segunda-feira, março 31, 2008

Voltar aos Açores: artigo Dr. Vitor Neto

Voltar aos Açores

Há dez anos os índices de desenvolvimento turístico dos Açores eram modestos em comparação com outras regiões do país.

Vítor Neto

Açores. Diferentes de tudo. Uma paisagem única, que nos surpreende a cada passo, um mar misterioso e profundo, mas que atrai, gente tranquila e amável. Fica-se sempre com vontade de voltar.

Para quem, como o viajante, tem acompanhado o desenvolvimento dos Açores, não foi surpresa o que encontrou nesta visita para participar nas Jornadas Técnicas de Turismo organizadas pela CCIPD (Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada). Há dez anos os índices de desenvolvimento turístico eram modestos em comparação com outras regiões do país. Os dados mais recentes confirmam os progressos realizados. Não se trata de fruto do acaso, sobretudo tendo em conta os condicionalismos de uma região insular. Há razões que importa sublinhar.

É indesmentível que, entre 1996 e 2006, mais do que duplicou a oferta hoteleira e o número de camas (hoje 8500), que as dormidas dos turistas triplicaram, atingindo os 1,2 milhões e as receitas na hotelaria triplicaram, chegando aos 55 milhões de euros. A quota das dormidas na região em relação ao todo nacional passou de 1,5% para 3,1%. A estadia média aumentou 35%, atingindo os 3,5 dias. Melhoraram as taxas de ocupação.

São claras as alterações estruturais no turismo dos Açores: os turistas portugueses aumentaram e continuam em primeiro lugar, mas o seu peso relativo em relação aos estrangeiros diminuiu, passando de 73% para 45%. Alargou-se o leque dos mercados estrangeiros, com Dinamarca e Suécia em posição destacada, seguidas de Alemanha, Finlândia, Noruega, Reino Unido, E.U.A., Holanda e Espanha. Fizeram-se progressos no transporte aéreo (Sata, Tap, charter´s) e há negociações com companhias ‘low cost’. O número de trabalhadores na hotelaria e restauração (8000) já representa 20% da população activa.

Estes dados reflectem o aumento do peso do turismo na economia dos Açores, que se deve, em primeiro lugar, a uma clara assunção política por parte dos responsáveis regionais da sua importância estratégica para o desenvolvimento da região. Em segundo lugar, à consciência dos condicionalismos que dificultam a actividade turística: a localização geográfica periférica em relação aos mercados emissores; a limitação e dispersão territorial (2300 km2 em nove ilhas); a escassez e características dos seus recursos turísticos; o fraco desenvolvimento económico e empresarial; as limitações do transporte aéreo; o pouco interesse dos grandes operadores. Em terceiro lugar, à convicção de que os Açores também possuem alguns trunfos fortes no turismo: a sua Natureza, única, que determina a beleza e o exotismo da paisagem. Uma Natureza com recursos extraordinários, susceptíveis de dar vida a uma oferta turística original, que vai da fauna marítima ao vulcanismo, da praia ao golfe e aos passeios pedestres, da cultura e património à gastronomia, com capacidade para atrair visitantes.

O que é facto é que os Açores conseguiram traduzir tudo isto numa visão estratégica adequada, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável, a única que pode permitir preservar e potenciar os recursos extremamente frágeis em produtos e em oferta turística capaz de sensibilizar públicos especiais dos grandes mercados emissores da Europa e EUA., servidos por um alojamento que se moderniza e propostas de lazer complementares como o golfe, a animação, os eventos.

É interessante verificar que os responsáveis regionais procuram traduzir e suportar a sua estratégia de turismo sustentável com instrumentos políticos eficazes. É o caso da recente aprovação de um Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA), que consagra objectivos de crescimento moderado, numa perspectiva de sustentabilidade, define o modelo territorial no sistema urbano e rural e define as áreas e espaços específicos de desenvolvimento e vocação turística. Por outro lado, em colaboração entre o Governo Regional, a universidade e a Associação de Turismo dos Açores, foi criado um Observatório do Turismo, para acompanhar, estudar e monitorizar o desenvolvimento da actividade.

Os Açores procuram alternativas às soluções fáceis. É uma estrada difícil, mas necessária. Um caso a acompanhar.
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Vítor Neto, Empresário, presidente do Nera e vice-presidente da AIP

Market Risk – FSA Moves to Enhance Supervision in Wake of Northern Rock

Location: New York
Author: RiskCenter Staff
Date: Thursday, March 27, 2008

The Financial Services Authority (FSA) yesterday published a summary of a review carried out by its internal audit division into its supervision of Northern Rock. The review identifies a number of areas for improvement in the execution of supervision, which will be advanced urgently by the FSA's management, via a dedicated supervisory enhancement programme. This programme also includes a number of improvements already in train.

The Board of the FSA, having considered the internal audit report and the programme of work set out by the management in response, confirmed its support for the FSA's fundamental philosophy of outcomes-focused, more principles-based regulation. It reiterated that the boards and managements of regulated firms carry the primary responsibility for ensuring their institutions' financial soundness. The Board also noted that, even if supervision had been carried out at a level acceptable to the FSA, it was by no means the case that that would have changed the outcome.

The Internal Audit review identifies the following four key failings specifically in the case of Northern Rock:

1. A lack of sufficient supervisory engagement with the firm, in particular the failure of the supervisory team to follow up rigorously with the management of the firm on the business model vulnerability arising from changing market conditions.

2. A lack of adequate oversight and review by FSA line management of the quality, intensity and rigour of the firm's supervision.

3. Inadequate specific resource directly supervising the firm.

4. A lack of intensity by the FSA in ensuring that all available risk information was properly utilised to inform its supervisory actions.

The review concluded that, overall, the supervision of Northern Rock was at the extreme end of the spectrum within the firms reviewed in respect of these failings and that its supervision did not reflect the general practice of supervision of high-impact firms at the FSA.

The main features of the FSA's supervisory enhancement programme are:

  • A new group of supervisory specialists will regularly review the supervision of all high-impact firms to ensure procedures are being rigorously adhered to.
  • The numbers of supervisory staff engaged with high-impact firms will be increased, with a mandated minimum level of staffing for each firm.
  • The existing specialist prudential risk department of the FSA will be expanded following its upgrading to divisional status, as will the resource of the relevant sector teams.
  • The current supervisory training and competency framework for FSA staff will be upgraded.
  • The degree of FSA senior management involvement in direct supervision and contact with high-impact firms will be increased.
  • There will be more focus on liquidity, particularly in the supervision of high-impact retail firms.
  • There will be raised emphasis on assessing the competence of firms' senior management.

Hector Sants, Chief Executive of the FSA, said:

"This programme is the response of the management of the FSA to the weaknesses identified in the particular case of the supervision of Northern Rock. It is clear from the thorough review carried out by the Internal Audit team that our supervision of Northern Rock in the period leading up to the market instability of late last summer was not carried out to a standard that is acceptable, although whether that would have affected the outcome in this case is impossible to judge. However, I am determined through the programme of work that I am announcing today, that proper standards will apply to all significant firms supervised by the FSA.

"This represents our specific supervisory contribution to the package of measures introduced by the Tripartite Authorities to prevent a similar situation to Northern Rock undermining financial stability. That does not mean a "no failure" regime. However, together with the proposed reform of the insolvency regime for banks - and an improved deposit protection scheme - it creates a platform to strengthen financial stability and better protect the interests of consumers.

"Demonstrating our willingness to examine ourselves critically and learn lessons is central to giving the financial services industry and consumers confidence in the FSA, although, like any organisation, we cannot and do not claim infallibility, and we cannot, and should not, attempt to remove all risk from the system."

The internal audit review, commissioned late last year by Hector Sants, makes seven high level recommendations for firms' supervision in the future.

A summary of the review, the recommendations made by Internal Audit and the response of the executive of the FSA can be found on the FSA website.

Rosemary Hilary, Director of Internal Audit of the FSA, said:

"The review supports the general risk-based approach and high-level framework for its application which is currently in place at the FSA. The issue is principally the manner in which it has been applied.

"Our recommendations are designed to ensure that the framework is properly applied, with good record-keeping, good information flows, the appropriate levels of challenge and the right amount of engagement and supervision of front-line staff by management. Whilst the recommendations are designed to apply to the supervision of all high impact firms, many are more generally applicable."

The principal high level recommendations in the report are:

  • FSA senior management to have increased engagement with high impact firms;
  • FSA to increase the rigour of its day to day supervision;
  • FSA to increase its focus on prudential supervision, including liquidity and stress testing;
  • FSA to improve its use of information and intelligence in its supervision;
  • FSA to improve the quality and resourcing of its financial and sectoral analysis;
  • FSA to strengthen supervisory resources;
  • FSA senior management to increase the level of oversight of firms' supervision.

A full version of the report, with redactions to protect commercial and individual confidentiality, will be made available not later than the end of April.

quinta-feira, março 13, 2008

Bem pagos, piores resultados

Artigo meu no Diário Económico de ontem


Bem pagos, piores resultados

Avaliar os professores, à semelhança do que acontece com qualquer outro trabalhador do sector privado, é um acto de elementar justiça.

Paulo Gonçalves Marcos

Uma grande manifestação no pretérito Sábado em Lisboa. Professores, e não só, do secundário e de alguns outros graus de ensino. De um país “sui generis”, que lhes paga mais em termos relativos que os seus congéneres dos outros países da União Europeia. Mas que os resultados que o fruto do seu trabalho demonstra, aquilo que aprenderam os alunos e as capacidades de raciocínio e trabalho que estes desenvolveram, nos coloca na cauda da tabela. Portanto, os trabalhadores mais bem pagos para os piores resultados. Situação insustentável, que em qualquer outra entidade, sujeita a concorrência, a teria levado à bancarrota. Vital introduzir racionalidade e gestão em todo o sistema estatal de ensino. Avaliar os professores, à semelhança do que acontece com qualquer outro trabalhador do sector privado, um acto de elementar justiça. Não chega, contudo. Um estudo acabado de sair nos Estados Unidos, publicado pela “Education Next”, uma revista dedicada a políticas de educação, apresenta resultados que nos fazem pensar. O estudo observa que o aumento do número de anos de escolaridade da população aumenta o ritmo de crescimento económico, mas somente se as capacidades cognitivas dos estudantes, medidas pelas competências a matemática e a ciências, tiverem sido aumentadas. Ou seja, o mero aumento dos números de anos de escolaridade não é suficiente. É necessário que se traduzam numa melhoria efectiva das competências e do raciocínio associados à matemática e às ciências. Mais ainda, o estudo da Education Next elabora e prevê que se os alunos do secundário norte americano tivessem competências (vide estudos PISA), nessas duas áreas, ao nível dos alunos dos países com melhores resultados, a Coreia do Sul, Finlândia e Hong Kong, o produto nacional bruto dos Estados Unidos seria quase um ponto percentual superior! Se pensarmos que em cenário de abrandamento económico, como se tem verificado em Portugal, o aumento de um ponto percentual do produto pode demorar cerca de um ano a atingir…Ora Portugal, nos mesmos estudos comparativos internacionais, surge na cauda da OCDE (enquanto os EUA estão quase a meio da tabela). Razão para podermos pensar que o impacto deverá ser mais profundo ainda na nossa Economia…Dito de outra forma, a incapacidade de produzirmos alunos do secundário com competências de nível mundial em matemática e ciências, obriga-nos a todos a trabalhar muito mais, pelo menos um ano mais nas nossas vidas…Por isso devemos defender que os resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais e nas comparações internacionais contem, de forma bastante acentuada, para as avaliações dos professores (e não apenas com uma ponderação ridícula de 6.5%). O nosso bem-estar depende disso!

Não queria acabar esta coluna de hoje sem fazer uma analogia entre Winston Churchill e os CEO´s das empresas. Lembram-se como a tenacidade e a liderança de Churchill salvaram o Reino Unido na Guerra? E de que o povo britânico o apeou nas eleições primeiras que se fizeram em paz? Isto ilustra também o facto de que certos dirigentes empresariais, mesmo tendo desempenhado um excelente papel na liderança de um processo de “turnaround” de uma empresa, salvando-a de um processo de asfixia lenta mas inexorável, não devem ser inamovíveis. Como sucedeu no Benfica, em que após uma sucessão de presidentes erráticos, a dupla Vilarinho+Vieira conseguiu devolver a estabilidade e o alívio relativo da pressão financeira. Mas os que os associados do Benfica agora terão que decidir é se Vieira, salvador, tem o perfil e as competências para devolver a glória ao clube. Gerir para crescer é muito mais difícil que gerir em tempo de crise. Mais difícil, porque menos mobilizador e apelando a um conjunto de competências de gestão que demoram anos a desenvolver e treinar. A saída de Camacho deveria marcar o fim de um ciclo. O problema não é dos treinadores…

Comentários
vg
Li os documentos de avaliaçaõ e acho que quem deve refilar são os avaliadores.O ME quiz passar de 8 para 80.Vale, ser apenas um vez ,cada dois anos...
Maria Jesus Chapelle
Mas este governo, de forma incrível, em vez de introduzir exames nacionais na 4ª classe e no 12º, como complemento aos do 9º, veio, pelo contrário, aligeirar os exames do 9º ano...e torná-los dificilmente comparáveis de ano para ano...Incrível!
Joao Mendonca Goncalves
Já no início dos anos 80 um estudo encomendado pelo governo britâncio indicou que o caminho de longo prazo para a competitividade da economia dependeria do Reino unido ser capaz de se manter na vanguarda nas áreas de matemática e engenharia. A avaliação dos professores é um imperativo. A questão essencial neste momento não é sobre se deve existir ou não, é como criar um sistema bom para este efeito. Do ponto de vista teórico será, provavelmente, das profissões onde estabelecer uma avaliação 360 é mais complicado. Os professores devem pedir garantias do governo de que os melhores profissionais estão envolvidos neste projecto e que toda a atenção e a mais alta prioridade é dada ao mesmo. Parece-me óbvio que há melhores e piores numa amostra como a de Sábado, de 100.000 pessoas. Claro que há!
CS
Bom artigo, sem dúvida. Convém é também lembrar que grande parte da performance escolar dos alunos é condicionada pelos pais, pelo desenvolvimento cultural do paí e pelo sistema escolar em que se inserem. Os professores têm sem dúvida culpas no cartório, mas a falta de apoio ou exigência em casa em conjunto com a baixa qualidade dos programas lectivos e respectivos manuais serão factores quanto a mim mais limitadores do que a própria performance dos professores. De qualquer forma, penso que estão a ser levadas a cabo medidas para resolver estas várias situações, com excepção dos critérios de avaliação, onde me parece que o governo prefere facilitar para artificialmente subir as notas.
Paulo Curto de Sousa (curtodesousa@gmail.com)
É difícil compreender porque razão os professores não querem que a principal componente da avaliação dos seus resultados sejam as performances dos seus alunos. Afinal para que é que lá estão? Decerto que seria redutor pensar que apenas para ensinar. Mas estão lá principalmente para isso, entre outras coisas. É no mínimo estranho... e a importância deste factor aumenta analisando os resultados do estudo referido. O actual modelo foi claramente importante e determinante para a massificação do ensino e o rápido aumento dos níveis de escolaridade. Mas agora é preciso mais. Mais e diferente. A nossa ambição terá de ser muito maior do que a de formar indivíduos como o fazíamos há 20 anos atrás. Teremos de o fazer de forma diferente... e necessariamente a avaliação do nosso trabalho também deverá ser. A referência ao Sr. Winston Churchill não podia ser mais adequada. Já quanto ao Benfica...
Sara Rodrigues
Se os professores fossem avaliados tal como nas empresas privadas não existiriam chumbos nem mal aproveitamento das capacidades dos alunos. Tendo saído do secundário à pouco mais do que 9 anos, e tendo uma irmão saído à 4 anos, deparo-me com a realidade existente: OS JOVENS NÃO POSSUEM QUALQUER CARACTERÍSTICA DE DENVOLVIMENTO RACIONAL!A matemática, o português e a físico-química são disciplinas cruciais e os alunos vêm-nas como monstros aos quais não conseguem domar. Verdade também seja dita, não conseguem porque também não querem! Vivemos na era das "Tormentas"! O cabo bujador para os alunos é algo impossível! Onde está o bom espírito português de lutador e aventureiro? Porque não formam professores que saibam como captar a atenção e o espírito criativo e racional dos alunos? Se essas disciplinas já estão enraizadas como sendo uma "missão impossível", porque não transformá-las na mente do aluno como "missão mais do que possível": acreditar e aprender seria o lema! Ao invés de professores catedráticos, que julgam os alunos com alguma dificuldade como incompetentes, porque não termos professores com espírito mais divertido e que saibam realmente ensinar, porque esse sim, é o grande motivo para a falta de interesse dos alunos! A avaliação é será sempre algo necessário para a progressão e empenho de qualquer pessoa no mundo de hoje!
Cristina Sá Carvalho
Caríssimo amigo: apreciei ter notícias, apesar de breves; gostei do artigo e respondo directamente, só duas pequenas observações: não é certo que os professores portugueses ganhem mais do que os seus congéneres europeus, com ou sem comparação do custo de vida e outros indíces de administação pública, privado, ... Ainda é menos certo quanto ao seu esforço comparativo: na maior parte dos países da Europa e USA e Canadá, as escolas só funcionam parte do dia e os professores trabalham as restantes horas naquilo que conduz à aprendizagem dos alunos: estudar, planificar, preparar aulas. (ver o caso da Alemanha, por exemplo, porque comparar com os países nórdicos é muito deprimente). Não são baby sitters, por exemplo. Também não convém à inteligência dos infantes que vivam na escola, mas num país de ignorantes, facilmente se convence os pais do contrário. Como psicóloga sei que apenas uma pequena percentagem das crianças de hoje, das 8.00 às 19.00 nas escolas, será pouco mais do que um débil mental na vida adulta. O que é que a Sr.ª Ministra conseguiu? Encerrou os professores nas escolas de manhã à noite - sem gabinetes nem espaço, nem apoio administrativo; mandou-os dar as aulas dos colegas que faltam, mostrando aos alunos que qualquer coisa serve para os entreter; encheu-os de trabalho burocrático - é preciso visitar uma escola para perceber - e impediu-os de faltar para ter formação. Ou seja, contrariando todos os estudos internacionais, obsecada em controlar a urbe docente, retirou-lhes o tempo necessário para fazer o que devem: ensinar. Enfim, tudo é mais claro quando se afz a tal visita de estudo. Em Abril e Maio farei várias, ofereço boleia se tiver a curiosidade de ver. Nenhuma organização tem a (des)estrutura de uma escola nem o seu tipo de necessidades. Que pena os ministros não terem aprendido isso, embora haja tão bosn livros que o expliquem. Um abraço, Cristina
Paulo Xardoné
A avaliação é indispensável, mas deve ser feita pelos clientes (pais), a quem deve ser dada a opção de escolher a escola para os filhos. Planificações centralizadas e burocráticas são um resquício da URSS que é preciso eliminar
Eduardo Silva
De quê que os professores têm medo? De que se lhes descubra a incompetência para o ensino? A verdade é que desde há largos anos que se nota que os jovens que aparecem no mercado de trabalho vêm cada vez menos preparados: não dominam o Português, falta de cultura geral e têm dificuldade em assumir responsabilidades. Quem é que os deve motivar para a aprendizagem? Os professores não terão aqui um papel fundamental? Queremos jovens felizes, capazes de enfrentar os desafios da vida e que não desanimam ao primeiro obstáculo. O que seria natural, é que após a manifestação de sábado passado em Lisboa e que juntou milhares de professores contra o sistema de avaliação de professores, surgisse uma manifestação de milhões de alunos a solicitar “avaliem os nossos professores, é o nosso futuro que está em causa”.
guilherme Martins
O número de professores que se manifestou neste sábado foi mais um sinal da agonia do sistema educativo do que um protesto político e de política. É tempo de dar resposta às necessidades e aspirações da(s) sociedade(s) em que vivemos do que reacções corporativas exacerbadas, mesmo se compreensíveis. Não podemos continuar a finaciar algo que se revela pouco apto a nos instruir e educar. Actualment temos um rácio alunos professor invejável, níveis de vencimento acima da média, o output do sistema esse é insignificante. Era tempo de escutar o discurso e aviso do Toffler. Os nossos sistemas educativos (todos os ocidentais modelo USA) são caros, não respondem`aos requesitos da sociedade e são incapazes de se auto reformar. A rptura virá, como sempre, dos jovens que não têm o tempo e os recursos para esbanjar.. dos professores, só espero o corporativismo e pouco mais
Bruno Valverde Cota
Em relação ao assunto abordado sobre a educação estou genericamente de acordo. Em relação ao Benfica tenho outro ponto de vista...Abraço,
António Cruz (antonio.cruz@icimad.pt)
Li o artigo com atenção e não posso deixar de concordar com a grande maioria do texto, isto porque não sou seguidor de futebol e por isso a parte do Benfica nada me diz. De facto, sem uma atenção especial com a educação, é impossível fazer evoluir um país com deficit profundo de competencias a todos os níveis... Os jovens de hoje são os adultos de amanhã e, sem uma correcta preparação, quer a nível técnico, quer a nível cívico e social, o país não evoluirá e os problemas estruturais vão-se fazer continuar a sentir... A seguir os próximos "episódios".
Antonio Alves
O que o Paulo Marques diz é a pura verdade, não sei se com conhecimento próprio.Eu com conhecimento próprio,posso afirmar que frequentei todo o liceu numa escola que não era Portuguesa mas tem estabelecimentos em Portugal.Há cerca de 40 anos já nós podiamos escolher outro professor caso não estivessemos satisfeitos com o método do anterior.Curiosamente eu fui um dos muitos alunos desse tempo que escolhi outro professor de matemática e em boa hora o fiz.Na faculdade não tive a menor dificuldade nas cadeiras (e eram muitas)que tinham por base a matemática. Nesse liceu já os professores eram avaliados e até tinham quadro de honra para os que obtinham melhores resultados.Nesta avaliação que a Srª.Ministra quer iniciar com dezenas de anos de atraso só podemos aplaudir mesmo com a contestação carnavalesca serôdia dos maus professores.Repito dos maus professores por muito que lhes custe.Os bons professores e eu tive-os, adoravam ser avaliados pelos resultados que obtinham.Era para eles um enorme orgulho verem os seus alunos entre os primeiros em qualquer área a que concorressem.Actualmente em qualquer comparação que meta,competência adquirida no ensino, ficamos desgraçadamente nos últimos lugares.Não é só a "Education Next" que o afirma,qualquer estudo sério refere que a capacidade de qualquer país que não queira formar incompetentes,tem que apostar na base cognitiva das áreas matemáticas.Não é com o laxismo de muitos professores e dos seus maus exemplos que vamos lá!
MCruz
Sem dúvida que um profissional não sujeito a avaliação não se empenha ao nível das suas potenciais capacidades. O que vai fazendo vai bastando para o que lhe é exigido... A avaliação é indispensável para se poder melhorar resultados. Também concordo que, no caso dos professores, os resultados estão directamente relacionados com o sucesso escolar dos alunos. Bem sei que não são o único factor em questão, mas talvez seja um bom começo!
lo
No futebol o problema não é, de facto dos treinadores assim como no ensino não é (apenas) dos professores. Os piores resultados de que se fala no artigo são, em grande parte, fruto de uma desastrosa política educativa, quer ao nível dos conteúdos, quer ao nível da ausência de factores motivacionais para professores e alunos. Avaliar os professores? Claro, todos estamos de acordo e penso que os professores mais do que ninguém. Mas reduzir o problema da educação ao mau desempenho dos professores, parece-me uma conclusão, no mínimo, precipitada e injusta. Nem me parece que a avaliação dos professores, por si só, seja a fórmula mágica para resolver os problemas da educação em Portugal
NapoLeão
Os 26 ministros de educação nomeados depois de 74 foram "avaliados" ? Quem mudava os programas todos os anos ? Quem contratou os bons e os maus prof's ? Se tudo isto andou "enrolado" durante mais de 30 anos porquê agora querer resolver a avalição em 6 meses ? E o camarada secretário de Estado Valter Lemos...emigrou ?
Fernando Careca
pois é como te digo, Paulo, não percebo nada desta politica e como tal não me vou pronunciar, mas deixo claro que confio em ti e no que dizes. Se achas que se deve fazer as avaliações em proveito duma melhor qualidade de ensino, que futuramente darã uma melhor qualidade de pessoas mais bem formadas e daí um proveito maior para a sociedade, então que se façam os exames pois claro...
jd (joaoduarte@youngnetwork.net)
muito bom artigo. 1. Sobre avaliação a professores e outros colaboradores públicos: o principio da avaliação é fundamental. Parece que vivemos em dois mundos tangentes um ao outro. O privado onde quem não produz bons resultados não singra e o público em que a vida é determinística, com progressões por antiguidade e outras loucuras afins. 2. Churchill e os CEO's: felizmente os CEO's não são eleitos por voto. A vida nas empresas não é um concurso de popularidade.
Fenix
Fui, há pouco tempo, visitar a minha professora da escola primária. É uma senhora viúva, dos seus oitenta anos, lúcida, vivendo num lar por não ter família próxima. Visito-a regularmente, e é sempre com emoção que beijo as mãos que me afagaram os cabelos quando cheguei á escola e ainda hoje afagam os poucos que me restam. E sempre me lembro do meu primeiro dia de aulas. Fui apresentado pelo meu Pai à Professora e aos trinta pares de olhos que me olhavam curiosos. O meu Pai, com a sua sabedoria simples, estabeleceu com simplicidade e eficiência as regras do jogo: " Sra Professora, se ele se portar mal, chegue-lhe"! Eu percebi imediatamente a mensagem, e poucas vezes foi preciso "chegar-me". A boa senhora trabalhou quatro anos para desbastar a minha crassa ignorância, amaciar o meu rude feitio, dar-me as bases sólidas com que deveria seguir na vida. Ela me ensinou o amor pelo trabalho, a persistência no esforço, o valor da disciplina, da solidariedade, o apreço pela verdade, o gosta pela leitura e outras virtudes que infelizmente nem sempre pratiquei pela vida fora. Fazia parte da nossa comunidade, levava uma vida simples, ganhava mal, nunca faltou a uma aula, tomava o insucesso de algum aluno como insucesso pessoal, nunca regateou esforços, e se alguma vez teve que ser severa, isso era mais do que justificado pela nossa persistente rebeldia. Outros tempos ...! Por tudo isso é que ainda hoje me ajoelho em frente ao sofá em que me recebe sentada, lhe beijo as mãos cheias de rugas e sinto a sua carícia nos meus cabelos como há 50 anos! Obrigado, Professora!Tanto deu de si, e tão pouco pediu para si!!!
maria
Sou enfermeira aposentada, e frequento a Universidade Sénior, licenciei-me no horário pós-laboral, em muitos exames nem sequer tive dias para o fazer, havia sempre falta de pessoal. Qual não é o meu espanto que vejo os professores a não trabalharem para fazerem mestrados e doutoramentos, onde é que se viu? Isto parece a Répública das bananas! Tenho imensas colegas que têm mestrados e doutoramentos e fizeram-no a trabalhar com sacrifício a fazer turnos! Na minha Universidade Sénior a maioria são professores aposentados, fico estupefacta com o baixo nível de cultura geral, comportam-se como os miúdos das escolas acham graça a "parvoíces" além de alguns deles fazeram mau ambiemte, parecendo que ainda estão nas escolas onde trabalhavam. Já desisti de algumas disciplinas por causa do mau ambiente de alguns ex-professores/alunos que fazem mau ambiente.

terça-feira, março 11, 2008

Publicidade na RTP? Depende...para que serve esta?

Veja-se a nossa opinião e de outros, sobre este tema.
No blogue Do Fundo da Comunicação, já uma referência na blogosfera portuguesa, com mais de 3.000 visitantes diários.

quinta-feira, março 06, 2008

Banking Code Change Focuses on Customers in Financial Difficulty

Location: New York
Author: Michael Atack
Date: Thursday, March 6, 2008

Following an independent review of the British Banking Code conducted last year, the code sponsors announced a series of changes to be introduced to the personal and business codes. The three principal sponsors comprise the British Banker's Association (BBA), the Building Societies Association (BSA), and APACS - U.K.'s payments association. The banking code represents a voluntary code that sets the standards of good banking practice for banks and building societies to follow whendealing with personal customers in the U.K.

The majority of the accepted recommendations will be incorporated within the code from this month (March 2008). Exceptions to this will be those provisions that require a longer implementation period owing to planned legislative changes or systems development. Among the key changes being adopted by the banking code are the following: (1) more help for customers who may be heading towards financial difficulties; (2) strengthened credit assessment practices to enhance responsible lending; (3) greater transparency for communications to customers about products and services; (4) prohibition of account closure solely because a customer has made a valid complaint; (5) information on the forthcoming unclaimed assets (dormant accounts) schemes; (6) greater certainty in cheque clearance; and (7) greater transparency of information for credit cards and credit card cheques.

Against the backdrop of overall concerns on U.K. indebtedness and latent impacts of the credit crunch, it will be particularly interesting to see how the industry responds to the first of these new measures. At the heart of this change is the requirement placed upon lenders to proactively identify customers that are getting into financial trouble and provide them with further information on how to address their situation.

For many lenders the key challenge will exist in their ability to identify those customers in difficulty before they appear as part of a delinquent work queue. Traditionally, proactive customer contact has been used to support marketing strategies and campaign management activity. The proactive identification and contacting of customers exhibiting signs of financial strain requires lenders to utilize their customer data very differently and challenges traditional debt management strategy.

Whilst the code now obligates banks to take actions to prevent customers from getting into trouble, the required approach is one that ideally benefits the bank and customer and consequently, requires sensitive customer management. This is somewhat in contrast with Egg's, the Internet bank, decision earlier last month to cancel the credit cards of over 160,000 customers following a one-off review of its card portfolio by its owner Citigroup. To combat the adverse press that ensued, Egg justified its decision by explaining that certain customers presented an unacceptable risk profile to the bank.

Although lenders have been more prudent in setting credit limits over recent years, this was the first time a U.K. bank has undertaken such a large 'culling' of customers. Perhaps of more interest is that certain industry commentators suggest that other lenders could follow suit if the current credit environment worsens. Although its action was defended by the chief executive of the BBA, it does question whether such an approach presents a viable strategy for others, especially those that target multi-product relationships.

Even though the recent code change has prompted an increased focus on financial difficulty, certain lenders acknowledged the need to adopt a more proactive approach in the aftermath of the bad debt losses suffered in 2005 and 2006. Borrowing principles and capabilities traditionally found in marketing, several U.K. lenders established pre-delinquency management (PDM) capabilities. PDM represents a significant departure from the traditional collections practice as it targets customers far earlier in the debt management lifecycle (i.e., before default) and is often branded and positioned as a customer service function. Core to PDM is the expanded use of customer data (i.e., transactional, behavioral scorecard, external data) to support the early identification of customers showing an increased likelihood of financial stress. Following rules-based identification, this segment is targeted for proactive contact to allow for a discussion of their financial affairs and, if a problem is detected, to offer a targeted assistance through a range of possible product, account, and/or educational actions.

Alongside key benefits such as reduced impairment charges, customer satisfaction, positive branding, and reduced marketing spend (i.e., increased alignment of marketing and risk initiatives), PDM also provides lenders with the opportunity to deliver tangibly on wider and increasingly important objectives such as treating customers fairly (TCF), corporate social responsibility, and responsible lending.

Given the heightened concerns around indebtedness and margin pressures, new capabilities are required that reflect more accurately the current economic environment. Lenders will need to refine their current strategies by: reviewing the debt management lifecycle (i.e., point of interaction); focusing more on customer management (not debt management); expanding their use of internal and external data; and promoting closer integration between marketing and risk functions. It is such capabilities that will enable lenders to respond and adapt more effectively to the changing economic and regulatory landscape.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Publicidade na RTP?

A propósito de um desafio lançado pelo blogue Do Fundo da Comunicação, aqui vai o meu singelo contributo para este tema:

O argumento a favor de publicidade ou não esquece uma premissa importante, a que importa responder.

Para que serve a RTP? Vamos supor, que as suas metas poderão ser, por ordem decrescente de importância, algo deste género:

- 1) assegurar a coesão nacional, divulgando e promovendo a língua, os hábitos, costumes, cultura e modos de vida portugueses (o que implica um reforço da programação nacional);

- 2) servir de promotor da imagem de Portugal nos países e mercados de língua portuguesa (incluindo as comunidades de emigrantes);

- 3) auxiliar na promoção da imagem de Portugal juntos dos principais mercados emissores de turistas e parceiros comerciais de Portugal.

Para atingir estes desideratos, a publicidade também pode representar uma certa imagem de Portugal e de suas empresas, influentes para atingir as metas 2 e 3.

Por outro lado, para atingir a meta 1), a mais importante, a publicidade tem também um papel, conquanto secundário, mas importante. De facto, se limitada temporalmente (4 a 5 minutos por hora) a capacidade de atrair publicidade é também uma medida da popularidade dos conteúdos e dos programas emitidos. Acreditamos que o mercado, provavelmente não exclusivamente, também é um bom aferidor da qualidade de programação (um conselho de sábios ou algo equivalente, também por ser um bom input).

Ou seja, a publicidade em dose moderada serve para:

- ajudar a aferir a qualidade da programação;

- co financiar a RTP;

- promover empresas e marcas portuguesas em mercados estrangeiros.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Profissionais bem sucedidos e o marketing multi nível

Nestes últimos três meses recebemos pedidos de aconselhamento de jovens (e não tão jovens) profissionais que queriam saber a minha opinião sobre a sua adesão à rede multinível denominada AGEL.

Relembre-se que no Verão de 2007 o suplemento de Economia do jornal Expresso dedicou-lhe um artigo, não demasiado abonatório.

Mas julgo que importa lançar alguma luz sobre o que está em causa:

- o Marketing multinível é algo de muito antigo;
- apesar de todas as organizações que o praticam mencionarem que desta vez são diferentes, que os outros não são tão sérios, ou que o produto que se propõe comercializar é único, distintivo, etc, etc.
- rainbow (aspiradores), amway, herbalife, são as mais conhecidas em Portugal.
- todas estas empresas assentam naquilo que se chama o círculo quente, ou seja, os familiares e amigos do "vendedor", eufemisticamente denominado "associado", "membro" ou algo equivalente. Familiares e amigos aos quais os "associados" da organização vão vender algum produto;
- tipicamente trata-se de um produto que requer algum esforço de persuasão pessoal e que as pessoas não se lembrariam de comprar de outra forma;
- mais complexo, ainda, requer que o "associado" use a sua rede quente para promover o produto ou serviço. E use, acima de tudo, a sua reputação.

- claro que vender ao círculo quente de alguém é mais fácil (ao tio, padrinho, madrinha, irmãos, cunhada, etc) do que vender aos estranhos; e isso releva que nas organizações de marketing multinível apenas sobrevivem as pessoas que conseguem vender produtos que não são de primeira necessidade a estranhos;
- algo difícil, muito difícil,...provavelmente menos de uma pessoa em cada mil consegue manter-se na operação multinível passados 6 meses...esgotada que foi o círculo de pessoas que lhe compraram o produto, mesmo não precisando dele, por amizade.

Portanto, se alguém não tiver mais nada que fazer a sua reputação e contactos próximos do que vender um produto de terceiros, mais a mais relativamente inútil e caro...avance...mas o seu tempo e reputação é que estarão em jogo...da próxima vez, se e quando tiver algo seu que gostaria de vender - e não um produto de terceiros - que pode ser um novo projecto empresarial - como acha que vai estar a sua reputação?

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A Oriente...o sol nascente! Terra de oportunidades?


A Oriente… o sol nascente! Terra de oportunidades?

Conquanto menos na moda que a China, o Japão está culturalmente mais preparado para o ‘made in Portugal’.

Paulo Gonçalves Marcos

Há vários anos que os mais prestigiados economistas portugueses apontam o caminho das exportações como a chave para o desenvolvimento económico de Portugal. Como forma de ganhar a escala que falta internamente. E com a exigência acrescida que a presença em mercados externos obriga, impulsionando as empresas a serem mais produtivas, adoptando as ferramentas de produção e de gestão mais eficientes. Na esteira do que têm vindo a fazer os Tigres do Sudoeste Asiático, nações que passaram as últimas três décadas a apostar na conquista de quota nos mercados internacionais. E cujos resultados foram assaz superiores aos dos países com uma abordagem mais focada na substituição de importações. Mas não basta o esforço, importante, de ser mais eficiente, ou seja, produzir e vender nos mercados internacionais com os menores custos possíveis. Importa também escolher os mercados e os países onde os produtos portugueses sejam susceptíveis de serem comercializados com maior eficácia. Onde a imagem de Portugal seja uma mais-valia, susceptível de adicionar valor aos nossos produtos e serviços. Onde as associações à marca Portugal permitam às empresas e profissionais portugueses desfrutarem de uma imagem de origem susceptível de permitir um posicionamento “Premium”. Agora, imagine o leitor, um mercado com mais de cem milhões de habitantes, quatro quintos dos quais concentrados numa faixa geográfica com pouco mais do dobro da área de Portugal. Com excelentes acessibilidades, uma só língua, um sistema legal e jurídico estabilizado e assente no primado da lei. Onde os direitos de propriedade são respeitados. Com um produto ‘per capita’ que é o segundo do mundo e cuja economia é a terceira em dimensão. Com uma espantosa coesão social, cultural e linguística, ímpar em países do primeiro mundo. Uma sociedade onde os cidadãos são consumidores exigentes, amantes do luxo, das marcas e do que é europeu, clássico e de bom gosto. Onde as principais marcas de luxo, como vestuário, bebidas, acessórios, jóias, entre outras, não raro encontram no país o seu mais importante mercado. Trata-se de um país asiático, continente onde Portugal é desconhecido ou de reputação menos que aspiracional. Para além de Timor e Macau, potencialmente interessantes mas minúsculos mercados, a percepção de Portugal, na Ásia, quando existe, surge invariavelmente associada a uma velha e decadente potência colonial, teimosa, obsoleta e desagradavelmente belicosa. Cuja crueldade e militarismo só encontraram equivalência nas hordas mongóis de GengisCã ou turco-mongóis de Tamerlão. Uma notável excepção emerge, contudo, no distante, mas em acelerado crescimento, continente asiático. O tal mercado que começamos por fazer alusão no início desta coluna. O Japão. De nós, o país do Sol Nascente retém o bolo nacional (derivado do pão-de-ló português), um conjunto significativo de vocábulos, a percepção de que fomos os primeiros ocidentais a chegar a tão distintas paragens. Mais importante, que foi a tecnologia portuguesa das armas de fogo, rapidamente copiada por aquelas paragens, que permitiu a consolidação do poder central e o fim do feudalismo, marcando uma alteração substancial na sociedade e história japonesas. Os portugueses, audazes, corajosos, ambiciosos e dotados de uma tecnologia superior. É isto que as crianças japonesas aprendem na escola, ainda nos dias de hoje. Ou seja, conquanto menos na moda que a China, o Japão está culturalmente mais preparado para o “made in Portugal”. E valoriza-nos deveras mais que o “Império do Meio”. Para quem comprar português, de excelente qualidade, é um acto de cultura e de sofisticação. E com uma população afluente, capaz de pagar um “Premium Price” nos nossos produtos e serviços. Numa época em que nações e empresas percebem que têm que segmentar e seleccionar mercados, o Japão terá que ser prioritário…Não acha também o leitor?

www.antonuco.blogspot.com
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Paulo Gonçalves Marcos, Economista, gestor de empresas e professor universitário

Comentários
AB (antonio_burnay@yahoo.co.jp)
Excelente artigo! Os japoneses gostam de passar despercebidos e trabalhar (bem!) pela calada. Em Portugal conseguem-no facilmente: não há notícias sobre o Japão, os empresários nem pensam no Japão e o próprio ICEP não considera o Japão um mercado prioritário (recentemente até subalternizou a delegação de Tóquio, colocando-a sob a de Singapura). Dada a dimensão da Economia japonesa e o volume de negócios entre a UE e o Japão, pode dizer-se que não há exportações de Portugal para o Japão! Como Portugal é uma Economia de pouca importância, e o ICEP subalternizou a delegação de Tóquio, não admira que a JETRO tenha encerrado a delegação de Lisboa. O extraordinário nisto é que o Japão é a 2ª potência mundial (o texto considera a UE como um todo e, por isso relega o Japão para 3º lugar, mas a UE como um todo ainda não existe...). Agora está na moda a China, e também aqui. O Japão é o maior investidor na China. Todavia, o objectivo é produzir barato, muito mais do que conquistar um mercado ainda pequeno, com uma dimensão prática equiparável ao espanhol ou, até, ao brasileiro. O PIB chinês (hoje metade do japonês) deverá atingir o japonês entre 2020 e 2022, mas o PIB per capita nunca será equiparável antes de 2070 ou 2080 (e partindo do princípio que a China mantém infinitamente o actual crescimento e que o Japão não cresce mais do que 1,5% ao ano – é isto crível?).
AB (cont.) (antonio_burnay@yahoo.co.jp)
Mas, mais do que isso, no Japão há vantagens que não se encontram na China, e em mais lado nenhum! Por exemplo: - não há dívidas a fornedores (ponto de honra tal que não cumprir leva ao suicídio). Não é isto de enorme valor? - é um mercado com regras claras, honesto, previsível e de com grandes ganhos. - é fiel às marcas estrangeiras de confiança. Não é isto utilíssimo nos tempos de crise? - pela qualidade, sofisticação e exigência, vender no Japão traz prestígio internacional. - os Japoneses “adoram” os portugueses e sentem-se ligados a nós pela história e cultura. A imagem de Portugal é positiva. Acontece isto noutro país desenvolvido? E há a dimensão. São 127 milhões (e não 100 como é dito no texto) de habitantes com elevadíssimo poder de compra e o mais uniformemente distribuído em todo o mundo. Nalguns sectores, a potência é enorme. Por exemplo, na área alimentar referida no texto, o mercado japonês tem a dimensão do espanhol, francês e alemão somados. Aos empresários, parafraseando o presidente Kennedy, antes de perguntarem o que Portugal pode fazer por vós, perguntem-se o que podem fazer por Portugal. Em vez do lamento permanente, das críticas ao desnorte governativo do país e à obcessão com mercados pequenos, instáveis e que trazem pouca margem, porque é que os empresários não apostam (também) no Japão?
Paulo Marcos (paulo.marcos@marketinginovador.com)
Meu caro leitor António A minha menção é aos mais de 100 milhões de japoneses e nunca a um número exacto. Aliás, para ser preciso, são 126.7 milhões de acordo com as estatísticas demográficas nipónicas. Mas julgo que o importante era dar uma dimensão aproximada para a percepção dos leitores.
Duarte Costa (costa_duarte@hotmail.com)
Caro Professor, gostei muito de ler o seu artigo em relação a mercados orientais, e eu gostava so de fazer um pequeno comentário.Do Japão eu conheço pouco, mas desse pouco, este seria certamente um pais onde eu investiria certamente pois apresenta um nivel de crescimento muito superior a Europa e Estados Unidos, apesar de eu ter já vivido nos E.Unidos 2 anos, o japão seria o pais indicado. Sei pouco sobre ele mas a sua cultura cativa-me e eu penso que com um pouco mais de informação e divulgação sobre o seu mercado, os investidores portugueses apostariam forte neste país. Teriamos mais produtos no oriente "made in Portugal" se não houvesse tanto a moda "China".
vg
Não duvido que com este entusiamo ,o autor já deve ter participado em muitas exportações para o Japão.Como por exemplo...?
Aeof
A questão cultural sem dúvida que é uma situação determinante e os países que nos conhecem historicamente têm uma imagem de nós, o que nos permite alguma vantagem. Ao contrário do que crê o articulista, a visão de um Portugal belicoso e arrogante está mais enraizada em países como o Brasil que propriamente na China ou no Japão. No entanto, estou de acordo com o articulista quando diz que temos mais futuro no Japão. Se queremos incrementar o valor da nossa economia, com 10M de habitantes, em que podemos ser selectivos no que fazemos (ex: Luxemburgo ou Suiça), passa por economias com grande poder de compra. O Japão!
João Tiago Calqueiro (joaotiago_calqueiro@hotmail.com)
Caro Professor, antes de mais felicita-lo pelo modo simples e estruturado como apresenta as razões que podem pôr os managers e os gestores a pensar. A verdade é que o tecido empresarial português é na sua grande maioria constituida por PME's.Assim é uma pequena parte das empresas que pode entrar no mercado japonês, o que por outro lado poderá fortalecer a imagem "premium" dos produtos portugueses, como por exemplo tem vindo a fazer a Renvova. Quando uma empresa analisa o mercado e faz a sua análise (análise SWOT, por exemplo),tem em contas as características sociais. Perante tal acessibilidade à marca Portugal(que recentemente tanto tem sido promovida, com recurso aos maiores expoentes mediáticos do nosso país) não será de ponderar o investimento neste mercado?Será o receio e a aversão ao risco um problema dos nossos gestores?um artigo a ser lido e annalisado por que tem poder de decisão nas empresas
André Dias Pereira
Prof. Paulo G. Marcos, Venho por este meio saudar o excelente artigo que publicou hoje no Diário Económico sobre o Japão. Sou Assistente da Faculdade de Direito de Coimbra e tenho fortes ligações familiares a académcias ao Japão e concordo inteiramente com a sua opinião. Aquele seria um mercado extraordinário para os produtos portugueses de qualidade. André Dias Pereira andreper@fd.uc.pt
Paulo Marcos (paulo.marcos@marketinginovador.com)
Um reparo ao comentário do leitor "AEOF" A imagem de Portugal no Japão não é a de uma entidade belicosa. Na China e na Índia, contudo, sim.
Fernando Marques Fonseca de Almeida
Uma das mais valias de um jornal de referência é o facto de ter uma série de colunistas e de opinadores que ajudem a pensar para além do óbvio. O que é o caso desta coluna. Pena que a sua periodicidade não seja mais frequente. Ganhariam os leitores e o jornal.Decerto.
Francisco Gomes (franciscojggomes@hotmail.com)
Caro Professor, parabéns por um artigo, que é no mínimo muito elucidativo, o facto de o Japão ser uma economia impar em termos de tamanho, eu já sabia, e acho que a maioria dos leitores já sabia com certeza. No entanto o facto da imagem Portuguesa no mercado (gigante) do Japão, ser tão positiva, é realmente algo que eu desconhecia, e penso não estar sozinho. È, no entanto, uma mais valia, e o seu conhecimento é da maior importância para qualquer investidor português

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Marketing Inovador: a capa


À venda nas melhorias livrarias de Portugal: Fnac, Bertrand, Bulhosa, Almedina, Oficina dos Livros, Católica, Lusíada, Editorial Notícias...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Prius: um caso de amor americano?

O Toyota Prius é um autêntico best seller nos EUA. Caso único? A paixão pelos híbridos anda arredada da Europa?

A capitalização do BCP e do BES tão semelhantes...

Quem haveria de dizer que as capitalizações do BCP e do BES estariam tão perto uma da outra...

OBAMA em crescendo

O clã Clinton está a ficar assustado...A mudança na chefe de campanha, ocorrida ontem, após os três desaires em outras tantas primárias, é um bom indício.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Um artigo provocador de Paulo Pinho

No Diário Económico de hoje. Inteligente, provocador, como sempre.
Paulo Pinho, professor da Universidade Nova, a propósito da eficiência do sistema financeiro.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

The illusion of Bush´s Stimulus Plan

Location: New York
Author: Lenny Broytman
Date: Wednesday, January 23, 2008

While the frightened mess of an economy in the US was busy issuing an emergency rate cut to deal with the growing fear of recession, the European Central Bank was cooling its heels, choosing to sit idly by, instead of jumping on the American bandwagon.

Nevertheless, the continent is undoubtedly feeling the effects of the US slowdown and many analysts are saying that if European stocks continue to plummet, the ECB will have plenty to worry about.

“Conditions have changed dramatically of late and even from an ECB perspective, this is not the time to worry about inflation,” Audrey Childe-Freeman at CIBC World Markets wrote in a note.

According to the New York Times, some European analysts are looking back to the burst of the dot-com bubble as an indication of how things will now play out. If you recall, the tech collapse gave way to a number of rate cuts by the Federal Reserve, the first of which came in January 2001. Although the Europeans insisted that the effects of the collapse would be limited, many people were biting their tongues by as early as May of that year.

According to Ken Wattret, an economist at BNP Paribas in London, the pattern is doomed to repeat. Although the European bankers will first await further data to confirm what they already know is true, they will be cutting rates, just as the US has.

The European Central Bank, just as the Federal Reserve in the US did, take the time in December to inject billions into their economy in an effort to alleviate what they knew was beginning to happen. The plan was ultimately to secure liquidity in the international financial system.

With all that said, the New York Times insists that Europe is rather confident that the damage to its economy will be minimal.

At this moment, officials in Europe will keep their eyes on inflation, which has reportedly jumped to 3.1 percent over the course of the last two months. According to Jean-Claude Trichet, the head of the central bank, the bank is more than prepared to act "pre-emptively" if inflation becomes responsible for escalating wages.

Meanwhile, the US economy is facing its own troubles, with President Bush pushing for a miraculous stimulus plan that he hopes will get the US economy back on track.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Comentários dos leitores do Diário Económico ao artigo Four Seasons

Comentários
vg
Wishful thinking.A "Four Seasons" trabalha num nicho de topo de gama,enquanto o turismo português tem vindo a competir mais no " package",a cair para o "backpacker" e pé descalço.Como merece ,em muitos casos,pela mediocridade dos empresários.Cliente?Que incómodo...
Antonio Moreira
Valorizar os serviços implica uma maior qualificação dos recursos humanos, coisa importante mas pouco vistosa...
Bruno Valverde Cota
O caso Four Seasons é exemplar na capacidade de gestão e de adaptação para resultados de excelência ao nível do Serviço. Certamente é uma boa referência para a Marca Portugal.
MAVERICK
Bom exemplo e "manual" de consulta para os empresários de turismo sobretudo os do ALLGARVE com Manelacelera incluído se estes não previligiassem o conceito de "amadorização" ou "almadização" de infraest ... mas o portugalinho não produz melhor!
Carlos Gonçalves (cg@espacoavila.com)
A aposta nos Recursos Humanos (motivação, reconhecimento,etc) não parece estar ainda na agenda das nossas empresas. Também aqui a administração pública não dá o exemplo quando grande parte dos seus dirigentes são políticos ou são nomeados politicamente. Quanto à campanha EWC, mais uns milhões de Bruxelas desperdiçados. O nosso País evolui, mas devagarinho...
PEDRO ALEGRIA
Meu Caro Paulo, é sempre um prazer ler-te. Estou totalmente de acordo com a tua abordagem. Efectivamente o management tem as suas particulidades e uma delas "é saber estar". Por outro lado num pais de "bigbrothers" e onde máximo é saber cuspir para o chão, tudo é possivel. O Four Seasons é a prova que a excelencia pode ser natural e simples. Aqui fica um convite para em breve almoçarmos no Four Seasons, não há nada melhor.
Fausto Rodriguez (rc.fausto@gmail.com)
Foi falta de engenho e arte - activo de que tanto nos servimos nas epopeias que protagonizámos - que a marca Portugal se deixou parar no tempo. Não nos aproximamos dos magrebe nem de uma califórnia. Somos um Tivoli a precisar de remodelações. Tal como o Four Seasons que antes de se aventurar por terras da Rainha solidificou no Canada o seu modus operandi e definiu exactamente o rumo a tomar, também Portugal deve fazer o seu trabalho de casa antes de partir para um culto da marca. Não sou grande entendido mas a meu ver marketing vem acompanhado de estratégia. Portugal tem que dizer algo mais do que um Mourinho, ou uma Marisa. Queremos ser um paraíso turistico? É aí que reside a nossa vantagem comparativa? Avancemos para a concretização. Concordo, as pessoas são a chave para o sucesso. Mas o sucesso surge antes de objectivos definidos e não de uma propaganda sem substracto. Propagandear algo que não existe, não retem clientes, apenas contribui para um delivered value negativo. Estrategicamente apostar nos recursos humanos faz todo e qualquer sentido; numa empresa é aplicável porque o universo é reduzido e a massa é mais homogénea mas ao nível do país o caso muda de figura. Como se concretiza essa aposta? Parabéns uma vez mais pela coluna.
Carlos A. Cruz
Completamente de acordo com o autor do texto.
Fernando Cardoso
Paulo, De acordo a 100%. Mas, por cá na maior parte dos casos, os RH´s são um custo… Abraço Fernando
Victor Gomes da Silva
Disse tudo: "Afinal apostar nos recursos humanos parece simples mas implica consistência, esforço de longo prazo…" Visão de longo prazo e consistência, sem dúvida é o que tem faltado.

Briefing again

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«Um futebolista 'borguista' representa mesmo uma mundivivência e uma mais-valia em quem se quer apresentar sofisticado ao mundo?»
Paulo Gonçalves Marcos, economista, gestor de empresas e professor universitário, in 'Diário Económico'

Citação de artigo do Diário Económico na Briefind

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Miguel Bacelar

Miguel Bacelar
Descontraído porém atento

Dossier

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Marketing Infantil

Ricardo Monteiro

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Ojo!