sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O Benfica perdeu... expectável

Face a uma equipa russa dotada de poderoso orçamento. Com bons jogadores e fisicamente frescos. Vários de classe internacional.

Curiosamente este CSKA é patrocinado por uma companhia petrolífera russa cujo accionista principal é também o accionista maioritário do Chelsea. O valor do patrocínio das camisolas é de 20 milhões de euros anuais, maior do que o valor que a Siemens paga ao Real Madrid.

Vigilância sobre as propostas eleitorais

A Revista Visão, saída ontem, resumo as principais promessas do Eng. Sócrates feitas ao longo de sucessivos discursos na campanha eleitoral.

É uma boa base de partida para alguém construir um "Barómetro de Cumprimento de Promessas Eleitorais".

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

E depois do adeus: artigo Dr. Arnaldo Gonçalves. Texto de hoje do jornal Tribuna de Macau

E depois do adeus
Os resultados das legislativas do último fim-de-semana confirmam algumas evidências que aqui fui relatando, ao longo dos meses e trazem algumas novidades à vida política portuguesa. Representam, disse na semana passada, o fecho de um ciclo político, mas não correspondem ao início propriamente de um novo, no sentido que não rompem com o passado, mas são uma sua continuação. Entreabrem pistas interessantes, mas não desenham vias de ruptura com o que são as pechas de um sistema de representação que abriu costuras que dificilmente sararão.
Quando olhei para os resultados segunda-feira de manhã a primeira impressão que tive foi a sensação do dêja vu: uma esquerda maioritária no Parlamento, em ebulição nos sindicatos e nas associações de base; um centro-direita com o resultado mais desastrado em trinta anos de democracia, em recuo atabalhoado com uma liderança decapitada; um Presidente interventor, jubiloso com a reinterpretação [pelos vistos aplaudida nas urnas] dos seus poderes constitucionais; o país previsivelmente dividido entre a legitimidade do sufrágio universal atribuído inequivocamente ao PS para governar com maioria e a promessa do desafio na própria noite eleitoral, nas ruas e nas empresas, por comunistas e bloquistas, de qualquer iniciativa que vise beliscar o status quo em que o país, aparentemente, se revê. Chamado a votos o país disse da sua justiça e escolheu maioritariamente o partido que vai dirigir o nosso destino nos próximos quatro anos. A escolha não me espantou, apenas a sua extensão, que não previ.
O grande vencedor da noite eleitoral foi, inequivocamente, José Sócrates. Recordo as palavras que escrevi, nesta coluna, a 2 de Dezembro: “Sócrates tem condições pessoais para ser um bom primeiro-ministro pelo seu estilo jovem, irrequieto, convincente e carismático[...] a sua candidatura é uma lufada de ar fresco até porque os portugueses estão dispostos a tudo arriscar para se libertarem de um governo inapto e de um primeiro-ministro voraz. Mesmo que isso conduza a um novo ciclo de irresponsabilidade política ao sabor dos acontecimentos e das sondagens”.
Os grandes derrotados da noite, Santana Lopes e o centro-direita, definitivamente não o perceberam. Deixaram-se enredar na verbalização dos slogans vazios, no apregoar da superioridade moral das suas convicções e da “obra feita”. O que se revelou uma total estupidez. Em democracia não há lugar para a superioridade moral dos valores, mas apenas para o confronto dos projectos políticos e para o julgamento dos resultados no fecho de cada ciclo de governação. É ao desempenho a que os eleitores efectivamente se reportam não a qualquer wishful thinking.
Não existe, assim, essa coisa extraordinária como os valores democrata-cristãos apregoados por Paulo Portas. Pelo menos num país católico que recentemente encheu Fátima para render homenagem a um dos seus ícones, isso não faz qualquer sentido. São coisas diferentes, a fé e a luta política e apenas espíritos destorcidos podem ao identificá-los, querer ganhar dividendos.
O país quis, a meu ver, andar para a frente. Cortar cerce com o pessimismo, com as más notícias, com a lógica do aperto pelo aperto. Favoreceu quem lhe mostrou outro mundo, outras hipóteses, porventura falaciosas. O eleitorado não se deixou convencer por políticas de contenção dilatadas no tempo, por sacrifícios sine die, por muito que os números o expliquem e o governador do Banco de Portugal os valide. Governar é gerir problemas de pessoas de carne e osso, não aplicar, mecanicamente, modelos e soluções macroeconómicas desenhadas no papel. O eleitorado puniu nas urnas quem as quer prosseguir, teimosa e cegamente. Fê-lo, uma primeira vez, em meados dos anos 80 quando derrotou as políticas restritivas de Mário Soares [e Ernâni Lopes] e abriu caminho para a maioria absoluta de Cavaco Silva. Repete-o, agora, vinte anos depois, com Durão Barroso e Santana Lopes abrindo o espaço para a maioria absoluta de José Sócrates e do PS. Equivocou-se o eleitorado? Provavelmente, mas é ele, em última instância, quem manda.
Ainda é cedo para fazer paralelos com o passado recente e tecer prognósticos quanto ao provável desempenho de José Sócrates e do seu governo. O jovem político tem qualidades [que sublinhei], mas não governará sozinho. Terá uma equipa e executores das suas orientações. Os governos não são unicéfalos. São equipas, estilos e versatilidades. Os primeiros-ministros são cada vez mais reflexo desse trabalho em equipa, mais que protagonistas solitários. Estejamos atentos, portanto, aos indigitados vice-primeiros-ministros e aos ministros das finanças e da economia.
É salutar, em democracia, que os novos governos usufruam de um crédito de confiança nos meses que se seguem à vitória nas eleições. É razoável que os comentadores lhes concedam, também, esse crédito e benevolência. O comentador, mesmo quando tem convicções políticas fortes, deve assegurar a independência e o balanceamento dos seus juízos. Sem necessidade de se proclamar uma abstencionista não pode nem deve ser uma câmara de eco partidária. O comentador não faz por isso grandes amigos. Os idiotas normalmente avaliam o mérito do que sai escrito pelo grau de aderência às suas ideias. Os “bons” são os que se identificam com as paixões clubistas, mesmo as mais irrealistas, os “outros” não prestam. Não é importante, contudo, que o comentador tenha razão. O exercício da opinião escrita ou falada não é uma ciência exacta, como aliás o não é a ciência política. É uma ponderação, uma avaliação normalmente intuitiva. O importante é que o comentador se eleva acima das paixões e tenha a vontade e o discernimento de dizer o que pensa.
No campo liberal é agora tempo do PSD arrumar a casa, ganhar uma nova liderança e desenvolver uma oposição forte e consistente no parlamento, afinal a casa da democracia. O actual presidente do partido deu um sinal importante quanto à necessidade de renovação ao demitir-se da liderança abrindo caminho para a regeneração indispensável. O país exige-o, os próximos combates eleitorais, autárquicas e presidenciais, impõem-no.
* Especialista em Relações Internacionais. Escreve neste espaço às quintas-feiras.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Cavaco aposta em maioria absoluta do PS

Título do jornal "Público" da edição de Terça-feira, dia de Carnaval (08.02.2004).

Citando uma fonte anónima mas muito próxima do ex-primeiro ministro. Toda a "estória" é bastante plausível.

Previsivelmente vai ser desmentida formalmente pelo Professor Doutor Cavado Silva.

E fica em maus lençóis o jornal, que se pretende que seja um exemplo de sobriedade. O que terá levado a direcção do jornal a deixar que a capa do jornal tivesse esta notícia em grande destaque?

A venda dos melhores activos nacionais: desta vez no futebol

Agora vai ser no Benfica. Ninguém me disse mas não custa perceber o porquê: uma meia dúzia de jogadores vão ter os seus passes integrados no fundo de investimento gerido pelo Banif. O déficite de exploração da SAD continua insustentavelmente elevado. O endividamento cresceu, com a hipótese de novo empréstimo obrigacionista com poucas probabilidades de concretização. Ademais o jogador Simão Sabrosa realiza a sua melhor época de sempre, enquanto jogador profissional.

Em suma, existem fortes chances de que pelo menos um dos seguintes saia: Simão Sabrosa, Manuel Fernandes, Miguel, Petit, Luisão. E por ordem decrescente de probabilidade.

That´s my bet, folks!

campanha eleitoral: faltam 12 dias

Doze dias apenas para as eleições legislativas. Aquilo que me prende mais a atenção:

- a organização das máquinas partidárias, capazes de encherem pavilhões e praças, com muita gente arregimentada e muito colorido (fica sempre bem em televisão);
- a aplicação de metodologias de Marketing moderno às campanhas de PS, PSD, PP e BE;
- conquanto me pareça que o PSD está com um posicionamento assaz diferente dos outros e talvez muito influenciado por uma lógica redutora de marketing, de inspiração brasileira (contrariando o mito, o Brasil não tem um bom marketing mas tão e sómente alguns bons ou muito bons publicitários; o que é curto para o Marketing) que está a dar maus resultados (péssima segmentação; ausência de conhecimento das necessidades, anseios, dúvidas e aspirações de votantes; ...).

quarta-feira, dezembro 15, 2004

As Farpas: artigo do Professor César das Neves

Portugal está mesmo em crise. Acaba de sair uma nova edição d'As Farpas de Eça de Queiroz preparada pela prof.ª Maria Filomena Mónica (Principia, 2004).Isso foi pretexto para vários comentadores notarem a semelhança entre as tristes descrições do genial romancista e as actuais. Ler os textos de 1871-72 é como ler os nossos jornais.Ninguém referiu o profundo abismo que nos separa do Portugal de Eça.A nossa taxa de mortalidade infantil nos finais do século XIX andava pelas 150 mortes por mil nascimentos; agora está em quatro. O analfabetismo caiu de 88% para menos de 9%. A esperança de vida ao nascer subiu de menos de 40 anos para mais de 75 e o nível de vida aumentou quase 40 vezes no período. O Portugal d'As Farpas estaria hoje ao nível da Serra Leoa, Tanzânia ou Burundi. A violenta prosa de Eça criticava outro mundo.Mas em certo aspecto a semelhança é justa e adequada. Se no campo económico-social o País ultrapassou os seus sonhos mais ambiciosos, há coisas que se mantiveram ou até pioraram. Por exemplo, a qualidade dos políticos não subiu e a dos comentadores degradou-se muito desde o tempo em que a assinatura era de Eça ou Ramalho. Sobretudo permaneceu o elemento que estava no centro da crítica d'As Farpas e que volta a estar no núcleo da actual crise.Este processo desde 1974 está ligado a três D's. Nos primeiros dez anos a preocupação central foi a Democratização; nos dez seguintes foi o Desenvolvimento; nos últimos dez anos veio a Dissipação. Passados os choques da revolução de Soares e da Europa de Cavaco, deu-se uma imperceptível mudança estrutural na sociedade. Desde Guterres, o País aproximou-se decisivamente do Portugal de Eça.Basta abrir os jornais para notar que as preocupações nacionais centram-se hoje em vários grupos, com apenas uma única coisa em comum: o seu sucesso é independente do progresso.Políticos, jornalistas, funcionários, juízes, médicos, professores, polícias, militares, diplomatas são pessoas excelentes, com serviços decisivos ao País. Mas as suas promoções e remunerações estão, em geral, desligadas da dinâmica económica. O seu prestígio, carreira e salário provêm, não da competência e qualidade, mas de prescrições administrativas, regras burocráticas, negociações partidárias. São os primeiros a saber que, mesmo que o País estagne, vivem seguros e recebem diuturnidades.O resultado está à vista. A recente divergência face à Europa não é grave, pois um país afasta-se sempre da média do grupo quando entra em queda. Preocupante é a hesitação e apatia da presente recuperação. Nestes meses de retoma da actividade, a economia portuguesa não reganha a vivacidade posterior às duas últimas recessões. O investimento não acelera. A Grécia e a Eslovénia já nos ultrapassaram. A paralisia vem dos que abancaram à mesa do Orçamento.Ninguém como Eça para o descrever: «Fomos outrora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: fizemos muitas revoluções para sair dela. Ficamos exactamente em condições idênticas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vai buscar alegremente, ao meio-dia, cantando o Bendito; é uma classe inteira que vive dele, de chapéu alto e paletó. Este caldo é o Estado.» (op.cit., p. 29).naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

terça-feira, novembro 16, 2004

Colin Powell

Colin Powell has quited the Bush administration. The first black man to have reached the highest echelon in the military hierarchy. The son of a Jamaican immigrant family.

It is a pity. He worked as a powerful chek and balance on the so called falcons inside the administration. Rational, balanced and with charisma.

His departure could biased the military and political views of the Bush inner circle. It could be dramatic.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Blogger: Dashboard

Blogger: Dashboard

As empresas cotadas na Bolsa de Lisboa apresentam lucros históricos. Afinal o tecido económico português vai bem?

Marketing, Politics and Economy

Marketing, Politics and Economy

Duas assembleias gerais agitadas: Sporting Club de Portugal e Sport Lisboa e Benfica.
SCP revela montante astronómico de passivo. Deve ser preocupante, apesar de palavras do presidente do clube procurando relativizar o passivo e pedindo o necessário contraponto com o valor do activo. Correcto, mas como a experiência empresarial nos demonstra (e que procuramos transmitir a nossos alunos na Universidade) talvez tão importante quanto a solvabilidade seja a liquidez de uma empresa. E o SCP está numa situação complexa. Os bancos credores continuam a impôr uma redução das exigências de tesouraria. O orçamento anual com o futebol profissional foi sucessivamente reduzido de 25 Milhões de Euros (Me) para 20 e mais recentemente para 17 Me. Sensato. Mas o F.C.Porto aumentou-o para mais de 85 Me. Ganhar o campeonato este ano ou sobreviver à crise económica? Qual a estratégia vencedora? Aceitam-se comentários.

Esteve bem o presidente do SLBenfica ao defender que os restantes elementos da direcção do Dr. Vale e Azevedo deveriam ser poupados ao processo disciplinar e a um provável processo de expulsão. Revela grandeza.

O meu começo na blogosfera

Parece estranho. Fui dos primeiros cibernautas (ainda não existia a www, nem o Mosaic, nem o IE ou o Netscape,...) em Portugal.
Mas devo ser um dos últimos aderentes à blogosfera.
Não cansa de me espantar a quantidade e o perfil de gente que tem um blog: desde a geração "early adopters" (escritores, políticos, universitários, jornalistas) aos indivíduos mais improváveis (executivos muito ocupados, empregados administrativos, reformados, etc), pelo menos sob o ponto de vista de adopção de novas tecnologias de comunicação.

Irei tentar comentar assuntos de Política (mas não partidária), Economia e Gestão de Empresas e ainda um tema transversal, Marketing.