sábado, abril 30, 2005

Contra o aborto somos todos: nota da Associação Maternidad e Vida

Assunto: Hipocrisia e Desprezo-Comuniacdo Ass. Maternidade e Vida

Hipocrisia e Desprezo - Nota de Imprensa da Associação Maternidade e Vida

O Partido Socialista apresentou na Assembleia da República duas propostas legislativas relacionadas com a questão do aborto.

Por um lado, pretende o PS que seja realizado um referendo sobre a descriminalização total do aborto realizado nas primeiras DEZ semanas de gravidez. Trata-se do cumprimento de uma promessa eleitoral do PS, da qual todos os eleitores, nomeadamente os que votaram PS tinham conhecimento. A pergunta proposta é semelhante à do referendo de 1998.

O PS reconhece que não foi realizado qualquer estudo credível "sobre a realidade do aborto clandestino em Portugal", mas mesmo assim, porque, como diz o Povo, "a ignorância é atrevida", não hesita em afirmar que existem anualmente "milhares de mulheres" que abortam na clandestinidade!

E, mais do que isso, tem o desplante de afirmar que "algumas" dessas mulheres "são submetidas a uma involuntária exposição pública". É o cúmulo da hipocrisia! Têm sido os defensores do aborto livre, muitos deles ligados ao PS, que têm mobilizado a comunicação social para a porta dos Tribunais, utilizando indecorosamente o sofrimento alheio como arma de arremesso político. Se as poucas mulheres que em Portugal foram submetidas a um processo-crime por terem abortado ilegalmente tiveram a sua vida devassada e foram sujeitas a alguma humilhação pública apenas o devem à atitude panfletária e publicitária dos defensores da liberalização do aborto.

O PS ou os seus companheiros de luta nada fizeram para ajudar as mulheres a não abortar ou para recuperarem do trauma que, em quaisquer circunstâncias, sempre resulta de um aborto. Apenas as querem utilizar para obter, à sua custa, projecção mediática!

Mas o PS apresentou também um Projecto de Lei que visa a liberalização total do aborto, a pedido da mulher, até às 10 SEMANAS de gravidez e a possibilidade, desde que se aleguem razões de "natureza económica ou social", o aborto ser efectuado até aos 4 MESES de gestação.

Ou seja, o PS diz aos Portugueses que vai cumprir a sua promessa eleitoral e que só liberalizará o aborto até às 10 SEMANAS de gravidez se essa for a vontade do povo, expressa em referendo. Mas desde já, e para o caso de os Portugueses recusarem tal liberalização, o PS avança com um projecto de Lei sobre a matéria. E mesmo que o Povo apenas aprovasse o aborto a pedido até às 10 SEMANAS, o PS já avança com a liberalização total até aos 4 MESES (dezasseis semanas), embora "escondida" atrás de razões de natureza económica e social que afectem a "saúde psíquica" da mulher grávida. Mais abrangente não podia ser!

Esta atitude do PS demonstra duas coisas:
Falta de carácter, cultura democrática e menosprezo pelos Portugueses. Avança-se com um referendo, pretendendo ouvir e seguir a opinião da maioria, mas já se tem na manga uma alternativa se o resultado não for o esperado ou uma forma de ir mais longe do que aquilo que o Povo, eventualmente, permitir;

Desprezo pelas mulheres grávidas em dificuldades. O PS revela-se um Partido sem princípios humanos e sem respeito pelas pessoas. A uma mulher desesperada, que tem problemas financeiros ou de natureza social, a resposta do PS não é a criação de mecanismos que resolvam ou atenuem esses problemas e evitem o recurso ao aborto. É exactamente o contrário. O Estado do PS não ajuda financeiramente na gravidez e na criação do bebé, o Estado do PS não apoia a integração social. O Estado do PS PAGA O ABORTO! A proposta do PS é enviar o problema para o CAIXOTE DO LIXO. Nem que o problema seja um bebé com 4 MESES (!) de gestação.

A Associação Portuguesa de Maternidade e Vida lamenta esta postura do Partido Socialista. Acreditamos que muitos militantes e dirigentes do PS, que têm uma cultura de defesa da vida e da dignidade humana, ainda não se aperceberam do alcance desta proposta.

A Lei tem também uma função de Prevenção Geral, de desincentivo de condutas que se consideram negativas, que, como no caso do aborto, atentam contra a vida humana e contra a dignidade pessoal, a saúde física e psíquica da própria mulher que aborta. E representa a perspectiva da sociedade quanto ao valor da vida humana.

O aborto é permitido em Portugal nos casos previstos na Lei - e eles abrangem já, por exemplo, o perigo de lesão irreversível para a saúde psíquica da mulher grávida.

O PS quer transformar o aborto na solução para problemas económicos ou sociais.

Em perfeita sintonia com o Presidente da República: é mais fácil fazer "evoluir" a lei do que trabalhar para fazer evoluir a sociedade.

O PS escolheu o caminho mais fácil. A Associação Portuguesa de Maternidade e Vida continua a trabalhar para ajudar quem sofre e fazer feliz quem opta pela Vida.

Francisco Coelho da Rocha
Presidente da Direcção

terça-feira, abril 12, 2005

The Dark Horse: Stephen Bates, Guardian, April 11

Portuguese patriarch is dark horse papal candidate Stephen Bates, religious affairs correspondentMonday April 11, 2005The Guardian A dark-horse candidate for pope, capable of bridging the divide between the Europeans and the Latin American Roman Catholic cardinals, appears to be emerging in the shape of the Patriarch of Portugal, Jose da Cruz Policarpo.
A week before the cardinals start voting to elect a pope, the 115 men will pause in their devotions to canvass each others' opinions on the next pontiff.
On Saturday they decided to give no more formal interviews to the media, but that will not preclude their own lobbying and discussions. Alongside Policarpo, Claudio Hummes, of Brazil, is emerging as a potential favourite.
With the debate expected to focus on whether the pope should be European or whether the cardinals should open the papacy to a candidate from the church's growing Latin American congregations, the men are regarded as bridges between the continents.
Both speak the languages of Latin America but have European roots: Policarpo's career has been spent as a theologian in Portugal; Hummes's parents were German. Both men, while orthodox, have been concerned with human rights and world poverty.
Whoever is elected pope will need the support of the bulk of cardinals from both regions to secure the required two-thirds majority of 77: Europe has 58 cardinals, and central and southern America only 20. By comparison, North America has 14 cardinals, Africa 11, Asia 10, and Australasia and the Pacific two each.
Even so, the South Americans will say they are severely under-represented in the conclave: the church in Latin America has 500 million followers, but only 18% of those electing the pope come from the region.
While Hummes, 70, who is cardinal archbishop of Sao Paulo, the largest diocese in the church, features on most lists of the papabile (worthy to be pope), Policarpo, 69, has been much less touted and is something of a dark horse - but judged by some to be the best to tackle the problem of re-engaging Europe's disaffected Catholics with the mother church.
"He's a formidable thinker, a real intellectual, very good on the questions affecting European culture, which are going to absorb the cardinals," said one Vatican observer. "He could also be the first cigarette-smoking pope."
Policarpo, ordained in 1961 and a bishop since 1978, was not made a cardinal until 2001. He has spent most of his career at the Portuguese Catholic University and spoken out against human rights abuses in East Timor and Mozambique.
Hummes, a Franciscan, is seen as doctrinally and morally strict but has been a strong advocate for the poor and dispossessed and a powerful evangelist among his 6-million-strong diocese.
It is now thought unlikely the next pope will be from Asia or Africa. Nigeria's Cardinal Francis Arinze is not thought to be a strong enough contender.

segunda-feira, abril 11, 2005

Factos do Fim de Semana

O Benfica perdeu em Vila do Conde. O Sporting ganhou em Lisboa ao Beira Mar. Injusto o resultado do Benfica. Um golo mal anulado aos homens de amarelo da cidade de Aveiro.

No Congresso do PSD desta vez os media estiveram menos interessados. Quiçá natural atendendo a que o PS dispõe de um nóvel poder absoluto. Com Santana de saída, os motivos de interesse para a Comunicação Social interessada no sound byte seriam decertos bem menores.

Ganhou Marques Mendes, mas por poucos. Menezes promete ficar "atento e vigilante". Mau sinal democrático, digo eu. Borges quer posicionar-se para o longo "inverno" do PSD e surgir como alternativa para quando a Primavera estiver a despontar...

sábado, fevereiro 26, 2005

Palestra do Dr. António Amorim no IEP

Assisti ontem pelas 18 horas a uma palestra do Dr. António Amorim, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Subordinada ao tema da Evolução do Sector Corticeiro Português.

Confesso que gostei vivamente. Alguns aspectos que contribuiram para o sucesso:

- atmosfera "cosy", em sala pequena mas acolhedora, com belos e confortáveis sofás em couro castanho escuro; jornais e revistas de Ciência Política adornavam as extremidades e as paredes da sala;
- a assistência era um misto de estudantes de Ciência Política e de professores de Gestão e Ciência Política com jornalistas e politólogos;
- o orador (presidente do Conselho de Administração da Corticeira Amorim) que expôs de forma simples (que não simplista) um conjunto de ideias importantes sobre o sector da cortiça.

Entre as principais ideias, destaco:

- Portugal produz 54% da matéria-prima mundial mas processa cerca de 70% dos produtos de cortiça;
- as rolhas para a indústria viti-vinícola representam cerca de 60% do volume de negócios do sector (mas apenas 54% da Corticeira Amorim (CA));
- a ameaça dos vedantes sintéticos continua activa e constitui o principal desafio do sector; um elevado investimento em Investigação e Desenvolvimento e Marketing (junto dos líderes de opinião: jornalistas, chefes de compras das grandes cadeias de distribuição inglesas, enólogos, etc) permitiu demonstrar as fragilidades das rolhas de plástico, por um lado, e melhorar a qualidade das rolhas de cortiça enquanto vedantes;
- adicionalmente a Corticeira Amorim (CA) lançou um modelo mais barato de rolha para combater pelo preço as rolhas de plástico no sector dos vinhos "básicos" (que valem metade do mercado mundial de vinhos);
- ao mesmo tempo que este esforço permitiu estabilizar a quota de mercado dos vendantes de plástico (cerca de 7% do mercado mundial) assistiu-se à emergência das roscas de alumínio...
- por enquanto confinadas a uma posição menor (menos de 2% do mercado mundial) revelam contudo uma taxa de crescimento muito acentuada;
- este esforço de IeD e Marketing vai originar uma brutal consolidação do sector exportador corticeiro de rolhas; das actuais 15 empresas, o orador prevê menos de metade nos próximos anos;
- a Corticeira Amorim tem cerca de 28% a 30% de quota de mercado mundial da transformação da cortiça; é cerca de 9 vezes maior que a segunda maior empresa mundial (também portuguesa);
- os revestimentos de cortiça representam cerca de 16% do negócio da CA;
- os revestimentos de cortiça representam apenas 0,6% do total do sector de revestimentos à escala mundial; a sua maior aceitação é nos países do Norte da Europa;
- em Portugal têm uma menor aceitação por um preconceito cultural: há 30 anos quando a cortiça era barata foi o material de eleição para os revestimentos das habitações sociais... mais a mais com a denominação de corticite...
- está em curso um investimento industrial da CA na China em associação com um parceiro local, para produzir rolhas usando um material vegetal similar à cortiça quanto às suas características (conquanto bastante diferente do ponto de vista molecular);
- actualmente a CA está presente em 92 países do mundo, com várias formas: delegações comerciais, escritórios, unidades industriais, agentes e distribuidores locais, etc;
- na China, até agora com 3 escritórios de natureza comercial, tendo como principais clientes os industriais de volantes de badmington (feitos com uma base de borracha e cortiça a que se adicionam 12 penas de ganso) e de canas de pesca (para os cabos das mesmas, se e quando feitos de cortiça particularmente eficazes para obviar à transpiração das mãos).

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O Benfica perdeu... expectável

Face a uma equipa russa dotada de poderoso orçamento. Com bons jogadores e fisicamente frescos. Vários de classe internacional.

Curiosamente este CSKA é patrocinado por uma companhia petrolífera russa cujo accionista principal é também o accionista maioritário do Chelsea. O valor do patrocínio das camisolas é de 20 milhões de euros anuais, maior do que o valor que a Siemens paga ao Real Madrid.

Vigilância sobre as propostas eleitorais

A Revista Visão, saída ontem, resumo as principais promessas do Eng. Sócrates feitas ao longo de sucessivos discursos na campanha eleitoral.

É uma boa base de partida para alguém construir um "Barómetro de Cumprimento de Promessas Eleitorais".

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

E depois do adeus: artigo Dr. Arnaldo Gonçalves. Texto de hoje do jornal Tribuna de Macau

E depois do adeus
Os resultados das legislativas do último fim-de-semana confirmam algumas evidências que aqui fui relatando, ao longo dos meses e trazem algumas novidades à vida política portuguesa. Representam, disse na semana passada, o fecho de um ciclo político, mas não correspondem ao início propriamente de um novo, no sentido que não rompem com o passado, mas são uma sua continuação. Entreabrem pistas interessantes, mas não desenham vias de ruptura com o que são as pechas de um sistema de representação que abriu costuras que dificilmente sararão.
Quando olhei para os resultados segunda-feira de manhã a primeira impressão que tive foi a sensação do dêja vu: uma esquerda maioritária no Parlamento, em ebulição nos sindicatos e nas associações de base; um centro-direita com o resultado mais desastrado em trinta anos de democracia, em recuo atabalhoado com uma liderança decapitada; um Presidente interventor, jubiloso com a reinterpretação [pelos vistos aplaudida nas urnas] dos seus poderes constitucionais; o país previsivelmente dividido entre a legitimidade do sufrágio universal atribuído inequivocamente ao PS para governar com maioria e a promessa do desafio na própria noite eleitoral, nas ruas e nas empresas, por comunistas e bloquistas, de qualquer iniciativa que vise beliscar o status quo em que o país, aparentemente, se revê. Chamado a votos o país disse da sua justiça e escolheu maioritariamente o partido que vai dirigir o nosso destino nos próximos quatro anos. A escolha não me espantou, apenas a sua extensão, que não previ.
O grande vencedor da noite eleitoral foi, inequivocamente, José Sócrates. Recordo as palavras que escrevi, nesta coluna, a 2 de Dezembro: “Sócrates tem condições pessoais para ser um bom primeiro-ministro pelo seu estilo jovem, irrequieto, convincente e carismático[...] a sua candidatura é uma lufada de ar fresco até porque os portugueses estão dispostos a tudo arriscar para se libertarem de um governo inapto e de um primeiro-ministro voraz. Mesmo que isso conduza a um novo ciclo de irresponsabilidade política ao sabor dos acontecimentos e das sondagens”.
Os grandes derrotados da noite, Santana Lopes e o centro-direita, definitivamente não o perceberam. Deixaram-se enredar na verbalização dos slogans vazios, no apregoar da superioridade moral das suas convicções e da “obra feita”. O que se revelou uma total estupidez. Em democracia não há lugar para a superioridade moral dos valores, mas apenas para o confronto dos projectos políticos e para o julgamento dos resultados no fecho de cada ciclo de governação. É ao desempenho a que os eleitores efectivamente se reportam não a qualquer wishful thinking.
Não existe, assim, essa coisa extraordinária como os valores democrata-cristãos apregoados por Paulo Portas. Pelo menos num país católico que recentemente encheu Fátima para render homenagem a um dos seus ícones, isso não faz qualquer sentido. São coisas diferentes, a fé e a luta política e apenas espíritos destorcidos podem ao identificá-los, querer ganhar dividendos.
O país quis, a meu ver, andar para a frente. Cortar cerce com o pessimismo, com as más notícias, com a lógica do aperto pelo aperto. Favoreceu quem lhe mostrou outro mundo, outras hipóteses, porventura falaciosas. O eleitorado não se deixou convencer por políticas de contenção dilatadas no tempo, por sacrifícios sine die, por muito que os números o expliquem e o governador do Banco de Portugal os valide. Governar é gerir problemas de pessoas de carne e osso, não aplicar, mecanicamente, modelos e soluções macroeconómicas desenhadas no papel. O eleitorado puniu nas urnas quem as quer prosseguir, teimosa e cegamente. Fê-lo, uma primeira vez, em meados dos anos 80 quando derrotou as políticas restritivas de Mário Soares [e Ernâni Lopes] e abriu caminho para a maioria absoluta de Cavaco Silva. Repete-o, agora, vinte anos depois, com Durão Barroso e Santana Lopes abrindo o espaço para a maioria absoluta de José Sócrates e do PS. Equivocou-se o eleitorado? Provavelmente, mas é ele, em última instância, quem manda.
Ainda é cedo para fazer paralelos com o passado recente e tecer prognósticos quanto ao provável desempenho de José Sócrates e do seu governo. O jovem político tem qualidades [que sublinhei], mas não governará sozinho. Terá uma equipa e executores das suas orientações. Os governos não são unicéfalos. São equipas, estilos e versatilidades. Os primeiros-ministros são cada vez mais reflexo desse trabalho em equipa, mais que protagonistas solitários. Estejamos atentos, portanto, aos indigitados vice-primeiros-ministros e aos ministros das finanças e da economia.
É salutar, em democracia, que os novos governos usufruam de um crédito de confiança nos meses que se seguem à vitória nas eleições. É razoável que os comentadores lhes concedam, também, esse crédito e benevolência. O comentador, mesmo quando tem convicções políticas fortes, deve assegurar a independência e o balanceamento dos seus juízos. Sem necessidade de se proclamar uma abstencionista não pode nem deve ser uma câmara de eco partidária. O comentador não faz por isso grandes amigos. Os idiotas normalmente avaliam o mérito do que sai escrito pelo grau de aderência às suas ideias. Os “bons” são os que se identificam com as paixões clubistas, mesmo as mais irrealistas, os “outros” não prestam. Não é importante, contudo, que o comentador tenha razão. O exercício da opinião escrita ou falada não é uma ciência exacta, como aliás o não é a ciência política. É uma ponderação, uma avaliação normalmente intuitiva. O importante é que o comentador se eleva acima das paixões e tenha a vontade e o discernimento de dizer o que pensa.
No campo liberal é agora tempo do PSD arrumar a casa, ganhar uma nova liderança e desenvolver uma oposição forte e consistente no parlamento, afinal a casa da democracia. O actual presidente do partido deu um sinal importante quanto à necessidade de renovação ao demitir-se da liderança abrindo caminho para a regeneração indispensável. O país exige-o, os próximos combates eleitorais, autárquicas e presidenciais, impõem-no.
* Especialista em Relações Internacionais. Escreve neste espaço às quintas-feiras.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Cavaco aposta em maioria absoluta do PS

Título do jornal "Público" da edição de Terça-feira, dia de Carnaval (08.02.2004).

Citando uma fonte anónima mas muito próxima do ex-primeiro ministro. Toda a "estória" é bastante plausível.

Previsivelmente vai ser desmentida formalmente pelo Professor Doutor Cavado Silva.

E fica em maus lençóis o jornal, que se pretende que seja um exemplo de sobriedade. O que terá levado a direcção do jornal a deixar que a capa do jornal tivesse esta notícia em grande destaque?

A venda dos melhores activos nacionais: desta vez no futebol

Agora vai ser no Benfica. Ninguém me disse mas não custa perceber o porquê: uma meia dúzia de jogadores vão ter os seus passes integrados no fundo de investimento gerido pelo Banif. O déficite de exploração da SAD continua insustentavelmente elevado. O endividamento cresceu, com a hipótese de novo empréstimo obrigacionista com poucas probabilidades de concretização. Ademais o jogador Simão Sabrosa realiza a sua melhor época de sempre, enquanto jogador profissional.

Em suma, existem fortes chances de que pelo menos um dos seguintes saia: Simão Sabrosa, Manuel Fernandes, Miguel, Petit, Luisão. E por ordem decrescente de probabilidade.

That´s my bet, folks!

campanha eleitoral: faltam 12 dias

Doze dias apenas para as eleições legislativas. Aquilo que me prende mais a atenção:

- a organização das máquinas partidárias, capazes de encherem pavilhões e praças, com muita gente arregimentada e muito colorido (fica sempre bem em televisão);
- a aplicação de metodologias de Marketing moderno às campanhas de PS, PSD, PP e BE;
- conquanto me pareça que o PSD está com um posicionamento assaz diferente dos outros e talvez muito influenciado por uma lógica redutora de marketing, de inspiração brasileira (contrariando o mito, o Brasil não tem um bom marketing mas tão e sómente alguns bons ou muito bons publicitários; o que é curto para o Marketing) que está a dar maus resultados (péssima segmentação; ausência de conhecimento das necessidades, anseios, dúvidas e aspirações de votantes; ...).

quarta-feira, dezembro 15, 2004

As Farpas: artigo do Professor César das Neves

Portugal está mesmo em crise. Acaba de sair uma nova edição d'As Farpas de Eça de Queiroz preparada pela prof.ª Maria Filomena Mónica (Principia, 2004).Isso foi pretexto para vários comentadores notarem a semelhança entre as tristes descrições do genial romancista e as actuais. Ler os textos de 1871-72 é como ler os nossos jornais.Ninguém referiu o profundo abismo que nos separa do Portugal de Eça.A nossa taxa de mortalidade infantil nos finais do século XIX andava pelas 150 mortes por mil nascimentos; agora está em quatro. O analfabetismo caiu de 88% para menos de 9%. A esperança de vida ao nascer subiu de menos de 40 anos para mais de 75 e o nível de vida aumentou quase 40 vezes no período. O Portugal d'As Farpas estaria hoje ao nível da Serra Leoa, Tanzânia ou Burundi. A violenta prosa de Eça criticava outro mundo.Mas em certo aspecto a semelhança é justa e adequada. Se no campo económico-social o País ultrapassou os seus sonhos mais ambiciosos, há coisas que se mantiveram ou até pioraram. Por exemplo, a qualidade dos políticos não subiu e a dos comentadores degradou-se muito desde o tempo em que a assinatura era de Eça ou Ramalho. Sobretudo permaneceu o elemento que estava no centro da crítica d'As Farpas e que volta a estar no núcleo da actual crise.Este processo desde 1974 está ligado a três D's. Nos primeiros dez anos a preocupação central foi a Democratização; nos dez seguintes foi o Desenvolvimento; nos últimos dez anos veio a Dissipação. Passados os choques da revolução de Soares e da Europa de Cavaco, deu-se uma imperceptível mudança estrutural na sociedade. Desde Guterres, o País aproximou-se decisivamente do Portugal de Eça.Basta abrir os jornais para notar que as preocupações nacionais centram-se hoje em vários grupos, com apenas uma única coisa em comum: o seu sucesso é independente do progresso.Políticos, jornalistas, funcionários, juízes, médicos, professores, polícias, militares, diplomatas são pessoas excelentes, com serviços decisivos ao País. Mas as suas promoções e remunerações estão, em geral, desligadas da dinâmica económica. O seu prestígio, carreira e salário provêm, não da competência e qualidade, mas de prescrições administrativas, regras burocráticas, negociações partidárias. São os primeiros a saber que, mesmo que o País estagne, vivem seguros e recebem diuturnidades.O resultado está à vista. A recente divergência face à Europa não é grave, pois um país afasta-se sempre da média do grupo quando entra em queda. Preocupante é a hesitação e apatia da presente recuperação. Nestes meses de retoma da actividade, a economia portuguesa não reganha a vivacidade posterior às duas últimas recessões. O investimento não acelera. A Grécia e a Eslovénia já nos ultrapassaram. A paralisia vem dos que abancaram à mesa do Orçamento.Ninguém como Eça para o descrever: «Fomos outrora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: fizemos muitas revoluções para sair dela. Ficamos exactamente em condições idênticas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vai buscar alegremente, ao meio-dia, cantando o Bendito; é uma classe inteira que vive dele, de chapéu alto e paletó. Este caldo é o Estado.» (op.cit., p. 29).naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

terça-feira, novembro 16, 2004

Colin Powell

Colin Powell has quited the Bush administration. The first black man to have reached the highest echelon in the military hierarchy. The son of a Jamaican immigrant family.

It is a pity. He worked as a powerful chek and balance on the so called falcons inside the administration. Rational, balanced and with charisma.

His departure could biased the military and political views of the Bush inner circle. It could be dramatic.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Blogger: Dashboard

Blogger: Dashboard

As empresas cotadas na Bolsa de Lisboa apresentam lucros históricos. Afinal o tecido económico português vai bem?

Marketing, Politics and Economy

Marketing, Politics and Economy

Duas assembleias gerais agitadas: Sporting Club de Portugal e Sport Lisboa e Benfica.
SCP revela montante astronómico de passivo. Deve ser preocupante, apesar de palavras do presidente do clube procurando relativizar o passivo e pedindo o necessário contraponto com o valor do activo. Correcto, mas como a experiência empresarial nos demonstra (e que procuramos transmitir a nossos alunos na Universidade) talvez tão importante quanto a solvabilidade seja a liquidez de uma empresa. E o SCP está numa situação complexa. Os bancos credores continuam a impôr uma redução das exigências de tesouraria. O orçamento anual com o futebol profissional foi sucessivamente reduzido de 25 Milhões de Euros (Me) para 20 e mais recentemente para 17 Me. Sensato. Mas o F.C.Porto aumentou-o para mais de 85 Me. Ganhar o campeonato este ano ou sobreviver à crise económica? Qual a estratégia vencedora? Aceitam-se comentários.

Esteve bem o presidente do SLBenfica ao defender que os restantes elementos da direcção do Dr. Vale e Azevedo deveriam ser poupados ao processo disciplinar e a um provável processo de expulsão. Revela grandeza.

O meu começo na blogosfera

Parece estranho. Fui dos primeiros cibernautas (ainda não existia a www, nem o Mosaic, nem o IE ou o Netscape,...) em Portugal.
Mas devo ser um dos últimos aderentes à blogosfera.
Não cansa de me espantar a quantidade e o perfil de gente que tem um blog: desde a geração "early adopters" (escritores, políticos, universitários, jornalistas) aos indivíduos mais improváveis (executivos muito ocupados, empregados administrativos, reformados, etc), pelo menos sob o ponto de vista de adopção de novas tecnologias de comunicação.

Irei tentar comentar assuntos de Política (mas não partidária), Economia e Gestão de Empresas e ainda um tema transversal, Marketing.