quarta-feira, maio 31, 2006

O roubo e a ameaça de espionagem

Nos últimos anos tem-se verificado um aumento significativo do roubo de informações com valor económico nas empresas e nos centros de investigação científica e tecnológica.
O roubo do know-how e de informação reservada duma organização – incluindo processos de inovação, de pesquisa e desenvolvimento, de produção, de distribuição e de promoção, planos e estratégias empresariais ou propostas em concursos – é um acto de concorrência desleal que se traduz em prejuízos significativos para as empresas e para o país.
Estado, empresários e trabalhadores, todos perdem, já que o eventual sucesso destas acções pode colocar em risco a sobrevivência de empresas e de postos de trabalho. Também os centros de investigação e as universidades sofrem roubos de conhecimentos que poderão ser transferidos para entidades estrangeiras.
No actual contexto de agressiva concorrência económica mundial, as organizações portuguesas, mesmo as de pequena dimensão, são visadas por entidades estrangeiras. A qualidade dos nossos recursos humanos e a capacidade de inovação das nossas organizações potenciam a criação de valor e atraem interesses estrangeiros.
O roubo de conhecimentos por parte de entidades estrangeiras assume frequentemente os métodos da espionagem. As acções de espionagem, principalmente na área económica, não são apenas praticadas pelos Serviços de Informações. Há também várias entidades que, directa ou indirectamente, trabalham para aqueles Serviços ou para entidades privadas que se dedicam, de forma aberta ou encoberta, à recolha de informações.
A inexistência de uma cultura de segurança nas organizações leva a que, na generalidade, as pessoas tenham um comportamento despreocupado e inocente relativamente às questões de segurança. Este comportamento constitui uma vulnerabilidade que é explorada pelos agentes da ameaça.

In www.pse.com.pt

terça-feira, maio 23, 2006

A MiFID e a internacionalização Banca Portuguesa


A MiFID e a internacionalização do sector financeiro português

“MiFID will have a major impact on the way business is conducted”
          Ian Mullen, CEO, British Bankers Association


As instâncias comunitárias estão em vias de finalizar a regulamentação de uma das mais importantes peças legislativas recentes, cujo impacto sobre o sector financeiro português será tudo menos dispiciendo. Desde a moeda única que jamais uma  peça legislativa e regulatória  impactou com tamanha profundidade sobre o sector dos serviços financeiros. Chama-se MiFID (Market in Financial Instruments Directive – 2004/39/CE de 21 Abril de 2004) e propõe-se dar o impulso final para a criação de um verdadeiro mercado único de serviços e produtos financeiros no espaço europeu, qual vanguarda de uma nova vaga de sobre-regulação sobre o Sector Financeiro.
Surge na esteira do Financial Services Act Plan (1999) e da Cimeira de Lisboa (2000) que realçaram a importância do mercado único dos serviços financeiros para a construção europeia. Rever, então, a Directiva original (Investment Services Directive de 1993), tornou-se um imperativo político.
Para o efeito, a MiFID intenta harmonizar as regras aplicáveis às entidades financeiras operantes na União, oferecendo aos investidores um maior grau de protecção que o actual. Assegurando a qualidade de execução das transacções dos investidores e impondo uma obrigação de “Melhor Execução” às instituições financeiras, aumentando a transparência do mercado de capitais. Visando remover as barreiras artificiais à circulação livre de todas as classes de activos europeus (incluindo derivativos).

A MiFID vem mexer de forma profunda com algumas áreas e práticas de actuação dos intermediários e prestadores de serviços financeiros, alterando-lhes o respectivo paradigma.

Vale a pena atentar sumariamente em três:

  • concentration rule e o reconhecimento das multi-lateral trading facilities (MTF´s);

Elimina a obrigação de as ordens de compra e venda de títulos terem que ser colocadas em uma Bolsa de Valores regulada, passando a ser possível a utilização de plataformas electrónicas de negociação ou a internalização sistemática de ordens dos clientes, através da utilização da carteira própria de títulos detidas pelas instituições financeiras. Obviamente, quer os internalizadores sistemáticos, quer as plataformas electrónicas, terão que ter escala e oferecer um nível de garantias e transparência similar aos ofertados pelas Bolsas de Valores.

-  direito de passaporte e condução dos negócios;


Um dos propósitos da MiFID é o de permitir a comercialização e o marketing de serviços de investimentos ao longo dos vários países da União. As instituições continuarão, como até aqui, a terem a regulação “prudencial” (prudential regulation)  no Estado de Origem.
Contudo, a regulação sobre as “regras de condução dos negócios” (conduct-of-business rules) deixará de ser feita pelo Estado de Acolhimento e serão as do Estado de Origem a vigorar.
Dito de outro modo, o Estado de Acolhimento, isto é, aquele onde está o cliente, perderá os seus poderes de impor “regras gerais de condução dos negócios” (excepto em casos muito excepcionais ainda alvo de definição). Ou seja, e à laia de exemplo, passa a ser possível a um banco de investimento/Corretora portuguesa comercializar produtos de investimento na Lituânia, a clientes locais, de acordo com as normas vigentes em Portugal!

  • adequação de produtos e serviços aos clientes (suitability and appropriateness tests);

As empresas serão obrigadas a conduzir testes sempre que estiverem a prestar aconselhamento ou gestão de patrimónios:

  • suitability test (tem o cliente perfil para estes serviços?): em relação ao fornecimento de aconselhamento e aos serviços de gestão de carteiras;

  • appropriateness test (são estes produtos e serviços adequados para este cliente?): em relação a todos os outros serviços.


Torna-se, então, imperativo colectar informações sobre os clientes (KYC), respeitantes a conhecimento e experiência, à sua situação financeira e aos objectivos esperados pelo investimento.
A documentação a entregar aos clientes terá também que mudar para reflectir a redefinição das condições contratuais, mais claras e precisas.



À laia de corolário podemos dizer que a MiFID traz o potencial para mudanças drástica da estrutura do sector, da sua rendibilidade e de movimentos ao longo dos diversos grupos estratégicos operantes no mercado. Os custos (compliance costs) associados a funcionar neste mercado, segundo as regras prescritas – decoirrentes de obrigações de conhecer o cliente, de poder provar que se agiu no melhor interesse dos clientes, de sistemas informáticos, de regras de auditoria, do estabelecimento ou revisão de políticas e procedimentos de actuação,...- , com estimativas de várias dezenas de milhões de euros para um banco de média dimensão, poderão fazer com que os bancos e sociedades de corretagem mais pequenos, ou de cariz regional, abandonem, simplesmente, o mercado ou, pelo menos, alguns dos seus segmentos e produtos. Ademais, terão uma nova dimensão de concorrência: transacções e serviços de investimento prestados não apenas com recurso a Bolsas regulamentadas mas também por Internalizadores Sistemáticos e por “Bolsas” e Mercados Electrónicos. Os operadores financeiros, actuantes nestas novas plataformas de negociação, poderão usufruir economias de custos consideráveis, susceptíveis de lhes concederem uma vantagem concorrencial significativa.
Por outro lado, a remoção de barreiras a uma plena circulação de produtos de poupança e de investimento, no espaço europeu, abre também novas oportunidades de internacionalização. Para os bancos portugueses, a MiFID vai confrontá-los com a concorrência acrescida das grandes casas e bancos de investimento, sitos em Londres ou Francoforte, mas abre excelentes perspectivas para uma actuação mais vibrante e a menor custo no espaço ibérico, com a consolidação de plataformas operativas, a partir do mercado português e com a oferta de produtos e serviços numa lógica “cross-border”.

Paulo Alexandre Gonçalves Marcos, 18 de Maio de 2006
Economista. Gestor. Professor Universitário.







Sistema Financeiro Português: internacionalização

Internacionalização do Sector Financeiro Português
Tópicos de enquadramento


  1. Os Relatórios e Contas relativos ao ano de 2005 permitem concluir que nos principais bancos operantes no mercado português o contributo dos negócios internacionais para a formação do resultado bruto do exercício correspondeu a uma percentagem entre 20 e 35%. E numa tendência que indicia ser crescente.

  2. A expansão do sector tem sido feita não só ao longo das dimensões mais clássicas da banca dita de investimento ( com o project finance, o leverage trade ou o structured trade finance, por exemplo) mas também nas dimensões da banca comercial.

  3. Na banca comercial assiste-se à expansão das redes de retalho dos  bancos portugueses em mercados de proximidade geográfica ou cultural e ainda em países de elevada atractividade quando medida pelo binómio concorrência-potencial de crescimento do sector.

Atente-se que os negócios da banca de investimento, gestão de activos e actuação em mercados financeiros (monetários, obrigaccionistas, accionistas) se revela com um perfil global, os da banca de retalho continuam a ser predominantemente de cariz local.


  • Para melhor se perceber este fenómeno talvez seja conveniente recordar as principais tendências do Meio Envolvente Contextual com que se deparam as instituições financeiras portuguesas:

  • Intensificação e harmonização regulamentar, o que vem aumentar os custos de actuação no mercado (compliance costs) e suscitar um acréscimo concorrencial. Salientem-se alguns:

  • Acordo de Basileia 2

  • Financial Services Plan (MiFID, mercados grossistas, SEPA, Prospectos de emissão, directiva sobre a venda à distância de serviços financeiros, etc)

  • IAS/IFRS, que vieram introduzir maior comparabilidade.

  • Integração económica e financeira dos mercados, onde uma multiplicidade de operações de aquisição e fusão de carácter transnacional vieram alterar as estruturas dos sectores e dos Grupos Estratégicos operantes no sector.

  • Desenvolvimentos nas tecnologias de comunicação e informação e crescente convergência do padrão de aquisição de produtos e serviços financeiros por parte dos cidadãos da União. O que tenderá a levar ao aumento das aquisições transfronteiriças.

  • Adicionalmente as instituições portuguesas defrontam-se com as limitações próprias de mercados domésticos de dimensão reduzida e periféricos. Não sendo exaustivo, podem-se realçar:

  • Reduzidas oportunidades de manutenção do movimento de concentração doméstico. Independentemente do desfecho da OPA do BCP sobre o BPI.

  • Desvantagem de custos:

  • Prováveis deseconomias de escala;

  • Menores sinergias operativas (falta de escala, menores oportunidades de economias de gama);

  • Menor acesso a capital para expansão e maior custo do mesmo.

  • Reduzida dimensão e eventual dispersão do capital pode tornar os bancos portugueses mais vulneráveis a processos de aquisição ou de reestruturação empresarial.

  • O desafio passa pela capacidade de continuar a terem autonomia estratégica, para o que é essencial a manutenção de adequados níveis de rendibilidade (dada a situação periférica portuguesa, isto implica um prémio face a outros mercado mais centrais da Europa).

  • A internacionalização pode ser uma forma de elevar a rendibilidade das instituições financeiras portuguesas.

  • Os mercados internacionais são alvo de uma análise do seu potencial, estudando-se ritmos de convergência com países mais avançados, concorrentes existentes e prováveis, capacidade das instituições portuguesas transferirem vantagens concorrenciais para estes mercados (o que também pode passar por fenómenos exógenos como afinidades culturais, geográficas ou de complementaridade económica).

  • Os mercados de retalho financeiro têm permanecido predominantemente locais, pelo que vários especialistas apontam-nos com tendo o maior potencial de desenvolvimento e de aquisição transnacional. As instituições portuguesas têm estado atentas e entre as suas opções de expansão contaram-se aquisições de bancos locais ou a criação de bancos desde a raiz.

  • Por fim, deve-se atentar que a capacidade de uma Economia ser capaz de ter uma forte presença internacional em bens e serviços transaccionáveis constitui um forte estímulo ao desenvolvimento dos países. Não decerto por acaso fortuito, tem sido esta a via recomendada para Portugal. Um verdadeiro DESAFIO ESTRATÉGICO.

  • Aqui os Bancos portugueses têm um papel importante, pois é conhecido desde há muito, o papel de estímulo que a expansão internacional das maiores empresas de uma dada Economia exercem sobre as empresas situadas em sectores relacionados ou de suporte.

Paulo Alexandre Gonçalves Marcos, 22 de Maio de 2006

quarta-feira, maio 17, 2006

Diogo Campelo e o Queijo Limiano

Diogo Campelo, a votação do orçamento de Estado e os círculos uninominais

O significado político da discussão do orçamento de Estado em muito transcende a mera contabilização dos resultados da votação. E o fenómeno Diogo Campelo é a chave para compreendermos o quanto está em causa.
Campelo, que não conhecemos pessoalmente, assumiu um muito mediático papel de autarca e de deputado. O seu duplo papel permitiu-lhe assumir-se como um defensor das gentes do Alto Minho, na linha da tradição anglo-saxónica de "member of parliament".
Em Inglaterra, cada deputado ao parlamento de Westminster é eleito em círculos uninominais, maioritários a uma só volta. Cada círculo eleitoral elege, assim, um e só um deputado. Desta forma a ligação e as lealdades do deputado estão não somente com o partido, sob o qual foi eleito, mas também com os seus eleitores.
Apesar do imenso clamor de indignação ao "negócio" entre o  deputado e o governo, julgamos que as questões centrais não foram ainda colocadas. Estas parecem-nos ser as seguintes:
  • é eticamente defensável a acumulação de cargos públicos?

  • É legítimo a um autarca interromper, quando lhe aprouver, a sua função de presidente de câmara, assumindo, esporadicamente, o papel de deputado?

  • Deve um deputado representar o Povo (como se parece depreender do artigo 147 da Constituição) e exercer o seu mandato de forma livre (art. 155), ou deve alinhar o seu voto com os interesses da direcção do seu grupo parlamentar?

  • Se o orçamento fosse viabilizado por acordo com um pequeno partido ou grupo de deputados (exemplos: verdes, bloco de esquerda, PSD/Madeira) teria atendido a negociação mais a interesses ideológicos do que a interesses particulares (ou locais)? E seria isso negativo ou positivo?

Adicionalmente podemos dizer que o  grande mérito de Campelo foi o de trazer a imprevisibilidade ao Parlamento, fazendo com que este transmita uma maior diversidade de opiniões. Os cidadãos, habitualmente alheados dos assuntos e debates parlamentares, desataram a discutir o orçamento e a votação do mesmo, trazendo à ribalta uma paixão que se julgava já há muito perdida…
Deputados que se comportam como Homens-Livres, que defendem aqueles que os elegeram, são decerto bem-vindos à democracia portuguesa ao estimularem o debate e participação cívica, num país que se revela apático em termos de vivência política dos cidadãos.
Terá o exemplo de Campelo vindo para frutificar?

Paulo Gonçalves Marcos


segunda-feira, maio 15, 2006

Sócrates deve ter estudado Goebbels

"Medina Carreira critica a reforma da Segurança Social proposta pelo Governo, por resolver apenas um quarto do problema. Diz que o ministro Vieira da Silva é incompetente e que Sócrates «deve ter estudado Goebbels», o ministro de Hitler. "

quarta-feira, maio 10, 2006

A explosão da blogosfera

The blogosphere is doubling in size every six months and is now 60 times larger than it was three years ago, according to the latest quarterly installment of David Sifry's "State of the Blogosphere" report. He writes that Technorati now tracks over 35.3 Million blogs. On average, a new weblog is created every second of every day - more than 75,000 new blogs created every day. Technorati also tracks about 1.2 million new blog posts per day, or about 50,000 per hour.
April, 17, 2006. www.marketingvox.com

terça-feira, maio 09, 2006

Walk the World: uma forma diferente de passar o dia 21 de Maio de 2006

Recebido de uma amiga e de um amigo o seguinte texto que transcrevo:

"Que me dizem de ajudar o World Food Programme (WFP), a agencia das Nações Unidas que ajuda a alimentar os que mais precisam?

No Domingo, dia 21 de Maio de 2006, o WFP, juntamente com os seus parceiros e milhares de pessoas por todo o Mundo, juntar-se-ão num evento único à escala global: Walk the World. Num dia, milhares de pessoas vão caminhar lado a lado, de Este para Oeste, em varias cidades em todos os 24 fusos horários, começando as 10h locais de cada cidade, criando o efeito de caminhar a volta do mundo, com o objectivo de levantar fundos e terminar com o flagelo da fome entre as crianças.
Em 2005, a iniciativa WtW teve lugar em 266 locais de 91 países, juntando 250 mil pessoas, levantando fundos que permitiram alimentar 70 mil crianças. O objectivo deste ano e triplicar o numero de participantes.

O Banco Espírito Santo, no âmbito do seu programa de responsabilidade social Realizar Mais, aliou-se a esta iniciativa, possibilitando a quem quiser participar nesta causa, efectuar a inscrição nos balcões BES.

As inscrições oficiais podem também ser feitas on-line em http://www.fighthunger.org/wtw06/lisboa. Contudo, antes do dia do evento, e com objectivo de facilitar a logística, é necessário adquirir a t-shirt + boné (através da doação de €10) numa loja Sportzone ou nos balcões BES da Av. da Liberdade, Praça de Londres, Rotunda da Boavista (Porto) e Filial Porto.
Também o BES dos Açores se associa à inciativa através dos seus Balcões na Horta e no Faial.

Para se inspirarem, cliquem http://www.fighthunger.org/files/energy_en.wmv. "

J.-F. Revel, French Philosopher, Is Dead at 82

By DOUGLAS MARTIN
Published: May 2, 2006
New York Times


Jean-François Revel, a prolific philosopher, writer and journalist who summoned the classical polemical weapons of Voltaire and Montaigne, including humor, irony and surprise, to illuminate subjects from French cuisine to French anti-Americanism, died on Saturday in Paris. He was 82.
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Jean-Pierre Muller/A.F.P. -Getty Images, 2003
Jean-François Revel, in the uniform of the Académie Française.
His wife, Claude Sarraute, announced the death but did not disclose the cause, The Associated Press reported.
Mr. Revel called himself a leftist, but was known during the cold war as a champion of American values when many European intellectuals praised Marx and Mao, though he castigated the United States for the Vietnam War. In "Without Marx or Jesus" (1970), he said that America, in fact, was winning, and that "the revolution of the 20th century will take place in the United States."
More than three decades later, when many of his countrymen were outraged by the Iraq war and elements of Washington's effort to curb terrorism, he continued to write in favor of the United States. He suggested that Europeans refused to accept responsibility for their own mistakes.
Mr. Revel's career extended from academia, to editing and commenting in newspapers and magazines, to administering three book publishers, to radio commentary, to writing more than 30 books.
His subjects included comments on the attractiveness of Italian women (overrated), the glories of France (very overrated) and the inventiveness in French cooking ("madness," more often than not).
Among his many works, he wrote a three-volume history of the development of Western thought; argued against the prevailing Marxist and existentialist interpretations of Proust; and drew much comment with a dialogue about Buddhism with his son, a Buddhist monk.
He was one of the 40 members, called Immortals, of the Académie Française, which keeps the standards of the French language.
Mr. Revel's persistent intellectual thrust was as a philosopher of freedom in the tradition of Raymond Aron. He went from suggesting in his 1984 book, "How Democracies Perish," that democracy may turn out to be "a historical accident," to arguing in 1993 in "Democracy Against Itself: The Future of the Democratic Impulse," that democracy had become not only indispensable, but inevitable.
A decade later, he contended that the same French sort of intellectuals who had difficulty criticizing Stalin seemed unwilling to face up to the threat of Islamic terrorism.
The writer was born Jean-François Ricard, on Jan. 19, 1924, in Marseille. He first used Revel as a literary pseudonym. When he was 6 months old, his family took him to Mozambique, where his father had an import-export business. His first language was Portuguese.
He attended schools in Marseille and Lyon, and was 16 when the Germans conquered France. He was active in the Resistance, and later said the officious, disgraceful behavior of the French who collaborated with the Nazis informed his often wry style of writing. Mr. Revel received his degree in philosophy from the École Normale Supérieure, where the cream of French intellectuals were educated. He taught French in Algiers, Mexico City and Florence, where he collected observations for an irreverent book about Italy that looked askance at hair on the legs of women, among other things.
Early in his writing career, he wrote two book-length essays to the effect that philosophy was no longer a serious subject. During this period, he taught philosophy in Paris.
In 1960 he became chief literary editor for France Observateur, the first of a succession of journalistic jobs, including literary editor at L'Express. In the 1960's he devoted an entire book to attacking de Gaulle mercilessly for his purple prose and capitalizing the title General for himself but for no other generals.
Mr. Revel wrote speeches for François Mitterrand, the Socialist who became president, and in 1967 ran as a Socialist candidate in the parliamentary elections and lost.
Mr. Revel is survived by his wife and several children.
He had begun to become familiar with North America while teaching in Mexico in the 1950's and continued his education during an extended visit to Canada in 1969 and 1970 and to California in 1970. He collected material to support his hypothesis that a profound social transformation was taking place in the United States.
In an interview in 1970 with The New York Post after publication of "Without Marx or Jesus," he said his research did not involve talking to political leaders.
"I just looked around, talked to people, to students," he said. "And in the 20th century the information is pretty good, and I read a lot of your press and books."
In the introduction to his "Anti-Americanism" book, Mr. Revel wrote that he found an America "in complete contrast to the conventional portrayal then generally accepted in Europe." In particular, he was impressed with Americans' willingness to address and correct their own faults.
He went on to attack those Europeans who said the United States had brought terrorists' attacks on itself through misguided foreign policies.
"Obsessed by their hatred and floundering in illogicality, these dupes forget that the United States, acting in her own self-interest, is also acting in the interest of us Europeans and in the interest of many other countries, threatened, or already subverted and ruined, by terrorism," he wrote.

Chavez plans foreign oil tax

President Hugo Chavez said Venezuela would take further steps to increase revenues from its petroleum industry, including a new tax on companies that extract oil in the South American nation. Venezuela is the world's fifth largest oil exporter.

terça-feira, maio 02, 2006

Portugal abre as fronteiras à livre circulação dos trabalhadores do Leste Europeu

No início de Março, Portugal notificou Bruxelas de que iria acabar com esse regime de quotas que atribuía autorizações de trabalho aos imigrantes oriundos de novos Estados-membros. Portugal abre assim as suas fronteiras, acompanhado pela Espanha e Grécia. Até hoje apenas três Estados-membros, a Irlanda, Reino Unido e a Suécia, não mantinham qualquer limitação no acesso ao respectivo mercado de trabalho dos cidadãos dos dez países da Europa de Leste e das ilhas de Chipre e Malta.Passados dois anos e perante a evidência que a temida invasão dos trabalhadores de Leste não teve lugar, Portugal decidiu abrir as Alemanha, Áustria e a Dinamarca vão manter as restrições até ao final do prazo (2011) e a Holanda anunciou que manterá o regime actual até ao final deste ano.

Comentários:
1)Algumas profissões estarão sob pressão adicional, especialmente devido ao aumento da mobilidade dos polacos: estomatologistas, optometristas, enfermeiros, médicos.
2) Não vamos ter canalizadores polacos: já cá temos os ucranianos...

Nacionalizações na Bolívia

Nos jornais de hoje: Acabou-se o saque dos recursos naturais da Bolívia”, afirmou ontem o presidente da Bolívia, Evo Morales, durante o anúncio surpresa da nacionalização dos recursos energéticos do país. A implementação da medida não era esperada tão cedo, pelo que as principais empresas com contratos de exploração de gás natural e petróleo, a espanhola Repsol YPF e a Brasileira Petrobras, não reagiram de imediato ao discurso do presidente.

Meus comentários:
1) Afirmação nacionalista, cimento que agarra os populistas ao poder, à falta de melhores argumentos.
2) Custa a crer que a Bolívia consiga ser mais eficiente nacionalizando. Seria caso único.
3) Adicionalmente terá que indemnizar. Pagará o povo, está bem de ver...
4) Talvez mais grave é o que representa a nacionalização: um ataque a algo que deveria ser sagrado: a posse privada. Algo que vai mexer com as intenções futuras de investimento ou de novas iniciativas empresariais. O clima de empreendedorismo vai decerto tornar-se menos amigável...
5) Porque já vimos este "enredo" vezes sem fim, o desfecho é razoavelmente expectável: menos crescimentos económico, mais desemprego, ...

segunda-feira, abril 24, 2006

Benetton: uma sucinta análise estratégica

A Benetton, uma bem sucedida empresa de origem italiana. Que tem como objectivo estratégico desenvolver moda numa base industrial. Está inserida no grupo estratégico onde estão igualmente a Zara ou a Steffanel.

Mas aquilo que torna a Benetton especial é a forma como tem levado a cabo a sua estratégia: uma matriz de produtos-mercados bastante extensa, uma forma interessante de integração vertical, um política de diversificação (menos bem conseguida) e uma internacionalização deveras agressiva.

sábado, abril 22, 2006

Abril 2006: a síntese

1) Processo de Bolonha

Para a maior parte das Universdades começa já no próximo ano lectivo. Em regra as licenciaturas terão 3 anos e os "mestrados" dois anos subsequentes. Será que o Estado português vai ter fôlego financeiro para o segundo ciclo? E as Universidades menos cotadas perderão alunos para outras em Portugal e ainda para as estrangeiras... Uma verdadeira revolução em curso.

2) José Sócrates, spin doctor

Cada vez melhor. Anúncios de medidas, geralmente afectando os interesses estabelecidos de um grupo identificável. Coisa que o povo gosta de ver: o ataque aos "poderosos". Mas a filosofia do Estado é desconhecida: que estratégia, que missão, que valores, que funções. Não admira que o déficite das contas públicas tenha sido o maior, em 2005, da última década... Não obstante uma tímida retoma económica e o apertão fiscal... voltem Santana Lopes e Bagão Félix!

3) Benfica ainda a morder os calcanhares do Sporting

Depois dos últimos anos em que o Glorioso sempre ultrapassou o clube regional, será que vamos ter nova vitória ao sprint? Talvez não porque o empate na Reboleira foi um bom resultado...

4) A retoma que não existe

Afadigam-se os spin doctors. Mas ela não está ao virar da esquina... Sócrates vai sair sem glória... vai um aposta a três anos e meio de distância?

5) As OPA´s que não criam bem estar social

A Sonae quer fazer um LBO para depois vender os activos da PT internacional e juntar as redes móveis... consumidores portugueses preparem-se para ter ainda piores preços e serviço...

O BCP falhou na Roménia... vai falhar no BPI... muito falhanço para o novo general da rua augusta... será que vai ter direito a terceiro falhanço ou volta para porta voz político?

quinta-feira, março 30, 2006

Mês de Março revisitado

1) Sócrates. A oposição à direita está deveras nervosa. Já viu isto no Reino Unido. A terceira via pode ser uma plataforma e uma agenda que assegurem aos socialistas uma longa permanência no poder. Afinal um governo dito socialista que usa da agenda conservadora e liberal para governar. Seduzindo o eleitorado CDS e PSD. Assim se explica os elevados níveis de popularidade do Governo e do primeiro-ministro. Mais a mais como dizia Pedro Magalhães no Público desta semana, quando a maioria sociológica do eleitorado português é "socialista".
2) A deportação dos portugueses residentes ilegalmente no Canadá. Será que Freitas do Amaral vai conseguir demonstrar a "excepcionalidade portuguesa"?
3) O S.L. Benfica não foi cilindrado pelo clube estandarte da Catalunha. Será que na próxima semana vai conseguir resistir em Camp Nou?
4) A semana de todos os protesto em França contra o CPE. Desta vez temos os jovens da classe média-alta em oposição ao Governo nas ruas e campus das universidades de elite. E como razão. O CPE vai permitir aos magrebinos terem acesso ao mercado de trabalho nas grandes empresas, tradicional feudo da classe média "sanguínea" francesa...

quinta-feira, março 09, 2006

Liverpool endure long night of frustration as chances go begging

The Times
March 09, 2006

Liverpool endure long night of frustration as chances go begging
By Oliver Kay
Liverpool 0 Benfica 2 (Benfica win 3-0 on agg): It was too much to ask Liverpool to defy the odds again this year
THE European Cup will remain under lock and key at Anfield after Liverpool won it for a fifth time in Istanbul last May, but this was always designated as the week their reign would end. Win or lose last night, Steven Gerrard had been booked on a flight to Paris tomorrow to take part in an official handover ceremony before the quarter-final draw, but, under the circumstances, his journey to the French capital will now assume a highly symbolic feel.
Rafael Benítez will conduct his inquest in the knowledge that Real Madrid and Inter Milan are waiting to pounce if he concludes that his Anfield revolution has run its course, but, while questions will rightly be asked about his forwards, who again wasted every opportunity that came their way, perhaps it is time for a reality check. Liverpool defied the odds and their own expectations last season and, although they are a better side this year, it was too much to ask for such an incomplete team to do so again.
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The frustration was that they fell to a Benfica team who, like Liverpool’s overachievers last season, cannot claim to belong to Europe’s elite. They have now added the scalp of the European champions to that of Manchester United, but the Portuguese team were 95 per cent perspiration and five per cent inspiration.
How ironic that the latter should be provided by Simão, who was due to move to Anfield on transfer-deadline day last August for £10 million. He scored a fabulous first-half goal to put his team 2-0 ahead in the tie, before Fabrizio Miccoli twisted the knife two minutes from time.
It is a matter of conjecture just how close Simão came to joining Liverpool last August. Rick Parry, the chief executive, claims that the Benfica captain was “on the tarmac” at Lisbon airport when Benfica’s management had a change of heart. All that mattered last night, though, was that his dipping, swerving shot in the 36th minute, after some uncertain defending from Djimi Traoré and Jamie Carragher left Liverpool on the canvas.
After that, there was no way back. Liverpool had scored three times in quick succession to defeat Olympiacos in the group stages and, even more memorably, AC Milan in the final last season, but this time there would be no such heroics. By that stage their best chances had been and gone, with Peter Crouch, Luis García and Carragher each squandering two. Ronald Koeman, the Benfica coach, suggested that scoring goals had become a “mental problem” for Liverpool ’s forwards.
Unwelcome as his comments may have been, the Dutchman was right. Liverpool paid a total of £28 million for Crouch, Fernando Morientes and Djibril Cissé, but none of the trio can buy a goal. Crouch hit the post early on before wasting a clear opportunity when put through by Gerrard, while Morientes posed no goal threat. Other players missed chances — notably Carragher, who scuffed his shot into the side-netting from six yards before heading against a post from Gerrard’s corner — but, in the final analysis, discussion of the forwards is inevitable.
Carragher will be more disappointed by his contribution to Simão’s strike. In truth, the rot set in the moment Traoré, a nervous stand-in for the half-fit Sami Hyypia, lost possession, but Carragher, as he tried to dig his team-mate out of trouble, was barged off the ball by Geovanni. It was then switched at pace by Laurent Robert via Nuno Gomes to Simão, who, cutting in on to his right foot, sent a beautiful shot curling beyond José Manuel Reina.
As in Istanbul, You’ll Never Walk Alone echoed around the stadium during the interval, but, on the pitch, inspiration was proving elusive. Gerrard struck a volley wide, while the admirable Xabi Alonso tested Moretto, but both efforts came from distance.
Crouch and Morientes were being thwarted by the dogged defending of Anderson and Luisão. It was time for something different, with Cissé and Robbie Fowler sent on in quick succession. Fowler, at least, found the net, but, for the third time since his return in January, his effort was disallowed, this time because Alonso’s corner was deemed to have gone out of play before he bundled it past Moretto.
It was clear by this stage that the goals were not going to come. Instead, as they pushed forward, Liverpool were caught on the counter-attack, Miccoli finding the net at the second attempt with a spectacular overhead kick. It was as much as Liverpool’s supporters could do to applaud and now it is somebody else’s turn. Benfica’s? Underestimate them at your peril, as Manchester United, as well as Liverpool, can testify.

Liverpool - 0 - Benfica - 2

A primeira vitória (o Boavista já tinha conseguido não perder...) de um clube português em Anfield Road.
Deixo-vos com a transcrição exasperada, pleno de surpresa e de um pouco de chauvinismo do jornalista do prestigiado diário de centro-esquerda "The Guardian". Vale a pena ler.

Simao provides killer blow as Liverpool surrender their title
Liverpool 0 - 2 Benfica (Agg 0 - 3) Simao 36, Miccoli 89Dominic Fifield at AnfieldThursday March 9, 2006
GuardianIn the end, the European Cup was yielded last night with little more than a whimper. Liverpool's proud defence of the trophy petered out, the holders jettisoned by opponents they would normally have hoped to devour, to leave the Kop offering only wailed defiance and appreciative applause for the Portuguese where once there was vehement belief. All that remains this morning is a numbing sense of what might have been.
That they effectively succumbed here at the hands of a player who might have been one of their own merely added to the deflation engulfing this arena long before the end. So hopeful had Liverpool been that the Portugal winger Simao Sabrosa would move to Merseyside last August that the chief executive Rick Parry had even mischievously suggested the player had been sitting on a plane bound for John Lennon Airport when Benfica suddenly hiked the price and wrecked the proposed £8m deal. In scoring a glorious opening goal here to push this tie away from the hosts, Simao cost Liverpool millions regardless.
There was a late second, scored by the substitute Fabrizio Miccoli, though those present to endure this occasion recognised that it was not the home side's uncharacteristic defensive fragility - the hamstrung Sami Hyypia was anchored on the bench - that cost them their trophy. Instead it was a familiar shortcoming. Liverpool have courted disaster for weeks while their forwards continued to splutter so dejectedly in front of goal. Last night, with profligacy biting yet again, Rafael Benítez's side duly suffered the consequences.
Benfica's coach Ronald Koeman had spoken of exploiting the "mental problems" the quartet of home strikers were enduring, with none having mustered a league goal this year. That continued wastefulness merely prompted exasperation here, on the pitch and in the stands, with the advantage surrendered at the Estadio da Luz in the first leg a fortnight ago weighing ever heavier. The pressure ultimately consumed the champions and, after half an hour of frenzied energy had yielded no reward, they wilted at the other end.
The toils of Peter Crouch, Fernando Morientes and, to a lesser extent, Robbie Fowler and Djibril Cissé are becoming painful to endure. The pair that started here have played over 30 hours of football with only one club goal to show for their effort.
The firepower introduced from the bench arrived late and, in Cissé's case, was limited to the periphery on the wing. The whirlwind whipped up in the opening exchanges by Steven Gerrard, tearing into befuddled opponents, and the clever prompting of Xabi Alonso should have blown Benfica away. Instead, wheezing amid the tumult, the visitors survived intact and bit back.
Quite how it came to that beggars belief. The ferocity of Liverpool's initial assault had the Portuguese panicking, a succession of opportunities squeezed from the fury only to be carelessly squandered. Crouch, the only striker from these parts to have managed a goal since New Year's Eve, was slipped free by Luis García's pass 11 minutes only to see his drilled shot deflected on to the post by Anderson's desperate lunge. If that was unfortunate, the England striker's attempt when sent clear by Gerrard's touch inside Luisao, prodded cagily at the sprawling Moretto, was that of a forward devoid of self-belief.
Not that Crouch was due blame alone. García skied another chance into the Anfield Road stand after exchanging passes with Alonso having earlier spun an overhead kick at Moretto from close-range. That effort was suffocated and Jamie Carragher prodded the rebound wide of a gaping goal. The centre-half meandered forward again before the interval to thump Gerrard's corner against the post, a whistle choking his frustration, though, by then, Liverpool trailed and the Portuguese had sensed they might be untouchable.
Simao had proved that much. When the dawdling Djimi Traoré slipped and Carragher failed to hack sufficiently clear, the busy forward gathered possession and cut across the centre-halves to curl a stunning shot from 22 yards beyond the diving Liverpool goalkeeper José Reina.
The hosts might have been punished earlier, Geovanni having belted against the bar from distance with Simao's follow-up header well claimed, yet the pace and elusive movement of the visitors' attacks always suggested they might prosper on the break.
They did just that with Liverpool hopelessly committed upfield in the final exchanges, Beto crossing for Miccoli to swivel and score.
Gerrard must travel to Paris tomorrow to play his part as last year's victorious captain in Uefa's grandiose unveiling of the new Champions League trophy. "The last thing I want is to be standing next to the trophy knowing someone else will be picking it up in May," he had said in the build-up to this tie. "If that happens I'll be gutted." The Kop will share his gloom.
Guardian Unlimited © Guardian Newspapers Limited 2006

terça-feira, março 07, 2006

Optimismo sobre a Europa

Extraído do www.riskcenter.com uma nota de optimismo sobre a evolução económica da União Europeia, desta vez à boleia do alargamento e liberalização do mercado dos serviços financeiros.

Don't discount Europe. Its inflexible labor market may be weighing on the economy, but greater financial integration across the euro area is continuing at a steady pace, setting the foundation for economic growth. And while many in Europe look uneasily eastward toward cheap labor and low-cost goods, others see the opportunities of a wide-open market.

quinta-feira, março 02, 2006

Campanha da rolha de cortiça no Reino Unido

Jornal Público - Terça-Feira, 28 de Fevereiro 2006 - 1ª Página do Público Economia
"Mourinho defende rolha de cortiça no Reino Unido
José Mourinho, treinador português do Chelsea FC, é o rosto de uma campanha de defesa da rolha de cortiça que arranca amanhã no Reino Unido. Mourinho, ocupará espaços privilegiados na imprensa inglesa dedicadas a vinhos, e em outdoors. Esta campanha é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor) que pretende captar a atenção da rolha de cortiça junto do retalho inglês e do consumidor. Para o primeiro alvo, a Apcor optou uma estratégia de comunicação demonstrando que a rolha de cortiça significa qualidade. A campanha investe em mensagens recheadas de argumentos emocionais, relacionadas com o ritual de abertura de uma garrafa. A campanha de promoção do vedante português será ainda lançada nos Estados Unidos e Austrália, além de iniciativas já agendadas em França e Alemanha. A estratégia representa um investimento total de três milhões de euros e conta com o apoio do Icep Portugal - Instituto das Empresas para os Mercados Externos. A participação privada ronda os 30 por cento."

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

You will never walk alone...!

Benfica - 1- Liverpool - 0

Difícil face à qualidade do campeão europeu. Sólido a defender. Impenetrável na primeira parte.
Boas opções de Koeman, com Leo imperial, Karagounis parecendo um João Alves/Valdo/Rui Costa.

Belo!...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

O amor e as Marcas

O futuro das marcas está no amorAo contrário do que se possa pensar, as marcas não são detidas pelas empresas, mas sim pelas pessoas. Transformar uma marca numa "lovemark", ou seja, conferindo-lhe um forte cariz emocional, é um imperativo para o CEO da Saatchi & Saatchi, Kevin Roberts que, em entrevista exclusiva ao PortalExecutivo explica, entre outros temas, por que motivo o envolvimento emocional com uma marca é imprescindível para o seu sucesso POR HELENA OLIVEIRAQuais são as principais medidas que uma empresa deve tomar para transformar uma marca numa "lovemark"?Pense no respeito, na confiança e na performance como uma plataforma insubstituível, um bilhete para viajar, uma aposta numa mesa de jogo. Estes atributos de uma marca permitem-lhe fazer girar a roda do comércio. Mas não o farão ganhar o jogo. Para atingir o nível seguinte é necessário ir mais longe do que a razão. Mistério, sensualidade e intimidade são três termos com os quais não se cruzará numa escola de negócios ou de marketing. Estas ligações emocionais são fundamentais para melhorar as vidas das pessoas. Ponha-as a funcionar, em qualquer espaço, e é possível inspirar o retorno fundamental em termos de envolvimento, ou seja, o amor. Elas são elevadas da condição de insubstituíveis para o estado de irresistíveis. Mistério para estabelecer ligações entre histórias, metáforas, sonhos e símbolos. Onde o passado, o presente e o futuro se transformam num só. A maioria das marcas oprime o Mistério com demasiada informação. As pessoas são cativadas por aquilo que não conhecem. Quando sabemos tudo, não resta nada para ser aprendido. Sem mistério e surpresas, os relacionamentos – e as pessoas neles envolvidas – ficam cansadas. A Sensualidade é um portal para as emoções. A visão, a audição, o olfacto, o toque e o gosto determinam todos os nossos pensamentos e sentimentos. E é assim que experimentamos o mundo. Quando os nossos sentidos são despertados em uníssono, os resultados são inesquecíveis. Intimidade. A complexa arte de estar perto da família, dos parceiros, dos clientes e dos consumidores, sem impormos a nossa presença. Empatia, empenho e paixão. As ligações íntimas que resultam numa lealdade eterna.
Acredita realmente que vivemos numa era de transição para o "consumidor inspiracional"? Qual é a sua missão?A transição já terminou. Vivemos na República do Consumidor. E quem a preside é o Consumidor "inspiracional", que detém o seu controlo absoluto. Em casa, online, em viagem, na loja, as pessoas que amam uma marca possuem o poder de a fazer crescer exponencialmente. Os exemplos estão em todo o lado. Olhemos para os jogadores, designers, bloggers e vloggers – a auto-estrada da informação está a transformar-se numa auto-estrada da produção. Nos novos anúncios norte-americanos sobre baseball, os fãs são as estrelas. Para acompanhar o ritmo da Toyota, Detroit está a delegar o design aos "Consumidores Inspiracionais". Empresas líderes estão a optar pela inovação do mercado livre, extraindo o poder de ideias provenientes do exterior. A Procter & Gamble, por exemplo, um líder global, está a refinar a sua pesquisa e desenvolvimento para "ligar e desenvolver". A missão do "consumidor inspiracional"? Fazer do mundo um lugar melhor.
Afirmou que a ideia de que são os consumidores, e não as empresas, os proprietários das "lovemarks" é algo fundamental. De que forma é que uma empresa pode lidar com este tipo de afirmação?Não deve lidar com ela. Deve abraçá-la. Vivê-la. Mostrá-la. O amor não pode ser comandado. Tem de ser oferecido. Recordemo-nos da altura em que a Coca-Cola lançou a New Coke. O que aconteceu? As pessoas disseram, "Não é possível fazerem isto. A Coca-Cola é nossa! Não queremos saber se esta nova sabe melhor que a Pepsi; esta é a nossa marca. A Coca-cola pertence-nos a nós, e não a vocês. O que é que vocês, idiotas, estão a pensar?
No mundo extremamente competitivo em que vivemos, quais são os maiores problemas enfrentados por uma marca?O assassino em série das marcas é a "comoditização", a erosão das distinções, a imitação rápida da inovação e os standards elevados da performance de produtos. A resposta a esta dinâmica tem sido intensificada e têm sido efectuados esforços frenéticos para uma diferenciação e, quando tudo o resto falha, compra-se a concorrência. A "comoditização" está a sugar a vida das marcas. Hoje em dia os "snacks" são estaladiços, os carros "pegam" à primeira e a cerveja é gelada. Ou seja, as marcas precisam de criar lealdade para além da razão. Nos tempos bons, este atributo torná-las-á imparáveis. Em tempos difíceis, permitir-lhes-á manter a cabeça à tona de água – tomemos como exemplo Steve Jobs da Apple.
É defensor da ideia que o rejuvenescimento das marcas deve ser feito através do poder do amor e que a responsabilidade de um negócio é preencher umas das suas funções-chave: fazer do mundo um local melhor. Como a RSE [Responsabilidade Social das Empresas] é um conceito muito "na moda" na actualidade, o que devem as empresas fazer para preencher essa função em particular?A responsabilidade social das empresas (RSE) é apenas a linha de partida. Vivemos num mundo cada vez mais "encolhido". A acção responsável é monitorizada todos os dias por milhões de ligações computorizadas remotas. Se você não está a fazer o que é correcto, está fora do negócio. A RSE tem de ir muito mais além do que o mero retorno do investimento. Para fazer a diferença, para acelerar o caminho para as "lovemarks", é necessário um retorno do envolvimento. E isto diz respeito a mudar vidas, a transformar sonhos em realidade. A função de uma empresa é fazer do mundo um lugar melhor para toda a gente. Através do fornecimento de empregos, de escolhas, de oportunidades e, especialmente, de auto-estima. Acima de tudo, através do poder de ideias que possam mudar o mundo. Pode ser o projecto de Nicholas Negroponte de oferecer um computador a 100 dólares para os países em desenvolvimento. Ou o carro Prius amigo do ambiente da Toyota. Ou a transformação dos trabalhos domésticos em experiências fantásticas protagonizadas pela Procter & Gamble. O mantra da P&G diz tudo: toque as vidas; melhore o mundo. Não existe qualquer limite para o número de possibilidades que uma empresa tem ao seu dispor para fazer uma diferença positiva. O que interessa é o sonho e algo que o impulsione a tornar-se verdadeiro.
Quão valiosas são as marcas em termos económicos e sociais?As marcas são consideradas como os criadores de riqueza mais sustentáveis e mais claramente poderosos do mundo. À medida que a "comoditização" avança, este poder de geração especial de produtos é cada vez menos impulsionado pela razão e cada vez mais pela emoção. A emoção é um recurso ilimitado com um poder assombroso. Quer a aborde económica, quer socialmente, quer por qualquer outra vertente, o potencial para um grande salto é o mesmo. Inspire o amor das pessoas e descobrirá que não existem limites.Do seu ponto de vista, de que forma é que as marcas devem ser geridas e o que lhes reserva o futuro?A gestão comanda e controla. E isso leva-nos a lugar nenhum muito rapidamente. Lembre-se das palavras de David Ogilvy: "O consumidor não é parvo. É a sua cara-metade. Tem de o ouvir, de lhe responder, de lhe tocar e de o inspirar. As marcas têm que colocar a gestão atrás e a inspiração à frente. Uma marca pode contar estrelas e manter-se quieta, ou pode tentar alcançá-las e chegar mais alto. A inspiração é emocional. A inspiração está relacionada com a acção. E gera resultados reais. O futuro está para além das marcas. O futuro são as "lovemarks". (extraído do PortalExecutivo.com)

Kevin Roberts é CEO da Saatchi & Saatchi a nível global, uma das organizações criativas líderes a nível mundial, com uma equipa de 7 mil pessoas espalhadas por 82 países. Os seus clientes incluem algumas das empresas com melhor performance do mundo, como a Procter & Gamble, a Toyota, a General Mills, a Visa international ou a Novartis.
Roberts iniciou a sua carreira como gestor de marca no final dos anos 60 na famosa casa de alta costura londrina de Mary Quant, tendo trabalhado posteriormente como executivo de marketing para a Gillette e para a Procter & Gamble na Europa e no Médio Oriente. Aos 32 anos, foi nomeado CEO da Pepsi-Cola no Médio Oriente, tornando-se mais tarde CEO da mesma empresa no Canadá.
Em 1989, mudou-se para Auckland, na Nova Zelândia, para assumir o cargo de CEO da Lion Nathan, na qual se manteve durante sete anos. Em 1997, foi convidado para liderar a Saatchi & Saatchi que, sob a sua batuta, apresentou resultados continuamente crescentes, ano após ano, tendo alcançado um sucesso excepcional no Festival Internacional de Publicidade de Cannes. Em 2003, a Saatchi & Saatchi foi nomeada como a Melhor Rede Global pelas publicações Ad Week e Ad Age.
Roberts é co-autor de "Peak Performance:Business Lessons from the World's Top Sporting Organizations". Em 2004 publicou o livro "Lovemarks:The Future Beyond Brands" (visite www.lovemarks.com), que mostra de que forma as emoções podem inspirar as empresas e as marcas a gerar valor sustentável. O conceito de "lovemarks" inspira, de forma determinante, a missão da Saatchi & Saatchi e Roberts tem corrido mundo a apresentar a sua visão particular do mundo das marcas. Kevin Roberts veste-se sempre de preto, é um admirador confesso de Steve Jobs, amigo pessoal de Tom Peters, adora rugby, gosta de trabalhar com jovens criativos, odeia a inveja e a palavra que mais utiliza é "ideias". (extraído do PortalExecutivo.com)














http://www.lovemarks.com/