todos, pelo menos na minha opinião penso que deveria ser esse o seu principal papel!
Já subsidiar isto ou aquilo e injectar dinheiro aqui e acolá, não faz o menor sentido visto que não se conhece melhor forma de alocar recursos do que o funcionamento normal do próprio mercado! O papel do estado no mercado deveria ser o de tentar evitar monopolios, oligopolios e burlas/corrupção nos licenciamentos aos privados e negócios públicos!
Assim sim, o estado estaria a fazer um bom papel!!!

De seguida apresento uma sequencia de videos em que Peter Schiff explica claramente vários "erros/vicios de pensamento" que levaram às várias crises economicas...
Muito interessante e recomendável:
http://www.youtube.com/watch?v=izynlWz4rmU
http://www.youtube.com/watch?v=Rdc8bJiN2Qo
http://www.youtube.com/watch?v=ZzSWttpXT1k
http://www.youtube.com/watch?v=GfMtNCxxgrU
http://www.youtube.com/watch?v=2bLe9Sy4q8g
http://www.youtube.com/watch?v=E-a_CAIYSKQ
http://www.youtube.com/watch?v=DyYFqOAqEzw
http://www.youtube.com/watch?v=pFI6jgpU_O8
alternativamente ouça o mesmo em:
http://mises.org/multimedia/mp3/ASC2009/ASC09_Schiff.mp3

Veja como o raciocinio de Peter Schiff lhe permitiu prever já em 2006 o que se veio a revelar verdadeiro nos dias de hoje!
Será apenas coincidência??? decida por si:
http://www.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw

Acerca dos malefícios dos subsídios proponho a leitura atenta dos seguintes sites:
http://www.heritage.org/research/agriculture/bg2043.cfm
http://www.reason.com/news/show/36207.html
http://northerngleaner.blogspot.com/2007/12/end-of-farm-subsidies-new-zealand.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Agricultural_subsidy

Veja como os governos/politicos podem "atrapalhar" ou mesmo sufocar o mercado e as liberdades individuais quando exageram nas suas funções... Veja os seguintes videos (e pense por si próprio):

http://thefreeturkey.com/2008/10/18/the-politically-incorrect-guide-to-politics-john-stossel/
http://financialtruth0.blogspot.com/search/label/Xtra stuff
http://financialtruth0.blogspot.com
http://www.youtube.com/user/PhilDeCarolis
http://www.youtube.com/watch?v=vweLBpE4mso
(em alternativa a este ultimo site no caso de o video já não se encontrar disponível basta procurar no google por "Peter Schiff Analogies")

Veja como o sistema financeiro não é viavel a longo prazo:

http://www.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw
(veja o seguite com atenção, aconselho a fazer pausa para ler certas legendas mais rapidas)
http://www.youtube.com/view_play_list?p=50E3C62D8AC7B1ED
http://video.google.com/videoplay?docid=5232639329002339531
http://www.clubedevienna.com/crash.html
http://financialtruth0.blogspot.com/search/label/Documentaries

Para quem considera importante encontrar soluções para a crise recomendo os seguintes livros (recomendo a todos os economistas portugueses, que nas nossas universidades não estudam esta abordagem à economia, enfim...):

http://www.clubedevienna.com/crash.html
http://jim.com/econ/
http://www.youtube.com/watch?v=1x-D8-1ilwI
http://mises.org/Books/HumanActionScholars.pdf
http://mises.org/books/desoto.pdf


rrabitt, | 06/05/09 13:03
..... SÓ NÃO GOSTA DO TEXTO E O CRITICA NEGATIVAMENTE QUEM APRECIA MUITO O SOCIAL FACILITISMO DE QUE TUDO ENTRA PELA JANELA SEM O MINIMO ESFORÇO, E ONDE A INVEJA DAQUELES QUE TÊM A CUSTA DE MUITO TRABALHO IMPERA. BELO ARTIGO!


F. H., | 06/05/09 13:23
A prova que o legado de Thatcher/Reagan não morreu é que não existe um modelo alternativo, que ponha em causa os princípios fundamentais do liberalismo, Para além de que as intervenções dos Governos e Bancos Centrais, como a nacionalização ou injecção de liquidez, não são como dizem, o regresso do socialismo ou keynesianismo. São do mais autêntico monetarismo. Foi Milton Friedman, prémio Nobel considerado supremo neo-liberal, quem recomendou estas políticas para tratar crises deste tipo.


nfernandes, | 06/05/09 13:33
Excelente exposição, e uma grande verdade. Não há de facto alternativa ao modelo actual. Claro que alguns excessos podem ser evitados, mas daí a entrar em histerias a-lá-Sarkozi vai uma grande distância.
Podemos inclusive vir a pagar bem caro por intromissões do Estado na economia...(do tipo Fidel Castro).


bem vistas as coisas..., | 06/05/09 13:41
e com tanta retórica teórica de "professores" universitários de economia, é de considerar continuar a tentar os instrumentos daquela época tatcheriana...com mais insistencia e flexões talvez tenhamos mais uns desastres financeiros, pois os que houve ainda não deram para confirmar a derrota do neoliberalismo económico! Continuem a laboratoriar...


pedro santos, seixal | 06/05/09 16:51
A implementação de práticas económicas neoliberais poderá só ser uma solução se forem aplicadas com regras. Quando não existe regras nem nenhuma entidade que verifique a aplicação das mesmas os resultados estão à vista o ser humano é por natureza possessivo e neste sistema torna-se obsessivo, o quer sempre e sempre mais nem que signifique a obliteração das regras de mercado, ou mesmo o engano e criar novas regras de mercado
as suas. O mercado para funcionar como deveria, (não sendo saudosista) era necessário que os participantes no mesmo tivessem regras de conduta e fossem respeitados pelo cumprimento das mesmas, é assim que alguns nomes da nossa praça granjearão respeito
pedro santos


jrdesiludido, | 06/05/09 23:52
O sistema de mercado que continua em vigor em todo o mundo não morreu. Está é muito doente porque a ganância de alguns, levou-o à falência técnica. Todos sabemos que o ser humano é mesmo assim: Quanto mais se tem, mais se deseja ainda ter. Isto transforma-se num ciclo vicioso, e, quando não existem determinadas regras, todos põem "a pata na poça". Continua a fazer falta gente séria e honesta, especialmente entre os líderes que governam o mundo...


Lara Carvalho, Corroios | 08/05/09 00:59
Acho que entrámos numa crise bastante profunda e que nos tapa os olhos e nos faz cegos. O mundo está em crise e nós de tão pequeninos que somos não sei como vamos recuperar... Temo pelo meu futuro que está nas mãos dos governantes que nada sabem fazer para o recuperar! Talvez se todos estivessem em alerta podessemos contribuir para que o barco não se afunde mais. Lara Carvalho

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