sábado, outubro 01, 2005

You were the best of loves

You were the best of loves
You were the worst of loves
And you left behind several unintended gifts
Through you I re-recognized my need (uh, desire?)
for one significant other to share my life space with.
You commanded in me an unwilling re-evaluation
of self, behavior patterns,
relationshipping and a
corresponding change of attitude; i.e: growth
I'm nicer to people.
I'm more in touch with my feelings,
the things and persons around me.
Life.
And of course, a scattering of poems,
the best of poems, the worst of poems.
That never would have happened without your disruptions.
Thanks.

Smiling is contagious

Smiling is contagious,
you catch it like the flu,
When someone smiled at
me today, I started smiling too.
I passed around the corner,
and someone saw my grin -
When he smiled I
realized, I'd passed it on to him.

I thought about that smile,
then I realized its worth,
A single smile, just like mine,
could travel round the earth.
So, if you feel a smile begin,
don't leave it undetected -
Let's start an epidemic quick
and get the world infected ! ! !


Author Unknown

segunda-feira, setembro 05, 2005

Katrina, o petróleo, o preços dos automóveis, o consumo de combustíveis, o Benfica, etc

Hoje falo de coisas avulsas.

Do Katrina que superou as expectativas negativas que sobre ele existiriam. Que galgou os diques e que deixou um rasto de destruição sem precedentes. A fazer lembrar a ficção pós-nuclear dos filmes da série Mad Max...

Que o valor médio dos automóveis adquiridos em Portugal no primeiro semestre do ano aumentou quase 7%, fruto de uma deslocação para motorizações mais elevadas! Em alturas de crise económica, não deixa de ser sintomáticom como a posse e exibição do automóvel tem um poderoso efeito de bem-estar psicológico...

Mas o consumo de gasolina e de gasóleo cairam no semestre pretérito, o que provavelmente resulta da crise económica. Mantém-se ou aumenta o grau de ostentação mas diminuiram as idas " à terra" e ao Algarve...

O Benfica contratou reforços já em fecho de prazo. Um grego armador de jogo e um avançado italiano internacional. Aparentemente bons jogadores, conquanto o italiano jogue como segundo avançado (na posição do Nuno Gomes) e o grego como médio interior esquerdo (a posição do russo Kariaka). Ou seja, talvez ainda não tenhamos as soluções para o miolo e para a cabeça de área de que o clube tanto necessitava...

quinta-feira, agosto 25, 2005

Leituras de férias: Trabuelo, Chico Buarque, etc

Tempo de férias. Tempo para leituras mais leves, menos profissionais. Ficção, ensaios, etc.
O primeiro, "Budapeste" de Chico Buarque de Holanda. O compositor brasileiro é uma verdadeira revelação na prosa, assimfazendo jus a muito favoráveis críticas que tinha recebido esta sua obra.
"Diários de Salazar" de António Trabuelo. Estreia deste escritor que é médico na vida profissional. Uma edição da Parceria A.M. Pereira. Meio ficção meio realidade. A história de Salazar a partir de seus diários, com muita e saborosa ficção à mistura. Realce para a lucidez, a fina inteligência e o pensamento estratégico de nosso antigo governante. Verdadeiramente notável. Julgo que à medida que os arquivos de Salazar, recentemente abertos, forem alvo de investigação e estudo, mais saberemos sobre o estadista e provavelmente velhos estereótipos se desvanecerão...

sexta-feira, julho 29, 2005

Liberdade, por Fernando Pessoa

Ai que prazer
Não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
Como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Publicado in Seara Nova, n.º 526, de 11-09-1937
Fernando Pessoa
16-03-1935

sexta-feira, julho 22, 2005

Luís Campos e Cunha saiu

Conhece-mo-nos há muitos anos. Fui seu aluno. Primeiro. Colega mais tarde.
Um dos melhores professores, pedagogicamente falando, que tive.

A sua entrada no Governo teve um forte significado político. Um homem da esquerda moderna. Inteligente e sensível.

Mas os Governos socialistas são feitos de homens políticos, pressionados por quotas de popularidade. Afinal são políticos profissionais que sabem que estar na oposição significa o fim do bem estar material e da projecção social. Que não têm um lugar esperando por eles no final de mandato.

Fez bem em sair. Julgo até que se deveria ter demitido. Afinal o Conselho de Ministros não lhe dava espaço. Teve necessidade de escrever um inócuo texto no jornal "Público" para poder defender que mesmo o investimento público deve ser racional. Em linguagem económica, que deve ter subjacente um estudo de viabilidade económica-financeira. Quanto custa e que benefícios vai produzir:tudo quantificado e acessível aos cidadãos.

Em Portugal isto só funciona com a ditadura do ministro das finanças: foi assim com Salazar, Cavaco e Manuela Ferreira Leite. E com excepção desta última, proeminentes ministros das finanças que se tornaram primeiro ministros. Mas Sócrates parece ser teimoso, pouco tolerante com potenciais rivais de forma que eliminou a dissenssão pela raíz...

sábado, julho 02, 2005

A competência aos 66 anos


Os pouco atentos diziam que ele estava acabado. Que fora ultrapassado por novos treinadores, mais ambiciosos. Que fora um fracasso na selecção italiana. Como foram levianos e apressados! Sabe da poda como poucos, o italiano. E o nosso 6 dedos sempre ao lado? O seu carisma, a gestão do balneário, o galvanizar dos adeptos. Que agora vai ser substituído pelo seu antigo ala esquerdo, destino preferencial dos seus passes... há cada ironia na vida...

Não vos oiço! O que dizem agora!


S.L.B., S.L.B., S.L.B., glorioso SLB. Canta o meu filhote de dois anos. Deve ter aprendido na escolinha. Assim se vê a força do Benfica!

Os amigos foram ao Benfica: aspecto da Bancada VIP Premium A

Cabo Verde, os Palop´s, o Benfica e Luís Vieira

Vi as imagens do presidente do Benfica a chegar à cidade da praia em Cabo Verde. Na semana pretérita. Um mar de gente, de encarnado vestida. Dezenas de viaturas a fazerem como que um cortejo de honra. Bandeiras, buzinas, gente eufórica. Não, não era o Eusébio com 20 anos...apenas o presidente do clube!

Estive em Cabo Verde aquando de decisivo Benfica-Sporting em Maio. E quando o Benfica marcou o golo, a vila de Santa Maria saíu à rua. Literalmente. Durante a semana que antecedeu o jogo vi várias centenas de pessoas com camisolas do Benfica, na sua actividade quotidiana: comerciantes ambulantes, trolhas, empresários da restauração, funcionários públicos, militares de G3 a tiracolo em que debaixo da farde se avistava a camisola rubra.

Os festejos pela vitória do Benfica em Cabo Verde fariam empalidecer de vergonha os festejos pela vitória do Benfica no campeonato, uns dias depois, no Marquês de Pombal, nos Restauradores, na Guarda, em Viseu.

Como diriam os castelhanos, afición a sério é em Cabo Verde. Mas pelo que me contam também em Luanda, em Lourenço Marques (sim, eu sei...).

Agora já percebo de onde vêm os seis milhões de benfiquistas. é a contar com os nossos amigos dos Palop´s!

Força Sócrates! For those about to rock we salut you!

Mentistes descaradamente quando prometeste não aumentar os impostos. Quando dissestes no debate com Santana Lopes que não seria necessário aumentar a idade de reforma. Vou-te cobrar por isso quando chegar a altura.

Mas foste bravo em segurar o teu ministro da finanças, um particular amigo meu. Não deve ser fácil. Bravura também quando resolveste ignorar o teu eleitorado, o partido dos funcionários públicos.

Quando duma penada incorreste na ira de quase todos os teus eleitores: os polícias, os professores, os médicos, os enfermeiros.

Quando deste o exemplo cortando as sinecuras dos representantes do povo.

Estranhamente tiveste tanto trabalho e coragem mas ainda nada disseste sobre o que se segue:

- que vais proceder á captação de receitas extraordinárias;
- que lá para o final da legislatura vais introduzir portagens em mais de metade das Scut´s;
- que vais ter que cortar nas prestações sociais, nomeadamente no subsídio de desemprego e de doença;
- que vais ter que deixar que o sector cooperativo, concordatário e privado concorra em quase igualdade de circunstâncias no ensino superior;
- que vais emagrecer o orçamento das universidades públicas;
- que vais tornar a aumentar os impostos;

Em suma, que provavelmente a contestação social que enfrentas é apenas a ponta do iceberg do que te espera... mas que as medidas que agora tomas apenas são paliativos que não deverão ser suficientes para salvar o Estado Social. Que Marcelo Caetano primeiro, Vasco Gonçalves depois, Cavado Silva em especial e Guterres/Ferro Rodrigues construiram.

Que tal como tens tido coragem para estes combates em defesa dos teus paliativos, pena é que tenhas recorrido ao estilo "coelhone", trauliteiro, rasteiro, para lançar a questão de novo referendo sobre o aborto por alturas das presidenciais. É foleiro, desrespeitador do povo. Mas vais embaraçar Cavaco. Que te vai pagar, demitindo-te um ano depois de tomar posse como presidente. Porquê Sócrates não usares a tua cabeça e livrares-te da "tralha guterrista" de vez?

quinta-feira, junho 30, 2005

O interesse público e o aborto privado

"Não estou preocupado com as listas de espera", disse o nóvel ministro da saúde quando confrontado com as mais de 200.000 pessoas em lista de espera para uma cirurgia. Agora percebemos porquê...


O 'interesse público' e o aborto privado Alexandra Teté *

Na passada terça-feira, o senhor ministro da Saúde anunciou que vai recorrer a clínicas privadas para garantir às mulheres portuguesas um aborto legal, quando este não é "resolvido" nos hospitais públicos. Assim, seria prosseguido o "interesse público", torneando o alegado incumprimento da lei naquelas instituições e a invocação de objecção de consciência por parte dos médicos. Não sabemos bem se esta é uma determinação do Governo ou o desabafo de uma aspiração pessoal do senhor ministro com os jornalistas. De qualquer modo, trata-se de uma orientação "chocante", precipitada e perigosa, como passo a explicar.Em primeiro lugar, não está provado que em Portugal os hospitais incumpram a lei. Não se conhecem números, queixas, relatórios, etc. Infelizmente, sobre esta matéria pouco ou quase nada sabemos. Por isso mesmo, é da maior importância o famoso estudo encomendado pelo Parlamento para conhecer realmente a realidade do aborto (legal e clandestino) em Portugal, que finalmente foi aprovado. Parece que o senhor ministro prefere as suas suspeitas.Por outro lado, não se vê porque é que nas clínicas privadas estaria garantida a uniformidade de critérios que se alega faltar nos hospitais públicos. Não se compreende porque é que os critérios que seriam seguidos nas clínicas privadas seriam mais justos, razoáveis ou equilibrados que os que vigoram nos hospitais públicos. Nem se percebe porque é que nas clínicas privadas haveria menor recurso à objecção de consciência.Será que se está simplesmente a tentar legalizar um conjunto de clínicas que não só trabalham em Portugal de forma ilegal como praticam o aborto a pedido? A notícia de terça-feira neste jornal "Não dá jeito agora o bebé, não é?..." parece apontar nessa direcção.É difícil perceber qual é a ordem de prioridades deste Governo e, em particular, do senhor ministro da Saúde, nos assuntos relacionados com a saúde dos Portugueses. Há dias afirmava ser "irrelevante" que milhares de Portugueses estejam em lista de espera para cirurgias nos hospitais. Porque não se lembrou o senhor Ministro de protocolar estas cirurgias com clínicas privadas? Não são estas do interesse público?Ou será que na base desta preocupação do senhor Ministro da Saúde com o "interesse público" está a secreta esperança de que as clínicas privadas não sejam demasiado escrupulosas e dispensem pruridos de consciência? Assim, o senhor Ministro conseguiria liberalizar o aborto, na prática, passando-o para o sector privado e para a opacidade, a expensas dos contribuintes. E porquê esta prioridade nas vésperas de um referendo que se assume vir a liberalizar o aborto? Porque a liberalização do aborto, para alguns, corresponde a uma obsessão ideológica uma obstinação radical em recusar o valor intrínseco da vida humana. Senhor ministro: é isto o "interesse público"?*Associação Mulheres em Acção

IE lagging behind Firefox

According to BBC's Technology News, Microsofts' IE 7 will have an automatic update (much like Firefox) and will now support RSS (much also like Firefox). Personally, I think that Bill Gates have made a run for his money as the news site reported that:
"Mozilla's Firefox browser has steadily been gnawing away at IE's market dominance. Many like its features and increased security"
To all Firefox advocates (such as my self), how does this affect your usage on Firefox and this move with Microsoft?

O pequeno António fotografado em Novembro de 2002, então com cerca de 3 meses. Sorridente e bonito!

Mudar para o FireFox

Está na hora de mudar para um novo browser. Mais seguro, fiável, menos vulnerável que o Explorer. Mais prático a navegar.

Chama-se Firefox e está a tomar de assalto o planeta dos cibernautas menos que leigos.

www.firefox.com (e serão redireccionados para uma página de download).

sexta-feira, maio 20, 2005

O que é ser conservador e o novo Papa

Publico um artigo do Mestre Arnaldo Gonçalves (Jornal Tribuna de Macau Online, 28 de Abril de 2005)

O que é ser Conservador?
Num dos seus textos mais fecundos, inserido como postscriptum à sua obra maior The Constitution of Liberty, o economista e filósofo austríaco naturalizado americano, Friedrich Hayek, questionava-se porque - apesar de o tentarem designar como tal - não se achava um conservador. Num tempo - lembrava logo a abrir - em que a maior parte dos movimentos que se pretendem progressivos advogam as mais amplas restrições à liberdade individual, todos os que acarinham o valor da liberdade devem colocar as suas energias ao combate a estes movimentos. Nesta empresa, [os defensores da liberdade] encontram-se, muitas vezes ao lado dos que habitualmente resistem à mudança, embora de um ponto de vista substancial as suas posições sejam as mais díspares. E continua: "o conservadorismo propriamente dito é caracterizado por um atitude legitima, provavelmente necessária, e largamente difundida de oposição à mudança drástica". "Tal ideologia tem tido, após a Revolução Francesa e por um século e meio um papel relevante na política europeia e até ao advento do socialismo o seu opositor foi o liberalismo" conclui.
Reconhecendo-se partidário do que designa pelas ideias liberais ou o "partido da liberdade" Hayek dissipa a mais breve insinuação de confusionismo, referindo que a mais decisiva objecção a qualquer conservadorismo que seja digno de ser designado como tal é o facto de não se poder apresentar como alternativa à direcção para o que o mundo se dirige, mesmo que procure resistir às tendências actuais, atrasando desenvolvimentos indesejáveis mas revelando-se incapaz, porque não acrescenta outra direcção, de prevenir tais desenvolvimentos. A esta guerra de razões entre conservadores e progressistas, Hayek contrapõe a necessidade do liberal questionar não "quão depressa ou até onde" o mundo caminha, mas para onde ele vai. Ou seja, o liberal não é adverso à evolução e à mudança em si e. Quando a mudança espontânea [promovida pela sociedade] é dificultada pela intervenção do governo, o liberal deve exigir a mudança dessa política. Para o liberal o que é mais necessário no mundo é a remoção criteriosa dos obstáculos ao livre crescimento. Isso não significa [Hayek lembra as instituições americanas] que não seja possível defender-se - a um só tempo - a liberdade individual e instituições há muito estabelecidas. Ou seja, a mudança pela mudança é absolutamente estéril como o conservar por recusar o que é novo [por ser novo] inconsequente.
Revi-me na exegese deste texto notável de Friedrich Hayek, a propósito do debate cordato mas já crispado entre "progressistas" e "conservadores", sobre a personalidade e orientações teológicas de Joseph Ratzinger, o novo Papa Bento XVI. Na imprensa portuguesa e internacional, vários têm sido os testemunhos destinados a explicar a escolha da Cúria Pontifícia, ao 4.o escrutínio, adivinhando no magistério do novo Papa linhas de fractura sobre os avanços doutrinários do Concílio Vaticano II, resistências à questão das vocações religiosas, diatribes à separação entre ensino laico e o ensino religioso, ambivalência no diálogo entre obra evangélica e preservação da herança da modernidade. Minagem à convivência, diria Santo Agostinho, entre a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens. Num tom mais sensacionalista, outros explicam-no por um ajuste de contas entre a Opus Dei e a os esquerdistas da Igreja da América Latina.
Tenho alguma dificuldade em me situar nesta polémica, como livre-pensador e alguém de fora da Igreja que se revê [e se basta] numa espiritualidade exclusivamente deísta. Não deixo, no entanto, de ser sensível a alguns argumentos aduzidos e interrogo-me, também, se a Igreja terá feito uma escolha à dimensão dos desafios que tem[os] adiante depois da personalidade fascinante e singular de João Paulo II. Ou para abreviar razões se se terá limitado a seguir a sua vocação. A Igreja Católica tem hoje um prestígio, uma visibilidade, uma legitimidade e uma "leitura" multicultural que não encontra paralelo na história, para cá do Cisma de Avinhão. Representando o que Max Weber chamou um Poder Tradicional, a Igreja constitui uma referência incontornável no mundo, um sujeito de relações internacionais relevante e um poder carismático que atrai multidões, dentro e fora do "rebanho" cristão. Poderá mesmo falar-se [cito Oriana Fallaci de cor, do impressionante A Raiva e o Orgulho] num renascimento da ideia "Civilização Cristã" como combinação única da herança do iluminismo e da vitória da Razão sobre o irracionalismo com a doutrina social da Igreja da dignidade natural do Homem, da inalienabilidade e intemporalidade dos direitos fundamentais. Nascemos - malgré todo o nosso afirmativo laicismo e ateísmo à francesa - numa paisagem de igrejas, de conventos, de Cristo, da Virgem, de sinos e referências religiosas, diz Oriana. O que nos ajuda a encontrarmo-nos na nossa dimensão de Europeus e Ocidentais.
Este é o legado que Joseph Ratzinger toma. Quando afirma que "estamos a avançar para uma ditadura de relativismo que não reconhece nada como certo e que tem como objectivo central o próprio ego e os próprios desejos" [missa na Basílica de S. Pedro, 18.04.2005] não lhe posso deixar de lhe conceder razão embora tema o que a asserção possa ter outra leitura: o facto de a alguns ser conferido, por predestinação, o poder sacro de nos dizer o que é verdade e não é. Não nos questionamos com a falta de referências morais e éticas num mundo que dificilmente aceita a diversidade e o pluralismo? Não nos queixamos, como professores, da falta de valores morais dos jovens, da sua ausência de porquês, da sua rendição ao hedonismo e consumismo mais estéreis? Então porque somos avaros em criticar o relativismo esconso? Porque fica mal, porque é bota-de-elástico?
Qual é a validade de uma moral de autenticidade que ficciona a liberdade singular do Sujeito não apenas como a condição necessária, mas como a condição suficiente da moralidade? Se a liberdade do singular Eu é o único valor que se me impõe, objectivamente, porque é a expressão da minha liberdade, do meu livre arbítrio, seja o que for que eu faça - desde que seja autêntico [isto é, sincero comigo mesmo] - é verdadeiro, no plano moral. Até onde nos pode levar tal relativismo moral? À ausência completa de valores universais e perenes? Ao arbítrio da pura liberdade, [Jean Paul-Sartre, O ser e o Nada, Paris, Gallimard]. Na fantasia sartriana, o sujeito moral é o ser absoluto para quem os valores existem e que não precisa de ninguém nem de um Deus.
A questão não está - parece-me - em a Igreja escolher um Papa conservador ou reaccionário, mas provavelmente em perceber qual é o seu projecto [para onde vai agora] e se deve modificar os seus postulados principais, em matéria de doutrina, para apaziguar uma certa linha de pensamento que quer a sua transformação democrática, a descentralização do processo decisório, a banalização das elites ou a consensualização do dogma, dentro de um caldo de euforia participativa.
Se consigo antecipar a postura intelectual do novo Papa, não é esse o caminho por onde se apresta a levar a Igreja. E por uma razão muito simples. É que no dia em que a Igreja ceder ao que é fácil porque é popular nega a sua natureza como comunidade de fé e élite moral. Para usar um velho aforismo nas questões de fé crê-se ou não. Não se discutem.
Terá a Igreja que evoluir? Seguramente, porque é para além de uma instituição espiritual uma instituição terrena. Desde logo na relação com os fiéis de outras religiões, com a enorme bolsa muçulmana que vive nas nossas cidades e com quem é tão dificil interagir. Com as novas crenças evangélicas que tomaram de rompante as Américas e hoje se alcandoram à Europa, num sentido de comunidade que só se lembra na Igreja antiga, a de Jerusalém. Também com os que se reivindicam do livre pensamento, do laicismo, do escocismo e que tão injustamente têm sido tratados por algumas das suas instituições. Deve fazê-lo, no entanto, sem o pecadilho da soberba e da arrogância moral que assinalam o rasto sangrento e cruel da Inquisição.
São estes alguns dos desafios que se colocam ao novo Papa Bento XVI. Conservare mas sem romper com a dimensão preciosa da modernidade que é a metade universalizante do cristianismo.

sábado, abril 30, 2005

Contra o aborto somos todos: nota da Associação Maternidad e Vida

Assunto: Hipocrisia e Desprezo-Comuniacdo Ass. Maternidade e Vida

Hipocrisia e Desprezo - Nota de Imprensa da Associação Maternidade e Vida

O Partido Socialista apresentou na Assembleia da República duas propostas legislativas relacionadas com a questão do aborto.

Por um lado, pretende o PS que seja realizado um referendo sobre a descriminalização total do aborto realizado nas primeiras DEZ semanas de gravidez. Trata-se do cumprimento de uma promessa eleitoral do PS, da qual todos os eleitores, nomeadamente os que votaram PS tinham conhecimento. A pergunta proposta é semelhante à do referendo de 1998.

O PS reconhece que não foi realizado qualquer estudo credível "sobre a realidade do aborto clandestino em Portugal", mas mesmo assim, porque, como diz o Povo, "a ignorância é atrevida", não hesita em afirmar que existem anualmente "milhares de mulheres" que abortam na clandestinidade!

E, mais do que isso, tem o desplante de afirmar que "algumas" dessas mulheres "são submetidas a uma involuntária exposição pública". É o cúmulo da hipocrisia! Têm sido os defensores do aborto livre, muitos deles ligados ao PS, que têm mobilizado a comunicação social para a porta dos Tribunais, utilizando indecorosamente o sofrimento alheio como arma de arremesso político. Se as poucas mulheres que em Portugal foram submetidas a um processo-crime por terem abortado ilegalmente tiveram a sua vida devassada e foram sujeitas a alguma humilhação pública apenas o devem à atitude panfletária e publicitária dos defensores da liberalização do aborto.

O PS ou os seus companheiros de luta nada fizeram para ajudar as mulheres a não abortar ou para recuperarem do trauma que, em quaisquer circunstâncias, sempre resulta de um aborto. Apenas as querem utilizar para obter, à sua custa, projecção mediática!

Mas o PS apresentou também um Projecto de Lei que visa a liberalização total do aborto, a pedido da mulher, até às 10 SEMANAS de gravidez e a possibilidade, desde que se aleguem razões de "natureza económica ou social", o aborto ser efectuado até aos 4 MESES de gestação.

Ou seja, o PS diz aos Portugueses que vai cumprir a sua promessa eleitoral e que só liberalizará o aborto até às 10 SEMANAS de gravidez se essa for a vontade do povo, expressa em referendo. Mas desde já, e para o caso de os Portugueses recusarem tal liberalização, o PS avança com um projecto de Lei sobre a matéria. E mesmo que o Povo apenas aprovasse o aborto a pedido até às 10 SEMANAS, o PS já avança com a liberalização total até aos 4 MESES (dezasseis semanas), embora "escondida" atrás de razões de natureza económica e social que afectem a "saúde psíquica" da mulher grávida. Mais abrangente não podia ser!

Esta atitude do PS demonstra duas coisas:
Falta de carácter, cultura democrática e menosprezo pelos Portugueses. Avança-se com um referendo, pretendendo ouvir e seguir a opinião da maioria, mas já se tem na manga uma alternativa se o resultado não for o esperado ou uma forma de ir mais longe do que aquilo que o Povo, eventualmente, permitir;

Desprezo pelas mulheres grávidas em dificuldades. O PS revela-se um Partido sem princípios humanos e sem respeito pelas pessoas. A uma mulher desesperada, que tem problemas financeiros ou de natureza social, a resposta do PS não é a criação de mecanismos que resolvam ou atenuem esses problemas e evitem o recurso ao aborto. É exactamente o contrário. O Estado do PS não ajuda financeiramente na gravidez e na criação do bebé, o Estado do PS não apoia a integração social. O Estado do PS PAGA O ABORTO! A proposta do PS é enviar o problema para o CAIXOTE DO LIXO. Nem que o problema seja um bebé com 4 MESES (!) de gestação.

A Associação Portuguesa de Maternidade e Vida lamenta esta postura do Partido Socialista. Acreditamos que muitos militantes e dirigentes do PS, que têm uma cultura de defesa da vida e da dignidade humana, ainda não se aperceberam do alcance desta proposta.

A Lei tem também uma função de Prevenção Geral, de desincentivo de condutas que se consideram negativas, que, como no caso do aborto, atentam contra a vida humana e contra a dignidade pessoal, a saúde física e psíquica da própria mulher que aborta. E representa a perspectiva da sociedade quanto ao valor da vida humana.

O aborto é permitido em Portugal nos casos previstos na Lei - e eles abrangem já, por exemplo, o perigo de lesão irreversível para a saúde psíquica da mulher grávida.

O PS quer transformar o aborto na solução para problemas económicos ou sociais.

Em perfeita sintonia com o Presidente da República: é mais fácil fazer "evoluir" a lei do que trabalhar para fazer evoluir a sociedade.

O PS escolheu o caminho mais fácil. A Associação Portuguesa de Maternidade e Vida continua a trabalhar para ajudar quem sofre e fazer feliz quem opta pela Vida.

Francisco Coelho da Rocha
Presidente da Direcção

terça-feira, abril 12, 2005

The Dark Horse: Stephen Bates, Guardian, April 11

Portuguese patriarch is dark horse papal candidate Stephen Bates, religious affairs correspondentMonday April 11, 2005The Guardian A dark-horse candidate for pope, capable of bridging the divide between the Europeans and the Latin American Roman Catholic cardinals, appears to be emerging in the shape of the Patriarch of Portugal, Jose da Cruz Policarpo.
A week before the cardinals start voting to elect a pope, the 115 men will pause in their devotions to canvass each others' opinions on the next pontiff.
On Saturday they decided to give no more formal interviews to the media, but that will not preclude their own lobbying and discussions. Alongside Policarpo, Claudio Hummes, of Brazil, is emerging as a potential favourite.
With the debate expected to focus on whether the pope should be European or whether the cardinals should open the papacy to a candidate from the church's growing Latin American congregations, the men are regarded as bridges between the continents.
Both speak the languages of Latin America but have European roots: Policarpo's career has been spent as a theologian in Portugal; Hummes's parents were German. Both men, while orthodox, have been concerned with human rights and world poverty.
Whoever is elected pope will need the support of the bulk of cardinals from both regions to secure the required two-thirds majority of 77: Europe has 58 cardinals, and central and southern America only 20. By comparison, North America has 14 cardinals, Africa 11, Asia 10, and Australasia and the Pacific two each.
Even so, the South Americans will say they are severely under-represented in the conclave: the church in Latin America has 500 million followers, but only 18% of those electing the pope come from the region.
While Hummes, 70, who is cardinal archbishop of Sao Paulo, the largest diocese in the church, features on most lists of the papabile (worthy to be pope), Policarpo, 69, has been much less touted and is something of a dark horse - but judged by some to be the best to tackle the problem of re-engaging Europe's disaffected Catholics with the mother church.
"He's a formidable thinker, a real intellectual, very good on the questions affecting European culture, which are going to absorb the cardinals," said one Vatican observer. "He could also be the first cigarette-smoking pope."
Policarpo, ordained in 1961 and a bishop since 1978, was not made a cardinal until 2001. He has spent most of his career at the Portuguese Catholic University and spoken out against human rights abuses in East Timor and Mozambique.
Hummes, a Franciscan, is seen as doctrinally and morally strict but has been a strong advocate for the poor and dispossessed and a powerful evangelist among his 6-million-strong diocese.
It is now thought unlikely the next pope will be from Asia or Africa. Nigeria's Cardinal Francis Arinze is not thought to be a strong enough contender.